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terça-feira, 17 de abril de 2018

David Hume



David Hume
O mundo físico



Mediante que argumento se poderia provar que as perceções da mente têm de ser causadas por objetos exteriores completamente diferentes delas, embora se lhes assemelhem (se isso for possível), e que não poderiam derivar, seja da força da própria mente, seja da sugestão de algum espírito invisível e desconhecido, seja de alguma causa ainda mais desconhecida? Reconhece-se que, de facto, muitas dessas perceções não surgem de algo exterior, como nos sonhos, na loucura e noutras doenças. […]



Saber se as perceções dos sentidos são produzidas por objetos que se lhes assemelham constitui uma questão de facto. Como deve ser decidida esta questão? Pela experiência, certamente, como no caso de outras questões de idêntica natureza. Mas aqui a experiência permanece – e tem de permanecer — inteiramente em silêncio. Nada está jamais presente ao espírito a não ser as perceções, e ele não tem maneira de conseguir qualquer experiência da conexão das perceções com os objetos. A hipótese dessa conexão não tem, portanto, qualquer fundamento no raciocínio.



[…] Este é, portanto, um tópico em que os céticos mais profundos e filosóficos sempre triunfam, quando se esforçam por introduzir uma dúvida universal em todos os objetos de conhecimento e investigação humanos. Seguindo os instintos e tendências naturais, poderiam eles dizer, ao admitir a veracidade dos sentidos? Mas eles levam-vos a acreditar que a própria perceção, ou imagem sensível, é o objeto exterior. Recusais esse princípio, adotando uma posição mais racional, segundo a qual as perceções são apenas representações de alguma coisa exterior? Mas aqui afastais-vos das vossas propensões naturais e das vossas crenças mais óbvias e, mesmo assim, não sois capazes de satisfazer a vossa razão, a qual continua a ser incapaz de encontrar, a partir da experiência, qualquer argumento convincente para provar que as perceções estão ligadas a quaisquer objetos exteriores.



                David Hume, 
Investigação sobre o Entendimento Humano




  1.   Apresente a tese.
  2.  Quais os argumentos apresentados por D, Hume para sustentar essa mesma tese?

                                            Lola

domingo, 15 de abril de 2018

David Hume




David Hume 
Crítica a Descartes

“Existe uma espécie de ceticismo, anterior a qualquer estudo ou filosofia, muito recomendado por Descartes e outros como sendo a soberana salvaguarda contra os erros e os juízos precipitados. Este cepticismo recomenda uma dúvida universal, não apenas quanto aos nossos princípios e opiniões anteriores, mas também quanto às nossas próprias faculdades, de cuja veracidade, diz ele, devemos nos assegurar por meio de uma cadeia argumentativa deduzida de algum princípio original que seja totalmente impossível tornar-se enganador ou falacioso. Mas nem existe qualquer princípio original como esse, dotado de qualquer prerrogativa sobre outros que são evidentes e convincentes; nem, se existisse, poderíamos avançar um passo além dele, a não ser pelo uso daquelas mesmas faculdades das quais se supõe que já suspeitamos. A dúvida cartesiana, portanto, se jamais fosse capaz de ser alcançada por qualquer criatura humana (o que claramente não é), seria totalmente incurável, e nenhum raciocínio poderia alguma vez nos levar a um estado de segurança e convicção acerca de qualquer assunto.
Deve-se todavia confessar que o ceticismo, quando é mais moderado, pode ser entendido num sentido muito razoável, e constitui uma preparação para o estudo da filosofia, preservando uma adequada imparcialidade nos nossos juízos e libertando-nos o espírito de todos os preconceitos de que possamos ter sido impregnados pela educação ou por opiniões precipitadas.”
David Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, 
tradução de João Paulo Monteiro, 
Lisboa, INCM, 2002, pp. 161-162.





                                        Lola

David Hume





David Hume
 O problema da causalidade


"Não temos necessidade de temer que esta filosofia, na medida em que tenta limitar as nossas pesquisas à vida corrente, destrua os raciocínios de vida corrente e leve suas dúvidas tão longe a ponto de destruir toda a acção como toda a especulação. A natureza sempre manterá os seus direitos e, no fim, prevalecerá sobre os raciocínios abstractos. Mesmo que concluamos, por exemplo, que em todos os raciocínios tirados da experiência o espírito dá um passo que não é sustentado por nenhum progresso do entendimento, não há nenhum perigo que esses raciocínios, dos quais depende quase todo o conhecimento, sejam afectados por tal descoberta. Se o espírito não está obrigado a dar esse passo por meio de um argumento, ele deve ser conduzido por outro princípio igual em peso e em autoridade; tal princípio conservará a sua influência por tanto tempo que a natureza humana permanecerá a mesma. A natureza desse princípio bem merece que nos entreguemos ao esforço de investigar sobre ela.

Suponha-se que um homem, dotado das mais poderosas faculdades de razão e de reflexão, seja subitamente transportado por este mundo; certamente ele observaria de imediato uma contínua sucessão de objectos, um acontecimento seguir-se a outro; mas seria incapaz de descobrir outra coisa. De imediato, ele seria incapaz, por meio de algum raciocínio, de atingir a ideia de causa e efeito, pois os poderes particulares que concretizam todas as operações naturais nunca se apresentam aos sentidos; e não é razoável concluir, unicamente porque um acontecimento precede outro num único caso, que um seja a causa e o outro o efeito. A sua formação pode ser arbitrária e acidental. Não existe razão para se inferir a existência de um pela aparição do outro. Numa palavra, aquele homem, sem mais experiência, nunca faria conjecturas ou raciocínios sobre qualquer questão de facto; só estaria certo do que está imediatamente presente na sua memória e nos seus sentidos.

Suponha-se ainda que este homem tenha adquirido mais experiência e que tenha vivido por muito tempo no mundo para que tenha observado a conjugação constante de objectos e de acontecimentos familiares; que resulta dessa experiência? Ele imediatamente infere a existência de um dos objectos pela aparição do outro. Todavia, ele não adquiriu, com toda sua experiência, nenhuma ideia, nenhum conhecimento do poder oculto pelo qual um dos objectos produz o outro; e não é por nenhum progresso de raciocínio que ele é obrigado a chegar a esta conclusão. Mas ele sempre se acha determinado a tirá-la; e, mesmo que o convencêssemos que o seu entendimento de modo algum participa na operação, ele continuaria a ter o mesmo pensamento. Existe um outro princípio que o determina a estabelecer tal conclusão.
Esse princípio é o hábito ou costume. Pois, todas a vezes que a repetição de uma operação ou de um acto particular produz uma tendência no sentido de renovar o mesmo acto ou a mesma operação sem o impulso de qualquer raciocínio ou processo do entendimento, dizemos sempre que essa tendência é o efeito do costume. Ao empregar esta palavra não pretendemos ter dado a razão última de tal tendência. Apenas designamos um princípio de natureza humana, universalmente reconhecido e bem conhecido pelos seus efeitos."

David Hume




                                        Lola

David Hume





David Hume
A Causalidade


«Em que consiste a nossa ideia de necessidade quando dizemos que dois objectos estão necessariamente ligados entre si? A este respeito repetirei o que muitas vezes disse: como não temos ideia alguma que não derive de uma impressão se afirmarmos ter a ideia de ligação necessária (ou causal) deveremos encontrar alguma impressão que esteja na origem desta ideia. Para isso, ponho-me a considerar o objecto em que comummente se supõe que a necessidade se encontra. E como vejo que esta se atribui sempre a causas e efeitos, dirijo a minha atenção para dois objectos supostamente colocados em tal relação (causa-efeito) e examino-os em todas as situações possíveis. Apercebo-me de imediato que são contíguos em termos de tempo e lugar e que o objecto denominando causa precede o outro, a que chamamos efeito. Não existe um só caso em que possa ir mais longe, não me é possível descobrir uma terceira relação entre esses objectos.
Suponhamos que uma pessoa, embora dotada das mais fortes faculdades de razão e reflexão, é trazida subitamente para este mundo; observaria, de facto, imediatamente uma contínua sucessão de objectos e um acontecimento sucedendo-se a outro, mas nada mais seria capaz de descobrir. Não conseguiria, a princípio, mediante qualquer raciocínio, alcançar a ideia de causa e efeito, visto que os poderes particulares pelos quais todas as operações da natureza são executadas, nunca aparecem aos sentidos; nem é justo concluir, unicamente porque um evento, num caso, precede outro, que o primeiro é, por isso, a causa e o segundo o efeito. A sua conjunção pode ser arbitrária e casual. Pode não haver motivo para inferir um a partir do aparecimento do outro. E, numa palavra, tal pessoa, sem mais experiência, nunca poderia utilizar a sua conjectura ou raciocínio acerca de qualquer questão de facto ou certificar-se de alguma coisa para além do que está imediatamente presente à memória e aos seus sentidos.
Suponhamos, de novo, que ela adquiriu mais experiência e viveu durante tanto tempo no mundo que observou que objectos ou eventos familiares se combinam constantemente; qual é a consequência desta experiência? Imediatamente infere a existência de um objecto a partir do outro. Apesar de tudo, não adquiriu, mediante toda a sua experiência, ideia ou conhecimento algum do poder secreto pelo qual um objecto produz outro, nem é induzida, por processo algum de raciocínio, a tirar essa inferência; mas, apesar de tudo, vê-se levada a tirá-la e, embora deva estar convencida de que o seu entendimento não participa da operação, continua, no entanto, no mesmo rumo de pensamento. Existe algum outro princípio que a leva a formar tal conclusão.
Este princípio é o costume ou hábito, pois, onde quer que a repetição de qualquer acto ou particular manifeste uma propensão para renovar o mesmo acto ou operação, sem ser impulsionado por raciocínio ou processo algum do entendimento, dizemos sempre que essa propensão é o efeito do costume.»

Hume, D., Investigação sobre o Entendimento Humano,
 Lisboa, Edições 70, 1989, pp. 46-47.



                                            Lola

domingo, 6 de março de 2016

David Hume





David Hume 
 A causalidade


"Em que consiste a nossa ideia de necessidade quando dizemos que dois objectos estão necessariamente ligados entre si? 
A este respeito repetirei o que muitas vezes disse: como não temos ideia alguma que não derive de uma impressão se afirmarmos ter a ideia de ligação necessária (ou causal) deveremos encontrar alguma impressão que esteja na origem desta ideia. Para isso, ponho-me a considerar o objecto em que comummente se supõe que a necessidade se encontra. E como vejo que esta se atribui sempre a causas e efeitos, dirijo a minha atenção para dois objectos supostamente colocados em tal relação (causa-efeito) e examino-os em todas as situações possíveis. Apercebo-me de imediato que são contíguos em termos de tempo e lugar e que o objecto denominando causa precede o outro, a que chamamos efeito. Não existe um só caso em que possa ir mais longe, não me é possível descobrir uma terceira relação entre esses objectos.

Suponhamos que uma pessoa, embora dotada das mais fortes faculdades de razão e reflexão, é trazida subitamente para este mundo; observaria, de facto, imediatamente uma contínua sucessão de objectos e um acontecimento sucedendo-se a outro, mas nada mais seria capaz de descobrir. Não conseguiria, a princípio, mediante qualquer raciocínio, alcançar a ideia de causa e efeito, visto que os poderes particulares pelos quais todas as operações da natureza são executadas, nunca aparecem aos sentidos; nem é justo concluir, unicamente porque um evento, num caso, precede outro, que o primeiro é, por isso, a causa e o segundo o efeito. A sua conjunção pode ser arbitrária e casual. Pode não haver motivo para inferir um a partir do aparecimento do outro. E, numa palavra, tal pessoa, sem mais experiência, nunca poderia utilizar a sua conjectura ou raciocínio acerca de qualquer questão de facto ou certificar-se de alguma coisa para além do que está imediatamente presente à memória e aos seus sentidos.

Suponhamos, de novo, que ela adquiriu mais experiência e viveu durante tanto tempo no mundo que observou que objectos ou eventos familiares se combinam constantemente; qual é a consequência desta experiência? Imediatamente infere a existência de um objecto a partir do outro. Apesar de tudo, não adquiriu, mediante toda a sua experiência, ideia ou conhecimento algum do poder secreto pelo qual um objecto produz outro, nem é induzida, por processo algum de raciocínio, a tirar essa inferência; mas, apesar de tudo, vê-se levada a tirá-la e, embora deva estar convencida de que o seu entendimento não participa da operação, continua, no entanto, no mesmo rumo de pensamento. 
Existe algum outro princípio que a leva a formar tal conclusão.
Este princípio é o costume ou hábito, pois, onde quer que a repetição de qualquer acto ou particular manifeste uma propensão para renovar o mesmo acto ou operação, sem ser impulsionado por raciocínio ou processo algum do entendimento, dizemos sempre que essa propensão é o efeito do costume."

David Hume, 
Investigação sobre o Entendimento Humano, 

  •   De que ideia aborda David Hume neste texto?
  •   Em que consiste essa ideia?
  •  Qual a sua origem?
  •  Porquê?
  •  Para David Hume qual a origem de todas as ideias?
  •  Explique o principio do costume ou habito.

“Hume conclui que a crença na realidade de conexões causais não tem justificação racional, dado que apenas observamos conjunções constantes. Contudo, há ainda algo que carece de explicação: as próprias conjunções constantes que observamos na natureza. Como explicar tal coisa? A resposta mais plausível é que as conjunções constantes ocorrem precisamente porque há conexões causais na natureza. (…)

A nossa crença na realidade das conexões causais (…) e do mundo exterior está racionalmente justificada, apesar de não haver uma demonstração lógica irrefutável a seu favor [pois é uma explicação plausível e melhor que as explicações alternativas].”

                                                                                                                          Aires Almeida


Lola

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

David Hume



David Hume 

A  conexão necessária


"Quando olhamos para os objetos exteriores à nossa volta e consideramos a operação das causas, nunca somos capazes de identificar, num caso singular, qualquer poder ou conexão necessária, qualquer qualidade que ligue o efeito à causa e torne o primeiro uma consequência infalível da segunda.

O impulso da primeira bola de bilhar é seguido pelo movimento da segunda, e isso é tudo ao que é dado aos nossos sentidos externos. O espírito não sente qualquer impressão ou sentimento interno devido a uma sucessão de objetos. Em consequência, em nenhum caso singular, particular, de causa e efeito, há alguma coisa capaz de sugerir a ideia de poder ou de conexão necessária.


Parece então que esta ideia de conexão necessária entre eventos surge de uma multiplicidade de casos similares de conjunção constante entre esses eventos, e esta ideia nunca pode ser sugerida por qualquer desses casos singulares (…). Mas numa multiplicidade de casos nada há que seja diferente de cada um dos casos individuais que se supõe serem exactamente similares, a não ser que, depois da repetição de casos similares, a mente é levada pelo hábito, quando aparece um dos eventos, a esperar o seu acompanhante usual e a acreditar que ele vai ocorrer.

 Portanto esta conexão que sentimos na mente, esta transição costumeira de um objeto para o seu acompanhante habitual, é o sentimento ou impressão a partir do qual formamos a ideia de conexão necessária".



                 
                                                                 David Hume, 
Investigação sobre o Entendimento Humano



 Lola

David Hume



David Hume
 O empirismo céptico


Qual o origem do conhecimento?

O entendimento humano é limitado para conhecer;
Não há fundamento metafisico do conhecimento;
O conhecimento tem origem na experiência - valoriza o objecto a conhecer;
Crenças e ideias vêm da experiência, até as ideias mais complexas;

Da realidade o homem tem percepções - as mais importantes são as impressões;

Impressões são: Sensações, emoções, amor, ódio, revolta, paixão e desejo;
As impressões representam-se em ideias ou pensamentos;
As ideias derivam das impressões;
Não há ideias sem impressões previas:

Ex: A cor do carro que vemos é uma impressão (sensorial);
A memória da cor do carro é uma ideia (deriva da impressão)


O que temos na mente?

Temos Impressões e ideias
As impressões distinguem-se das ideias pelo grau de força e de vivacidade com que as apreendemos. 
As impressões são mais fortes e violentas do que as ideias. 
Por "impressões", Hume entende as sensações, as emoções e as paixões, como quando vemos, ouvimos, desejamos, queremos, amamos, ou odiamos. 
As ideias têm menos força e vivacidade que as respetivas impressões. 
A diferença entre impressões e ideias basta comparar a impressão visual que temos, por exemplo, da nossa casa com a ideia que formamos dela quando não está presente aos nossos sentidos. 
A ideia da nossa casa é mais fraca, menos viva, do que a impressão. 
Passa-se o mesmo com todas as impressões e ideias. 
Para distinguir   duas percepções, basta comparar os respetivos graus de força e de vivacidade para sabermos qual é a impressão e qual é a ideia.
 As percepções mais fortes e mais vivas são impressões; as outras são ideias.

Quais os elementos do conhecimento?

Para David Hume há dois elementos do conhecimento: impressões e ideias;
Todo o conhecimento deriva da experiência e não de um fundamento metafisico como defendia Descartes;

Como se distingue uma ideia verdadeira de uma ficção?

Pela existência ou não de uma impressão.
Não há ideias abstractas mas sim particulares com as quais relacionamos outras semelhantes através do hábito.


Que tipos ou modos de conhecimento defende David Hume?

Hume defende dois tipos de conhecimento: 

A- Relações de ideias

Está presente na ciência como geometria, álgebra e matemática
Todos os conhecimentos da lógica e da matemática apresentam-se como evidentes, analíticos, necessários e baseiam-se no principio da não contradição.


B- Questões de facto:

Não são objecto da razão humana;
Não têm a mesma natureza da relação de ideias;
Não se baseiam no principio da não contradição;
Justificam-se pela experiência sensível que fornece impressões;
São proposições contingentes, pois é sempre possível afirmar o principio de um facto.


O que distingue as Impressões e ideias simples das complexas?

David Hume divide também as impressões e as ideias em simples e complexas. 
As impressões e as ideias simples são indivisíveis, isto é, não podem ser decompostas em mais simples e são, por isso, as unidades cognitivas mais básicas com que a mente trabalha. 
As ideias e as impressões complexas, pelo contrário, podem ser decompostas em impressões e em ideias simples. 
Ex:  a impressão e a ideia de Serra da Freita ou de neve são complexas, uma vez que podem ser decompostas num conjunto de impressões e de ideias simples, 
A  impressão e a ideia de vermelho são simples porque não podem ser decompostas em outras mais simples.


Como se associam as ideias?

David Hume  defende que existem princípios que regulam a forma como as nossas ideias se associam  entre si. Estes princípios são três: 

Semelhança:  Ex. Uma pintura e o original

Contiguidade no tempo e no espaço: Ex. Uma mesa de sala de aula lembra-nos as outras da mesma sala.


Relação de causa e efeito: Ex. uma queda leva à dor.


David Hume e o principio da causalidade

 " Se afirmamos ter a ideia de ligação necessária deveremos encontrar alguma impressão que esteja na origem desta ideia."

D. Hume, 
Ensaio sobre o Entendimento Humano.


Para Hume, como para os outros filósofos a ideia de causalidade está associada à ideia de conexão necessária.
As relações causais estabelecem relações de necessidade entre a causa e o seu efeito, de tal modo que quando a causa ocorre o efeito tem de seguir-se.
Ex. O apito do arbitro e o fim do jogo.
Prevemos que isto vai acontecer em situações futuras;
O principio da causalidade é o fundamento de toda a investigação cientifica.

O que nos diz o principio da causalidade?

Há uma ligação ou conexão necessária entre dois fenomenos: ocorrendo A (causa), podemos prever ou antecipar B (efeito);
Ex: O aumento da temperatura (A) origina a dilatação dos corpos (B);
David Hume faz uma analise detallhada do principio da causalidade e apresenta uma teoria do conhecimento:
  • Todas as nossas ideias derivam de impressões sensiveis;
  • Sem impressão sensível não há conhecimento;
  • Haverá impressão sensível da ideia de conexão necessária?



Como poderemos conhecer  as conexões necessárias entre diferentes acontecimentos?

Há duas resposta possíveis a esta questão: pela razão, isto é, a priori, ou pela experiência. 

"Atrever-me-ei a afirmar, a título de proposta geral que não admite exceções, que o conhecimento dessa relação em nenhum caso é alcançado por meio de raciocínios a priori, mas deriva inteiramente da experiência, ao descobrimos que certos objetos particulares se acham constantemente conjugados entre si."

David Hume,
Investigação sobre o Entendimento Humano, p. 43.


 Não podemos dizer que tenhamos conhecimento a priori da causa de um acontecimento, ou de um facto.
Embora tendo consciência da importância que o princípio de causalidade teve na história da humanidade, Hume vai submetê-la a uma crítica rigorosa.
Segundo David Hume, o nosso conhecimento dos factos restringe-se às impressões actuais e às recordações de impressões passadas.
Se não dispomos de impressões relativas ao que acontecerá no futuro, também não possuímos o conhecimento dos factos futuros.
Não podemos dizer o que acontece no futuro porque um facto futuro ainda não aconteceu.
 Há muitos factos que esperamos que se verifiquem no futuro. 
Por exemplo, esperamos que um papel se queime sempre que  o atirarmos ao fogo.
Esta certeza que julgamos ter (que o papel se queima), tem por base a noção de causa (nós realizamos uma inferência causal), ou seja, atribuímos ao fogo a causa de o papel se queimar.

Poderemos conhecer a ideia de causalidade ou conexão necessária?

 Segundo Hume, não dispomos de qualquer impressão da ideia de causalidade  ou conexão necessária entre os fenómenos.
Só a partir da experiência é que se pode conhecer a relação entre a causa e o efeito.
É um conhecimento a posteriori e não à priori;
Para o autor escocês, não se pode ultrapassar o que a experiência nos permite.
A experiência é, pois, a única fonte de validade dos conhecimentos de factos. 
Só podemos ter um conhecimento a posteriori.
A única coisa que sabemos é que entre dois fenómenos se verificou, no passado, uma sucessão constante, ou seja, que a seguir a um determinado facto ocorreu sempre um mesmo facto.
Sobre o conhecimento de factos futuros possuímos uma crença, uma proposição, uma probabilidade baseados no hábito ou costume.




Qual o papel do hábito?

 O hábito que nos leva a inferir uma relação de causa e efeito entre dois fenómenos.

Se no passado ocorreu sempre um determinado facto a seguir a outro, então nós esperamos que no presente e no futuro também ocorra assim.

O hábito e o costume permitem-nos partir de experiências passadas e presentes em direcção ao futuro.

 O nosso conhecimento de factos futuros não é um conhecimento rigoroso, é apenas uma convicção que se baseia num princípio psicológico: o hábito.

O hábito é, no entanto, um guia importante na vida prática e no dia-a-dia.
Porque ainda não vivemos o futuro, o hábito permite-nos esperar o que poderá acontecer e leva-nos a ter prudência e cuidado ou boas expectativas.
Como seres humanos, temos vontade, criando a ideia de que o futuro seja previsível e, portanto, controlável.




Cepticismo Moderado

David Hume é considerado um céptico moderado porque defende que o conhecimento dos factos – presentes e passados – é possível. Quando afirma que não possuímos nenhuma faculdade que nos permita conhecer factos futuros defende que a nossa razão é incapaz de formular leis da natureza de que é exemplo a “lei de causalidade”.



A quem interessar:



in http://www.the-philosophy.com/hume-impressions-ideas







                                                Lola
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