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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Conhecimento a priori e a posteriori





Conhecimento a priori e a posteriori

Retire um livro retangular da sua estante e olhe para a capa. Qual é a cor predominante, e quantos lados tem? Ao responder a estas questões, o leitor fica a saber duas coisas acerca deste livro, e esses dois factos mostram uma importante distinção entre duas maneiras que temos de adquirir conhecimento.
Para ficarmos a saber a cor do livro temos que observá-lo (ou pedir a alguém que o faça por nós). A justificação para a sua crença acerca da sua cor é fornecida pela experiência (nossa ou de outrem). Mas não precisamos de olhar para um livro rectangular para sabermos quantos lados tem. Sabemos que os rectângulos têm quatro lados pelo simples facto de pensarmos o que é um rectângulo. Adquirimos este conhecimento usando apenas os nossas poderes de raciocínio; não temos de considerar a informação dada pelos nossos sentidos. 
O conhecimento que é justificado pela experiência é denominado conhecimento a posteriori ou conhecimento empírico. O conhecimento em que a experiência não tem um papel justificatório é denominado conhecimento a priori.



                                                                 Dan O'Brien,
 Introdução à Teoria do Conhecimento



                                                Lola

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Conhecimento a priori e a posteriori




Conhecimento a priori e a posteriori


Quando pensamos na multiplicidade de juízos que formulamos, podemos constatar que nem todos têm a mesma origem. 

São juízos a priori aqueles juízos cuja verdade é passível de ser conhecida independentemente de qualquer experiência, tendo, portanto, origem no pensamento ou na razão. Estes juízos são universais – no sentido em que não admitem qualquer exceção, sendo verdadeiros sempre e em toda a parte – e necessários – são verdadeiros em quaisquer circunstâncias, e nega-los implicaria entrar em contradição.

Juízos a posteriori são aqueles juízos cuja verdade só pode ser conhecida através da experiência, dos sentidos. Estes juízos não são estritamente universais – porque admitem exceções, podendo não ser verdadeiros sempre e em toda a parte – e, não sendo necessários, são contingentes – são verdadeiros, mas poderiam ser falsos, e nega-los não implica entrar em contradição.

O conhecimento à priori é baseado em juízos a priori, tem a sua fonte ou origem apenas na razão – por exemplo, Todos os corpos são extensos, A = A, 2+2= 4: não é necessário recorrer à experiência para o saber, é suficiente pensar no assunto. O conhecimento a posteriori é baseado em juízos a posteriori, tem a sua origem na experiência, é o conhecimento empírico – por exemplo, O Sol brilha, A chuva molha, Todos os corpos são pesados.

Se afirmamos que o todo é maior do que as suas partes (juízo a priori), não estamos a dizer nada que já não esteja implícito no conceito de todo, enquanto que se dissermos que a cadeira é azul (juízo a posteriori), estamos a afirmar que algo que não está implícito no conceito de cadeira (esta pode ter qualquer cor). 

Nesse caso, será que os juízos a priori nos permitem aumentar o nosso conhecimento?

Kant dividiu os juízos em analíticos e sintéticos. 

Os juízos analíticos são aqueles cujo predicado está incluído no sujeito, encontrando-se pela simples análise e explicação deste. Por exemplo, em relação ao juízo O todo é mais do que as suas partes, no conceito de todo já está implícito o predicado maior do que todas as suas partes, pelo que estes juízos não contribuem para aumentar o nosso conhecimento.

Os juízos sintéticos são aqueles cujo predicado não está contido no conceito do sujeito: por exemplo, Os habitantes da cidade x são morenos. Para sabermos que os habitantes da cidade x são morenos, precisamos de algo mais do que o simples conceito de habitantes da cidade x. É necessário recorrer à observação, à experiência, para constatarmos que os habitantes da cidade x são, de facto, morenos. Como tal, ao contrário dos anteriores, estes juízos ampliam o nosso conhecimento.

Os juízos analíticos são juízos a priori, os juízos sintéticos são juízos a posteriori e a priori. 

Mas Kant considera que também existem juízos sintéticos a priori. Trata-se de juízos anteriores à experiência, tendo uma origem racional, mas que aumentam o nosso conhecimento, uma vez que o predicado não está implícito no sujeito, são juízos universais e necessários; todos os juízos da matemática.








                                                Lola
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