quarta-feira, 16 de julho de 2025

Exame Filosofia 2025

 


 






Exame Final Nacional de Filosofia

Prova 714 | 1.ª Fase | Ensino Secundário | 2025

11.º Ano de Escolaridade

Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho | Decreto-Lei n.º 62/2023, de 25 de julho

 

Duração da Prova: 120 minutos. | Tolerância: 30 minutos.                                                  7 Páginas

 

VERSÃO 1


Assinale a versão da prova.

Não é permitido dobrar as folhas de respostas.

Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.

Não é permitido o uso de corretor. Risque aquilo que pretende que não seja classificado.

Apresente apenas uma resposta para cada item. Se o espaço reservado não for suficiente, pode utilizar as três últimas páginas, identificando claramente o item a que se refere a resposta.

Se for necessário, pode ainda solicitar outra folha de respostas, identificando claramente o item a que se

refere a resposta.

 é permitido escrever nos locais reservados para o efeito.

 é permitido assinalar opções nos locais reservados para o efeito.

Assinale a opção correta, preenchendo totalmente o círculo.

As cotações dos itens encontram-se no final do enunciado da prova.



1. Considere as afirmações seguintes e selecione a opção correta.


I   ‒ Todos os argumentos válidos têm conclusão verdadeira.

II  ‒ Todos os argumentos sólidos são válidos.

 

(A)   A afirmação I é verdadeira, e a II é falsa.

(B)   A afirmação I é falsa, e a II é verdadeira.

(C)   Ambas as afirmações são verdadeiras.

(D)   Ambas as afirmações são falsas.

 

2.   Considere o diálogo seguinte.

 

Ana  A Sofia não está em casa, pois não tem o carro estacionado à porta.

Rui  Parece-me que não conseguiremos visitá-la hoje.

Ana  Também me parece. Se a Sofia estivesse em casa, teria o carro estacionado à porta.

Talvez tenha ido ao médico.

 

Indique qual das opções seguintes apresenta a reconstituição do argumento válido presente no diálogo anterior.

 

 (A)   Se a Sofia está em casa, então tem o carro estacionado à porta. A Sofia não está em casa. Logo, não tem o carro estacionado à porta.

(B)   Se a Sofia não está em casa, então talvez tenha ido ao médico. Logo, não conseguiremos visitá-la hoje.

(C)   Se a Sofia está em casa, então tem o carro estacionado à porta. A Sofia não tem o carro estacionado à porta. Logo, não está em casa.

(D)   Se a Sofia não está em casa, então não conseguiremos visitá-la hoje. Logo, talvez tenha ido ao médico.


 

3.   Quem nega que alguns limites à liberdade de expressão sejam legítimos tem de admitir que

 

(A)   certos limites à liberdade de expressão são legítimos.

(B)   nenhum limite à liberdade de expressão é legítimo.

(C)   qualquer limite à liberdade de expressão é legítimo.

(D)   muitos limites à liberdade de expressão não são legítimos.


4.   Considere a frase seguinte.

 

Nem a Maria nem o Manuel gostam de acampar.

Esta frase exprime uma proposição:

 

(A)   simples, pois não contém conectivas.

(B)   simples, pois apenas contém negações.

(C)   complexa, pois contém uma conjunção.

(D)   complexa, pois contém uma disjunção.

 

 

5.   Leia o texto seguinte.

 

Embora admitindo que o comportamento humano é efetivamente determinado pelas leis da Natureza, parece igualmente razoável concluir que o resultado é determinado de uma forma de tal maneira complexa e envolvendo tantas variáveis que, na prática, se torna impossível prevê-lo. […]

Dado que é impraticável utilizar leis físicas fundamentais para prever o comportamento humano, nós adotamos aquilo a que se chama uma teoria efetiva. Em física, uma teoria efetiva é um quadro criado para modelar certos fenómenos observados, sem descrever em pormenor todos os processos subjacentes. […] No caso das pessoas, uma vez que não conseguimos resolver as equações que determinam o nosso comportamento, recorremos à teoria efetiva de que as pessoas têm livre-arbítrio.

S. Hawking e L. Mlodinow, O Grande Desígnio, 

Lisboa, Gradiva, 2011, pp. 37-38.

 

 

5.1.   É razoável inferir do texto que

 

(A)   conhecemos as variáveis que limitam o livre-arbítrio.

(B)a teoria efetiva do livre-arbítrio descreve rigorosamente o comportamento

humano.

(C)   explicamos o livre-arbítrio recorrendo às leis da física.

(D)   a tese de que  livre-arbítrio é justificável pelas limitações do nosso

 conhecimento.

 


Uma das teses apresentadas no texto é a de que «o comportamento humano é efetivamente determinado pelas leis da Natureza».

Esta tese pode ser defendida

 

(A)   por um determinista radical e por um determinista moderado.

(B)   por um determinista radical, mas não por um determinista moderado.

(C)   por um libertista e por um determinista.

(D)   por um libertista, mas não por um determinista.



De acordo com Hume, o nosso conhecimento do mundo é apenas acerca de

 

(A)   questões de facto.

(B)   relações de ideias.

(C)   proposições demonstráveis.

(D)   verdades indubitáveis.

 

 


Segundo Kuhn, a história da ciência mostra que a escolha individual entre teorias científicas rivais depende de uma mistura de critérios objetivos e de fatores subjetivos.

Alguns dos critérios objetivos referidos por Kuhn são:

 

(A)   a veracidade, a objetividade e a simplicidade.

(B)   a objetividade, a simplicidade e a consistência.

(C)   a fecundidade, a veracidade e a exatidão.

(D)   a exatidão, a consistência e a fecundidade.

 

 

8.   Considere o texto seguinte.

 

Podemos dizer que todas as atividades [científicas] implicam curiosidade sobre um determinado aspeto do mundo […] e o desejo de saber mais, de alcançar um entendimento mais profundo.

[…] E quanto aos adeptos da teoria da conspiração segundo a qual a Terra é plana? Não serão eles tão curiosos quanto os cientistas, ávidos de provas racionais que justifiquem a sua crença? A resposta está em que, ao contrário dos cientistas, […] os adeptos da teoria da conspiração terraplanista não estariam preparados para rejeitar a sua teoria se fossem confrontados com provas irrefutáveis da sua falsidade, como é o caso das imagens espaciais da NASA que mostram a curvatura do nosso planeta. Claramente, ser-se apenas curioso em relação ao mundo não significa que se pense de forma científica.

Jim Al Khalili, O Prazer da Ciência, Lisboa, Temas e Debates, 

2024, p. 23. (Texto adaptado)

 

8.1.   O problema abordado no texto é o da

 

(A)   objetividade da ciência.

(B)   demarcação.

(C)   indução.

(D)   evolução da ciência.

 

8.2.   De acordo com o texto, pensar de forma científica implica aceitar que as teorias propostas sejam

 

(A)   falsificáveis.

(B)   verificáveis.

(C)   confirmáveis.

(D)   incomensuráveis.


9.   Considere o texto seguinte.

 

[Segundo] Rawls, […] respeitar as pessoas como seres livres e independentes requer […] uma estrutura de direitos e de outros bens que compense a arbitrariedade da sorte. […]

[Segundo] Nozick, […] respeitar os direitos significa negar ao Estado qualquer papel na redistribuição do rendimento e da riqueza. A justa distribuição é a que resultar, seja ela qual for, das trocas voluntárias que acontecem numa economia de mercado. […]

Apesar das suas diferenças relativas à justiça distributiva, Nozick e Rawls concordavam em que os direitos individuais prevalecem sobre as considerações utilitaristas e que o governo deve ser neutro em relação aos fins, no intuito de respeitar a capacidade das pessoas de escolherem os seus valores e de buscarem os seus próprios fins.

M. Sandel, O Descontentamento da Democracia, Lisboa, 

Presença, 2023, p. 191. (Texto adaptado)

 

 


Os princípios de justiça que, segundo Rawls, permitem que as desigualdades decorrentes da «arbitrariedade da sorte» sejam compensadas são o princípio da igualdade equitativa de oportunidades e o princípio da diferença.

Apresente estes dois princípios.

Compare, a partir do texto, a posição de Rawls com a de Nozick acerca do utilitarismo.

 

Considere o texto seguinte.

 

Discernimento, […] capacidade de julgar, […] coragem, decisão […] são, sem dúvida, e a muitos respeitos, coisas desejáveis; mas também podem tornar-se extremamente más e prejudiciais se a vontade […] não for boa. […]

A boa vontade não é boa por aquilo que promove ou realiza, pela aptidão para alcançar qualquer finalidade proposta, mas tão somente pelo querer, isto é, em si mesma, e, considerada em si mesma, deve ser avaliada em grau muito mais alto do que tudo o que por seu 

intermédio possa ser alcançado em proveito de qualquer inclinação […]. [A boa vontade] tem em si mesma o seu pleno valor. A utilidade ou a inutilidade nada podem acrescentar ou tirar a esse valor. […]

Esta vontade não será o único bem nem o bem total, mas terá de ser, contudo, o bem supremo.

               Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Lisboa, 

Edições 70, 2009, pp. 21-23, 26. (Texto adaptado)

 

Que justificação apresenta Kant para que a boa vontade seja o bem supremo?

Na sua resposta, integre adequadamente informação do texto.



Considere o caso seguinte.

 

Numa região densamente povoada de um certo país, devido às secas frequentes, o abastecimento de água é insuficiente. Isto limita o crescimento da economia e do emprego nessa região. Uma maneira de aumentar o abastecimento de água é construir uma barragem num rio de outra região  montanhosa e com poucos habitantes  e armazenar água na albufeira. Os habitantes das áreas que ficarão submersas após a construção da barragem opõem-se ao projeto. Afirmam que tanto o seu modo de vida, que sempre esteve ligado ao rio, como o seu território serão destruídos. Não aceitam que o seu sacrifício seja justificado pelo aumento do abastecimento de água a pessoas que vivem longe dali.

Na sua opinião, qual é a decisão eticamente correta? Não construir a barragem ou construí-la?

 Na sua resposta, deve:

 apresentar inequivocamente a sua posição;

 argumentar a favor da sua posição.

 

 


Leia o texto seguinte.

 

As reações emocionais à arte abstrata são muito duvidosas, principalmente porque não parecem estar aqui [na arte abstrata] disponíveis as estratégias que, no caso da arte representacional, proporcionam explicações óbvias da razão por que reagimos emocionalmente e daquilo a que reagimos. Um romance, um filme ou uma paisagem impressionista dão-me a imagem de um mundo humano, com cujos elementos me posso identificar ou dos quais me posso compadecer, aos quais posso reagir compassivamente ou com aversão, ou os quais posso até espelhar impensadamente, por um tipo de contágio natural. No entanto, tratando-se de uma [peça de música puramente instrumental], uma escultura minimalista ou uma pintura [...] abstrata, essas explicações parecem não ter qualquer poder.

J. Levinson, Investigações Estéticas  Ensaios de filosofia da arte, 

Porto, Ed. Afrontamento, 2020, pp. 51-52. (Texto adaptado)

 

No texto, pode ser encontrada uma crítica à teoria da arte como expressão. Na sua opinião, tal crítica põe em causa a teoria da arte como expressão?

Na sua resposta, deve

-    explicitar a crítica em causa;

-    apresentar inequivocamente a sua posição;

-    argumentar a favor da sua posição.

 

 

Há diferentes conceções da divindade. Certas religiões, por exemplo, admitem a existência de deuses um ou mais  com algumas características semelhantes às humanas, 

incluindo defeitos.

É razoável afirmar que a existência do mal é compatível com a existência de tais deuses. Porquê?

Na sua resposta, comece por explicar o problema do mal.


Considere as duas perguntas seguintes.

I   ‒ Será que a criminalidade violenta é menor nos países em que  pena de 

morte?

II  ‒ Será que deve haver pena de morte?

 

As perguntas anteriores exprimem problemas filosóficos? Justifique.


O desafio cético tem merecido a atenção dos filósofos e levanta um problema para o qual são apresentadas respostas muito diferentes, como as de Descartes e de Hume.

Na sua opinião, será possível superar o desafio cético?

Na sua resposta, deve

-    clarificar o problema levantado no desafio cético;

-    apresentar inequivocamente a sua posição;

-    argumentar a favor da sua posição

 

FIM

 

COTAÇÕES

 

As pontuações obtidas nas respostas a estes

12 itens da prova contribuem obrigatoriamente para

a classificação final.

 

 

1.

 

 

5.2.

 

 

6.

 

 

7.

 

 

9.1.

 

 

9.2.

 

 

10.

 

 

11.

 

 

12.

 

 

13.

 

 

14.

 

 

15.

 

 

Subtotal

Cotação (em pontos)

11

11

11

11

14

14

14

14

14

14

14

14

156

Destes 6 itens, contribuem

para a classificação final da prova os 4 itens cujas respostas obtenham melhor pontuação.

 

 

2.

 

 

3.

 

 

4.

 

 

5.1.

 

 

8.1.

 

 

8.2.

 

 

Subtotal

Cotação (em pontos)

4 × 11 pontos

44

TOTAL

200


 

 

CRITÉRIO GERAIS e ESPECÍFICOS DE 

CLASSIFICAÇÃO


Exame Final Nacional de Filosofia

Prova 714 | 1.ª Fase | Ensino Secundário | 2025

11.º Ano de Escolaridade

Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho | Decreto-Lei n.º 62/2023, de 25 de julho

Critérios de Classificação                  14 Páginas


CRITÉRIOS GERAIS DE CLASSIFICAÇÃO

A classificação a atribuir a cada resposta resulta da aplicação dos critérios gerais e dos critérios específicos apresentados para cada item e é expressa por um número inteiro.

A ausência de indicação inequívoca da versão da prova implica a classificação com zero pontos das respostas aos itens de escolha múltipla.

As respostas ilegíveis ou que não possam ser claramente identificadas são classificadas com zero pontos.

Em caso de omissão ou de engano na identificação de uma resposta, esta pode ser classificada se for possível identificar inequivocamente o item a que diz respeito.

Se for apresentada mais do que uma resposta ao mesmo item, só é classificada a resposta que surgir em primeiro lugar.

 

 

ITENS DE SELEÇÃO

Nos itens de escolha múltipla, a pontuação  é atribuída às respostas que apresentem de forma inequívoca a opção correta. Todas as outras respostas são classificadas com zero pontos.

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, a transcrição do texto da opção escolhida é considerada equivalente à indicação da letra correspondente.

 

ITENS DE CONSTRUÇÃO

Nos itens de resposta restrita e nos itens de resposta extensa, os critérios de classificação podem apresentar-se organizados apenas por níveis de desempenho ou por parâmetros com os respetivos níveis de desempenho.

A cada nível de desempenho corresponde uma dada pontuação. Se permanecerem dúvidas quanto ao nível a atribuir, deve optar-se pelo nível mais elevado de entre os dois tidos em consideração. Qualquer resposta que não atinja o nível 1 de desempenho é classificada com zero pontos.

 

Nos itens cujos critérios de classificação se apresentam organizados por parâmetros com os respetivos níveis de desempenho, a classificação a atribuir à resposta resulta da soma das pontuações atribuídas aos diferentes parâmetros.

Os itens que requerem competências de problematização e de argumentação ou apenas de argumentação podem incluir o parâmetro Comunicação. A resposta é classificada com zero pontos neste parâmetro se não for atingido o nível 1 de desempenho em, pelo menos, um dos outros parâmetros.

As respostas que não apresentem os termos ou as interpretações constantes nos critérios específicos são classificadas em igualdade de circunstâncias com aquelas que os apresentem, desde que o seu conteúdo seja cientificamente válido, adequado ao solicitado e enquadrado pelos documentos curriculares de referência.


CRITÉRIOS ESPECÍFICOS DE CLASSIFICAÇÃO


Item

Versão 1

Pontuação

1.

(B)

11

2.

(C)

11

3.

(B)

11

4.

(C)

11

5.1.

(D)

11

5.2.

(A)

11

6.

(A)

11

7.

(D)

11

8.1.

(B)

11

8.2.

(A)

11

 

9.1.   14 pontos

A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes.

Apresentação dos princípios de justiça que, segundo Rawls, permitem que as desigualdades decorrentes da «arbitrariedade da sorte» sejam compensadas:

 

-    de acordo com o princípio da igualdade equitativa de oportunidades, as desigualdades sociais e económicas decorrentes do exercício de certos cargos e funções são permissíveis na medida em que tais cargos e funções sejam acessíveis a todos em condições de igualdade equitativa (por exemplo, compensando com oportunidades adequadas de educação os que nasceram em posições menos favorecidas);

-    de acordo com o princípio da diferença, as desigualdades sociais e económicas são permissíveis na medida em que beneficiem maximamente os membros menos favorecidos da sociedade.

 

Nível

Descritor de desempenho

Pontuação

4

Apresenta, de modo completo e preciso, os dois princípios.

14

 

 

3

Apresenta, de modo completo, mas com imprecisões 

OU 

de modo preciso, mas incompleto, os dois princípios.

OU

Apresenta, de modo completo e preciso, um dos princípios e apresenta, de modo incompleto e com imprecisões, o outro princípio.

 

 

11

 

2

Apresenta, de modo incompleto e com imprecisões, os dois princípios.

OU

Apresenta, de modo completo e preciso, apenas um dos princípios.

 

8

1

Apresenta, de modo completo, mas com imprecisões 

OU 

de modo preciso, mas incompleto, apenas um dos princípios.

4


9.2.   14 pontos

A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes.

Comparação, a partir do texto, da posição de Rawls com a de Nozick acerca do utilitarismo:

-    quer Rawls quer Nozick «concordavam em que os direitos individuais prevalecem sobre as considerações utilitaristas» 

(OU 

rejeitavam o utilitarismo), ou seja, ambos defendem que a maximização da felicidade não justifica que se violem os direitos e as liberdades das pessoas;

-    Rawls pensava que os direitos e as liberdades não estariam suficientemente protegidos caso o princípio da igual liberdade não tivesse prioridade sobre os outros princípios de justiça

 OU 

caso os direitos e as liberdades das pessoas fossem violados para promover uma maior igualdade de oportunidades

(OU para fazer uma redistribuição da riqueza que aumentasse os benefícios para os mais desfavorecidos);

-    Nozick pensava que essa violação de direitos e liberdades ocorreria caso o Estado (através da cobrança de impostos) forçasse os indivíduos a partilharem o rendimento e a riqueza de que são legítimos proprietários

OU

caso o Estado interviesse nas escolhas dos indivíduos (violando os seus direitos).



Nível

Descritor de desempenho

Pontuação

4

Compara, a partir do texto, de modo completo e preciso, a posição de Rawls com a de Nozick acerca do utilitarismo.

14

3

Compara, a partir do texto, de modo completo, mas com imprecisões

OU

de modo preciso, mas incompleto, a posição de Rawls com a de Nozick acerca do utilitarismo.

11

 

 

2

Compara, a partir do texto, de modo incompleto e com imprecisões, a posição de Rawls com a de Nozick acerca do utilitarismo.

OU

Explica, de modo completo e preciso, apenas a posição de Rawls ou apenas a posição de Nozick acerca do utilitarismo, sem as comparar.

 

 

8

 

 

 

1

Explica, de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, mas incompleto, apenas a posição de Rawls ou apenas a posição de Nozick acerca do utilitarismo, sem as comparar.

OU

Parafraseia corretamente os excertos relevantes do texto, mostrando compreensão do texto, mas não explica a posição de Rawls nem a de Nozick acerca do utilitarismo.

 

 

 

4

 

Nota  Uma resposta que consista na mera transcrição do texto, ou de excertos do texto, é classificada com zero pontos.


10.   14 pontos

A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Apresentação da justificação de Kant para que a boa vontade seja o bem supremo:

-    a boa vontade é boa irrestritamente (contrariamente ao que sucede com certas qualidades), pois não

pode ser usada para realizar más ações, ao passo que qualidades como o discernimento e a coragem são «coisas desejáveis; mas também podem tornar-se extremamente más e prejudiciais se a vontade não for boa»;

-    o valor da boa vontade está nela mesma, e não nos resultados das ações OU a boa vontade tem um valor intrínseco, e não instrumental  «a boa vontade não é boa por aquilo que promove ou realiza, pela aptidão para alcançar qualquer finalidade proposta, mas tão-somente pelo querer» (e uma pessoa que tem uma boa vontade, quando age, age por dever);

-    a boa vontade é o bem maior (em que podemos pensar) ‒ «a boa vontade não será o 


Nível

Descritor de desempenho

Pontuação

 

4

Apresenta, de modo completo e preciso, a justificação de Kant para que a boa vontade seja o bem supremo.

Integra adequadamente informação do texto.

 

14

 

 

 

 

3

Apresenta, de modo completo e preciso, a justificação de Kant para que a boa vontade seja o bem supremo.

Integra, com falhas, informação do texto: transcreve expressões do texto sem indicação de citação, ou usa o texto com imprecisões para ilustrar o que afirma.

OU

Apresenta, de modo completo, mas com imprecisões

OU 

de modo preciso, mas incompleto, a justificação de Kant para que a boa vontade seja o bem supremo.

Integra adequadamente informação do texto.

 

 

 

 

11

 

 

2

Apresenta, de modo completo, mas com imprecisões 

OU 

de modo preciso, mas incompleto, a justificação de Kant para que a boa vontade seja o bem supremo.

Integra, com falhas, informação do texto: transcreve expressões do texto sem indicação de citação, ou usa o texto com imprecisões para ilustrar o que afirma.

 

 

8

 

 

 

 

1

Apresenta, de modo incompleto e com imprecisões, a justificação de Kant para que a boa vontade seja o bem supremo.

Pode integrar, com falhas, informação do texto, ou não integrar informação do texto.

OU

Refere corretamente aspetos da ética de Kant relevantes para mostrar que a boa vontade é o bem supremo, sem apresentar a justificação solicitada (por exemplo, caracteriza a ação por dever).

Pode integrar, com falhas, informação do texto, ou não integrar

informação do texto.

 

 

 

 

4

NotaUma resposta que consista na mera transcrição do texto, ou de excertos do texto, é classificada com zero pontos.


11.    14 pontos

A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes

Apresentação inequívoca da posição defendida..

 

Argumentação a favor da posição defendida  cenários de resposta:

 

No caso de o examinando defender que construir a barragem é a decisão eticamente correta

-    uma ação é correta se contribuir para aumentar o saldo global de bem-estar (e incorreta se levar à diminuição do saldo global de bem-estar);

-    construir a barragem permitirá melhorar a economia da região e aumentar o rendimento de muitas pessoas;

   -    ora, com maior rendimento, o bem-estar dessas pessoas aumentará;

-    embora o prejuízo dos habitantes das áreas submersas possa ser significativo, será sempre inferior ao conjunto dos benefícios conseguidos para muitas pessoas;

-    por conseguinte, a construção da barragem é a ação que contribuirá para aumentar o saldo global de bem-estar.

OU

-    as pessoas que se opõem à construção da barragem apenas estão a considerar os seus próprios interesses

(OU estão a ser egoístas);

-    a construção da barragem visa um bem social muito significativo, e não a destruição do território e do modo de vida das pessoas que vivem no território que ficará submerso (tal destruição é um mero efeito colateral que pode ser previsto, mas não evitado);

-    é certo que as pessoas que vivem no território que ficará submerso têm direitos que não devem ser desrespeitados apenas porque se calcula que uma determinada ação terá consequências positivas, mas a construção da barragem constitui um bem social tão significativo que justifica uma limitação desses direitos;

-    as pessoas afetadas, em vez de se oporem à construção da barragem, devem procurar minimizar o mais possível o seu sacrifício, nomeadamente através da reclamação de compensações que lhes permitam prosseguir as suas vidas e, eventualmente, manter a sua comunidade e o seu modo de vida;

-    por conseguinte, a construção da barragem não constitui uma limitação substancial da sua autonomia nem fere a sua dignidade.

OU

-    conceda-se que os proponentes da construção da barragem respeitam a autonomia dos habitantes das áreas que ficarão submersas e (em condições justas

OU sem abusarem da posição de vantagem em que provavelmente se encontram) preveem a negociação de contrapartidas razoáveis (que tenham em conta os modos e os projetos de vida das pessoas 

OU que compensem adequadamente as pessoas);

-    uma ação é correta – e constitui um dever – se a máxima que a determina for universalizável

(OU se for possível querer que a máxima que a determina se torne uma lei universal);

-    as pessoas que se opõem à construção da barragem adotam a máxima segundo a qual o progresso é um bem apenas se nos favorecer diretamente e corresponder unicamente aos nossos desejos (OU adotam a máxima segundo a qual impedimos a direção do progresso e coartamos o bem-comum sempre que a direção do progresso não nos favoreça diretamente ou não corresponda unicamente aos nossos desejos);

-    ora, em sociedades constituídas por indivíduos e grupos com modos e projetos de vida diferentes, a universalização desta máxima seria impossível, pois o progresso só seria um bem em situações impossíveis;

-    por conseguinte, seria contrário ao dever manter a oposição à construção da barragem sem, primeiro, participar na negociação de contrapartidas.


No caso de o examinando defender que não

construir a barragem é a decisão eticamente 

correta

-    uma ação é correta se as pessoas (envolvidas na ação) forem tratadas como fins, e não como simples meios de que os outros dispõem de acordo com os seus fins;

-    tratar as pessoas como fins é respeitar a sua autonomia OU reconhecer que a sua dignidade constitui um limite ao arbítrio dos outros (OU tratar as pessoas como simples meios é desrespeitar a sua autonomia OU instrumentalizá-las de acordo com fins que não são os delas);

-    construir a barragem levaria à destruição, contra a sua vontade, do modo de vida legítimo das pessoas que vivem nas áreas que ficariam submersas, desrespeitando a sua autonomia OU instrumentalizando-as de acordo com fins que não são os delas;

-    nada (nenhum bem maior, nenhum conjunto de interesses) justifica tratar as pessoas como simples meios, dispondo delas ou sacrificando-as aos fins de outros;

-    por conseguinte, abdicar da construção da barragem é a ação que respeita a autonomia das pessoas OU é a ação subordinada ao imperativo de que a dignidade das pessoas constitua um limite ao arbítrio dos outros.

OU

-    uma ação é correta se contribuir para aumentar o saldo global de bem-estar (e incorreta se levar à diminuição do saldo global de bem-estar);

-    construir a barragem levaria à destruição do território ancestral e do modo de vida legítimo de poucas pessoas;

 -    ora, tal privação representa um sofrimento intenso e irreparável para essas pessoas;

-    embora a construção da barragem, ao fazer crescer o rendimento de muitas pessoas, possa trazer ganhos de bem-estar, tais ganhos, no seu conjunto, pesam menos do que o sofrimento dos habitantes cujo território ficaria submerso;

-    por conseguinte, abdicar da construção da barragem é a ação que contribuirá para aumentar o saldo global de bem-estar.

OU

-    uma ação é correta se contribuir para aumentar o saldo global de bem-estar (e incorreta se levar à diminuição do saldo global de bem-estar);

-    um aspeto indispensável do bem-estar dos cidadãos é terem direitos, liberdades e garantias que apenas em casos extremos são postos em causa;

-    construir a barragem levaria à destruição do território ancestral e do modo de vida legítimo de poucas pessoas e, tendo em conta a oposição das pessoas afetadas, constituiria uma violação grave dos seus direitos, liberdades e garantias;

-    ora, os ganhos (temporários e incertos) de bem-estar para muitas pessoas, que poderiam decorrer da construção da barragem, não compensariam a ampla redução do bem-estar que ocorreria num país em que os cidadãos soubessem que os seus direitos, liberdades e garantias eram postos em causa com tal ligeireza;

-    por conseguinte, abdicar da construção da barragem, mostrando consideração pelos direitos, liberdades e garantias dos habitantes das áreas que ficariam submersas, é a ação que contribuirá para aumentar o saldo global de bem-estar.

 

 Nota ‒ Os aspetos constantes nos cenários de resposta apresentados são apenas ilustrativos, não esgotando o espectro de respostas adequadas possíveis.


A classificação final da resposta resulta da soma das pontuações atribuídas a cada um dos parâmetros seguintes.

A  Argumentação a favor de uma posição pessoal.................8 pontos

B  Adequação conceptual e teórica......................................... 4 pontos

C  Comunicação...................................................................... 2 pontos

Parâmetro

Nível

Descritor de desempenho

Pontuação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A

Argumentação a

favor de uma

posição 

pessoal

 

 

 

3

Apresenta inequivocamente a posição defendida.

Evidencia competências argumentativas:

·    apresenta, com clareza e correção, argumentos persuasivos, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida;

·  articula adequadamente os argumentos, as razões ou os exemplos apresentados.

 

 

 

8

 

 

 

2

Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia competências argumentativas:

·    apresenta,  com  imprecisões,  argumentos  persuasivos,  razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida;

·  elenca os argumentos, as razões ou os exemplos, sem os articular adequadamente.

 

 

 

5

 

 

1

Apresenta a posição defendida, ainda que de modo implícito.

Evidencia uma intenção argumentativa, mas os argumentos ou as razões apresentados a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida, são fracos ou claramente falaciosos, ou os exemplos selecionados são inadequados.

 

 

2

 

 

B

Adequação conceptual e

 teórica

 

2

Aplica corretamente conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza, de modo preciso, (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema.

 

4

 

 

1

Aplica, com imprecisões, conceitos relevantes para a discussão do problema.

Mobiliza, com imprecisões, (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema.

 

 

2

 

 

C

Comunicação

 

2

Apresenta um discurso estruturado e fluente.

Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.

 

2

 

1

Apresenta um discurso com falhas na estruturação ou pouco fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.

 

1




A classificação final da resposta resulta da soma das pontuações atribuídas a cada um 

dos parâmetros seguintes.

 

A  Argumentação a favor de uma posição pessoal.................8 pontos

B  Adequação conceptual e teórica......................................... 4 pontos

C  Comunicação...................................................................... 2 pontos

Parâmetro

Nível

Descritor de desempenho

Pontuação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A

Argumentação a 

favor de uma 

posição pessoal

 

 

 

3

Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia competências argumentativas:

·    apresenta, com clareza e correção, argumentos persuasivos, razões

ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida;

·    articula adequadamente os argumentos, as razões ou os exemplos

apresentados.

 

 

 

8

 

 

 

2

Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia competências argumentativas:

·    apresenta,  com  imprecisões,  argumentos  persuasivos,  razões

ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida;

·    elenca os argumentos, as razões ou os exemplos, sem os articular

adequadamente.

 

 

 

5

 

 

1

Apresenta a posição defendida, ainda que de modo implícito.

Evidencia uma intenção argumentativa, mas os argumentos ou as razões apresentados a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida, são fracos ou claramente falaciosos, ou os exemplos selecionados são inadequados.

 

 

2

 

 

B

Adequação conceptual e

 teórica

 

2

Aplica corretamente conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza, de modo preciso, (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema.

 

4

 

 

1

Aplica, com imprecisões, conceitos relevantes para a discussão do problema.

Mobiliza, com imprecisões, (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema.

 

 

2

 

 

C

Comunicação

 

2

Apresenta um discurso estruturado e fluente.

Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.

 

2

 

1

Apresenta um discurso com falhas na estruturação ou pouco fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.

 

1

 

 Nota  A resposta é classificada com zero pontos no parâmetro 

          C  Comunicação se não for atingido o nível 1 de desempenho em, pelo menos, um dos outros parâmetros.


12.   14 pontos

A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes.

Explicitação da crítica à teoria da arte como expressão que pode ser encontrada no texto:

-    no texto, são referidos (possíveis ou alegados) contraexemplos à teoria da arte como expressão, tais como «uma escultura minimalista ou uma pintura […] abstrata», que, segundo o autor do texto, não parecem ter conteúdo representacional e, por isso, também não têm os recursos necessários para exprimir emoções.

Apresentação inequívoca de uma posição pessoal.

Argumentação a favor da posição defendida  cenários de resposta:

No caso de o examinando defender que a crítica põe em causa a teoria da arte como 

expressão

-    os defensores da teoria da arte como expressão consideram que uma das condições necessárias da arte é a expressão de emoções particulares

OU

é que qualquer objeto artístico seja a expressão de uma dada emoção particular;

-    há objetos artísticos, como algumas peças de música instrumental, esculturas minimalistas e pinturas abstratas, que não têm qualquer conteúdo representacional;

-    se essas obras de arte não têm qualquer conteúdo representacional, então também não têm os recursos que permitem a sua identificação com a vida das pessoas, de modo que possam ser interpretadas como expressão de emoções particulares;

-    logo, nem todas as obras de arte exprimem emoções

OU

 a expressão de emoções particulares não é uma condição necessária da arte (contrariando a teoria da arte como expressão).

No caso de o examinando defender que a crítica não põe em causa a teoria da arte como 

expressão

 

-    o autor defende que muitas obras de arte não têm conteúdo emocional por não representarem nada que seja «a imagem de um mundo humano, com cujos elementos [nos podemos] identificar»;

-    contudo, é inegável que  obras de pintura abstrata e de música instrumental (sinfonias, por exemplo) que não deixam as pessoas indiferentes e que as emocionam;

-    isso significa que não é necessário que as obras representem algo reconhecível para terem conteúdo emocional ou, pelo menos, para levarem as pessoas a reagir emotivamente a tais obras;

-    logo, a arte não representacional não constitui um contraexemplo à teoria da arte como expressão (pelo que a crítica não põe em causa a teoria).

 Nota – Os aspetos constantes dos cenários de resposta apresentados são apenas ilustrativos, não esgotando o espectro de respostas adequadas possíveis.


A classificação final da resposta resulta da soma das pontuações atribuídas a cada um dos 

parâmetros seguintes.

 

A  Clarificação........................................................................ 2 pontos

B  Argumentação a favor de uma posição pessoal................. 6 pontos

C  Adequação conceptual e teórica........................................  4 pontos

D  Comunicação.......................................................................2 pontos

Parâmetro

Nível

Descritor de desempenho

Pontuação

A

Clarificação

2

Explicita adequadamente a crítica em 

causa.

2

1

Explicita com imprecisões a crítica em 

causa.

1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

B

Argumentação a favor de uma posição pessoal

 

 

 

3

Apresenta inequivocamente a 

posição defendida.

Evidencia competências argumentativas:

·    apresenta, com clareza e correção, 

argumentos persuasivos, razões

ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida;

·    articula adequadamente os argumentos, as razões ou os exemplos

apresentados.

 

 

 

6

 

 

 

2

Apresenta inequivocamente a

posição defendida.

Evidencia competências argumentativas:

·    apresenta,  com  imprecisões,  

argumentos  persuasivos,  razões

ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida;

·    elenca os argumentos, as razões ou 

os exemplos, sem os articular

adequadamente.

 

 

 

4

 

 

1

Apresenta a posição defendida, ainda que de modo implícito.

Evidencia uma intenção argumentativa, mas os argumentos ou as razões apresentados a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida, são fracos ou claramente falaciosos, ou os exemplos selecionados são inadequados.

 

 

2

 

 

C

Adequação conceptual e teórica

 

2

Aplica corretamente conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza, de modo preciso, (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema.

 

4

 

 

1

Aplica, com imprecisões, conceitos relevantes para a discussão do problema.

Mobiliza, com imprecisões, (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema.

 

 

2

 

 

D

Comunicação

 

2

Apresenta um discurso estruturado e fluente.

Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.

 

2

 

1

Apresenta um discurso com falhas na estruturação ou pouco fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.

 

1

 

 Nota  A resposta é classificada com zero pontos no parâmetro D  Comunicação se não for atingido o nível 1 de desempenho em, pelo menos, um dos outros parâmetros.


13.   14 pontos

A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Explicação do problema do mal:

-    o problema do mal é o problema de compatibilizar a existência de mal no mundo com a existência de uma divindade omnipotente, omnisciente e sumamente boa

 (OU com a existência de Deus tal como é concebido pelos teístas, isto é, com os atributos da omnipotência, da omnisciência e da suma bondade);

-    se a divindade

 (OU Deus) pode tudo, sabe tudo e é sumamente boa, estaria ao seu alcance (e seria sua vontade) evitar o mal (designadamente, os grandes males naturais sem propósito evidente, tais como sismos que matam pessoas inocentes).

Justificação:

-    em certas religiões, concebe-se a existência de um ou mais deuses, nenhum dos quais reúne as características da omnipotência, da omnisciência e da suma bondade

OU em certas religiões (politeístas), admite-se que os deuses repartem poderes e conhecimento entre si e também se admite a existência de deuses que nem sempre são bons;

-    por conseguinte, a existência do mal no mundo não é incompatível com a existência de deuses que não só têm poderes e conhecimento limitados como são moralmente imperfeitos.

 

Notas:

1.    A resposta é classificada em igualdade de circunstâncias caso o 

atributo da omnisciência não seja referido e apenas sejam referidos os atributos da omnipotência e da suma bondade.

 

2.  Caso a explicação do problema do mal não seja feita no início da resposta, tal desvio em relação à instrução do item, por si só, não compromete a qualidade do desempenho.

 

Nível

Descritor de desempenho

Pontuação

4

Explica, de modo completo e preciso, o problema do mal. Justifica de modo completo e preciso.

14

 

 

 

3

Explica, de modo completo e preciso, o problema do mal.

Justifica de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, 

mas incompleto.

OU

Explica, de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso,

 mas incompleto, o problema do mal.

Justifica de modo completo e preciso.

 

 

 

11

 

 

 

2

Explica, de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, 

mas incompleto, o problema do mal.

Justifica de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, 

mas incompleto.

OU

Apenas explica, de modo completo e preciso, o problema do mal.

OU

Apenas justifica de modo completo e preciso.

 

 

 

8

 

 

 

 

1

Explica, de modo incompleto e com imprecisões, o problema do mal. Justifica de modo incompleto e com imprecisões.

OU

Apenas explica, de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, mas incompleto, o problema do mal.

OU

Apenas justifica de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, mas incompleto.

 


14.   14 pontos

A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Indicação da pergunta que exprime um problema filosófico:

-    a pergunta I não exprime um problema filosófico, e a pergunta II exprime um problema filosófico.

Justificação:

-    a resposta à pergunta I depende essencialmente de um estudo empírico (envolvendo, por exemplo, a recolha e a análise de dados disponibilizados pelos governos ou por organizações não governamentais) que permita comparar a criminalidade violenta registada nos países em que não  pena de morte com a criminalidade violenta registada nos países em que  pena de morte (OU que permita concluir sobre a evolução da criminalidade violenta após a abolição da pena de morte ou após a sua reintrodução);

-    a resposta à pergunta II não depende apenas de informação empírica sobre, por exemplo, o resultado da aplicação das diferentes penas, ou sobre a existência de condenações de pessoas inocentes (ou seja, mesmo que tivéssemos uma quantidade assinalável de informação empírica, isso, por si só, não nos permitiria responder ao problema da permissibilidade da pena de morte);

-    a resposta à pergunta II depende de uma reflexão sobre a permissibilidade moral de matar 

OU depende de uma reflexão sobre as circunstâncias em que é moralmente permissível matar

OU é conceptual.

 

Nível

Descritor de desempenho

Pontuação

4

Indica a única pergunta que exprime um problema filosófico. Justifica de modo completo e preciso.

14

3

Indica a única pergunta que exprime um problema filosófico.

Justifica de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, mas incompleto.

11

2

Indica a única pergunta que exprime um problema filosófico.

Justifica de modo incompleto e com imprecisões.

8

 

 

1

Indica a única pergunta que exprime um problema filosófico, 

sem justificar.

OU

Caracteriza os problemas filosóficos, distinguindo-os dos não filosóficos, sem aplicar às perguntas apresentadas, ou aplicando incorretamente.

 

 

4


15.   14 pontos

A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Clarificação do problema levantado no desafio cético:

-    o problema levantado no desafio cético é o da possibilidade do conhecimento (OU é o de determinar se o conhecimento é possível);

-    o problema de determinar se o conhecimento é possível decorre das dificuldades encontradas quando se procura assegurar justificações apropriadas para as nossas crenças verdadeiras.

No caso de o examinando defender que não é possível superar o desafio cético

 

-    as nossas crenças acerca de acontecimentos futuros (por exemplo, a crença de que o Sol nascerá amanhã ou a crença de que uma bola de bilhar se moverá após uma outra bola de bilhar colidir com ela) são justificadas por meio de argumentos indutivos, os quais parecem tornar provável, ou mesmo certa, a ocorrência de tais acontecimentos;

-    os argumentos indutivos pressupõem implicitamente o princípio de que a Natureza funciona de modo uniforme e de que o futuro será igual ao passado;

-    no entanto, o melhor argumento de que dispomos a favor do princípio da uniformidade da Natureza é, ele próprio, indutivo, e um argumento indutivo a favor do princípio da uniformidade da Natureza seria circular (dado apoiar-se no próprio princípio que tentaria provar);

-    por outro lado, um argumento dedutivo a favor do princípio da uniformidade da Natureza seria inviável

(OU não há um argumento dedutivo, ou demonstrativo, a favor do princípio da uniformidade da Natureza), na medida em que não é uma verdade conceptual que a Natureza seja uniforme

(OU não é contraditório afirmar que a Natureza não é uniforme

OU é possível conceber a Natureza a funcionar de modo não uniforme);

-    por conseguinte, pelo menos a respeito das nossas crenças acerca de acontecimentos futuros, o desafio cético mantém-se.

OU

-    tentamos justificar muitas crenças através dos sentidos, mas não se pode garantir que essas justificações sejam adequadas, pois existe a possibilidade de os sentidos serem enganadores;

-    tentamos justificar uma crença recorrendo a outra crença, mas esta também precisa de ser justificada, e assim sucessivamente;

-    como este processo envolve uma regressão infinita, não se pode dizer que produza justificações adequadas;

-    as nossas crenças, mesmo que algumas delas sejam verdadeiras, não estão adequadamente justificadas e, como tal, não constituem conhecimento;

-    por isso, os céticos radicais estão certos quando dizem que nada sabemos e que a atitude preferível é suspender o juízo OU a crença.

OU

-    as capacidades (OU faculdades) que usamos nas nossas tentativas para conhecer o mundo são limitadas e falíveis (e estas são as suas principais características permanentes);

-    as nossas capacidades percetivas e de raciocínio, por exemplo, estão sempre expostas a ilusões, erros e imprecisões;

-    a vulnerabilidade permanente ao erro das capacidades que usamos para conhecer o mundo impede-nos de chegar a uma confiança inabalável nas justificações das nossas crenças;

-    uma vez que a correção de ilusões percetivas e de erros de raciocínio depende das próprias capacidades que os produziram, não é possível descobrir de modo infalível uma verdade básica (ou seja, uma verdade que se fundamente a si mesma);

-    por conseguinte, não é possível impedir a regressão infinita do processo de justificação das nossas crenças, e o estado de dúvida é incurável.

 

No caso de o examinando defender que é 

possível superar o desafio cético

-    as nossas crenças acerca do funcionamento da Natureza podem ter justificações apropriadas caso se apoiem numa verdade básica que satisfaça conjuntamente certas exigências;

-    uma dessas exigências é a de que a crença nessa verdade se justifique a si mesma e, desse modo, permita bloquear a regressão infinita da justificação;

-    outra exigência é a de que seja impossível duvidar dessa verdade sem, nesse momento (enquanto dela se duvida), a certificar 

(OU outra exigência é a de que a descoberta dessa verdade seja tão segura que consista num estado mental de certeza);

-    o conhecimento do cogito é o conhecimento de uma verdade que se fundamenta a si mesma, na medida em que o recurso a um argumento cético para duvidar dela – tal como o argumento do génio maligno – certifica, precisamente, que se é uma coisa pensante;

-    por conseguinte, a confiabilidade de uma cadeia de justificações que repousa no conhecimento inabalável do cogito permite superar o desafio cético.

 

Nota ‒ Os aspetos constantes nos cenários de resposta apresentados 

são apenas ilustrativos, não esgotando o espectro de respostas adequadas possíveis.

 

A classificação final da resposta resulta da soma das pontuações atribuídas a cada um dos parâmetros seguintes.

 

A  Problematização........................................................ 2 pontos

B  Argumentação a favor de uma posição pessoal......... 6 pontos

C  Adequação conceptual e teórica................................. 4 pontos

D  Comunicação.............................................................. 2 pontos

Parâmetro

Nível

Descritor de desempenho

Pontuação

 

A

Problematização

2

Clarifica adequadamente o problema filosófico proposto.

2

1

Clarifica com imprecisões o problema filosófico proposto.

1

 

 

 

3

Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia competências argumentativas:

·    apresenta, com clareza e correção, argumentos persuasivos, razões

ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida;

·    articula adequadamente os argumentos, as razões ou os exemplos

apresentados.

 

 

 

6

B

Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia competências argumentativas:

·    apresenta,  com  imprecisões,  argumentos  persuasivos,  razões

ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida;

·    elenca os argumentos, as razões ou os exemplos, sem os articular

adequadamente.

Argumentação

a favor de uma posição pessoal

2

4

Apresenta a posição defendida, ainda que de modo implícito.

Evidencia uma intenção argumentativa, mas os argumentos ou as razões

1

apresentados a favor da posição defendida, ou contra posições rivais

2

da defendida, são fracos ou claramente falaciosos, ou os exemplos

selecionados são inadequados.


 

 

 


C

Adequação conceptual

e teórica

 

2

Aplica corretamente conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza, de modo preciso, (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema.

 

4

 

 

1

Aplica, com imprecisões, conceitos relevantes para a

discussão do problema.

Mobiliza, com imprecisões, (uma) perspetiva(s) teórica(s)

adequada(s) à discussão do problema.

 

 

2

 

 

D

Comunicação

 

2

Apresenta um discurso estruturado e fluente.

Escreve de forma globalmente correta, podendo

apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.

 

2

 

1

Apresenta um discurso com falhas na estruturação ou pouco fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo

apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.

 

1

Nota ‒ A resposta é classificada com zero pontos no parâmetro D  Comunicação se não for atingido o nível 1 de desempenho em, pelo menos, um dos outros parâmetros.

 

  As pontuações obtidas nas respostas a estes

12 itens da prova contribuem obrigatoriamente para

a classificação final.

 

 

1.

 

 

5.2.

 

 

6.

 

 

7.

 

 

9.1.

 

 

9.2.

 

 

10.

 

 

11.

 

 

12.

 

 

13.

 

 

14.

 

 

15.

 

 

Subtotal

Cotação (em pontos)

11

11

11

11

14

14

14

14

14

14

14

14

156

Destes 6 itens, contribuem para a classificação final da

prova os 4 itens cujas respostas obtenham melhor pontuação.

 

 

2.

 

 

3.

 

 

4.

 

 

5.1.

 

 

8.1.

 

 

8.2.

 

 

Subtotal

Cotação (em pontos)

4 × 11 pontos

44

TOTAL

200

 






 Lola

 

 


Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...