Sentído Crítico
Os jovens portugueses têm falta de sentido crítico
A nova estratégia de Educação para a Cidadania visa prevenir comportamentos como os da violência doméstica. Este ano lectivo será apenas desenvolvida nas escolas que integram o projecto-piloto de flexibilidade curricular.
Nova estratégia visa também
desenvolver o sentido crítico entre os jovens
A nova estratégia nacional
de Educação para a Cidadania, apresentada nesta sexta-feira pelo Governo, tem
na sua base uma lógica preventiva, frisou ao PÚBLICO a secretária de Estado
para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino.
“Na área da cidadania e da
igualdade passamos a vida a correr atrás do prejuízo. As pessoas não começam a
ser violentas aos 40 anos, que é a média de idades dos agressores e das vítimas
de violência doméstica. Basta olhar para os números da violência no namoro para
se perceber que a violência começa muito mais cedo. E, para prevenir estes
comportamentos, só há uma forma: intervir no âmbito do sistema educativo,
porque é aí que podemos chegar a todas as crianças. Porque quando os temas são
falados, quando deixam de ser tabu, isso também leva à reacção”, disse.
Disparidade salarial é “uma das
maiores vergonhas em Portugal”
A violência é um dos
conteúdos que serão tratados no âmbito dos temas que foram definidos na
estratégia com sendo de abordagem obrigatória para todos os ciclos de ensino.
São eles os direitos humanos, a igualdade de género, a interculturalidade, o
desenvolvimento sustentável, a educação ambiental e a saúde.
Neste ano lectivo, a nova
estratégia irá ser apenas aplicada nas 235 escolas públicas e privadas que
integram o projecto-piloto de flexibilidade curricular. No 2.º e 3.º ciclos de
escolaridade, os temas a abordar serão desenvolvidos na nova disciplina de
Cidadania e Desenvolvimento prevista nas matrizes curriculares que estarão em
vigor nas escolas do projecto-piloto, na qual os alunos terão notas à
semelhança do que se passa nas outras disciplinas.
No 1.º ciclo e no ensino
secundário terão “natureza transdisciplinar”, devendo contar, no último caso,
“com o contributo de todas as disciplinas e componentes de formação”,
especifica-se no documento divulgado nesta sexta-feira.
"O que se pretende não
é instituir uma disciplina formal, no sentido de que há um professor que debita
a matéria, mas sim implementar uma metodologia de projecto porque a cidadania,
para se desenvolver, tem de contar com uma parte prática", especificou.
Para a elaboração da nova estratégia foram criados também focus groups em
que participaram professores e alunos, indicou a governante.
Segundo Catarina Marcelino,
com a nova estratégia pretende-se também desenvolver o “sentido crítico” entre
os jovens: “O que tem sido constatado em vários estudos e pode ser observado na
prática é que os jovens portugueses têm falta de sentido crítico. Do ponto de
vista competitivo com jovens de outros países, mesmo ao nível de emprego, este
é um traço que nos prejudica. Precisamos de ter capacidade de pensar
criticamente porque isso nos torna melhores enquanto cidadãos e é bom para a
democracia.”
Os conteúdos a desenvolver
no âmbito da nova estratégia terão na base os sete referenciais já elaborados
pela Direcção-Geral da Educação, sendo que seis deles foram concluídos na
anterior legislatura, numa altura em que a disciplina de Formação Cívica
desapareceu da matriz curricular proposta pelo Ministério da Educação, embora
muitos estabelecimentos de ensino tenham optado por mantê-la no âmbito da
oferta de escola.
“A abordagem da educação
para a cidadania tem tido avanços e recuos nas escolas, mas acabou por nunca se
consolidar. É isso que pretendemos agora fazer: consolidar esta estratégia
dentro do sistema de ensino. Será esse o grande desafio”, indicou Catarina
Marcelino, acrescentando que o saldo será “positivo para a sociedade
portuguesa”.
in Publico
CLARA
VIANA e
ALINE
FLOR


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