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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Thomas Kuhn


Thomas Kuhn 

 Quem é?

Nasceu a 18 de Julho em Cincinnati - Ohio (Estados Unidos)
Professor de Filosofia e História da Ciência em Harvard, Berkeley e Boston (Especialização em Física)
Thomas Kuhn, tal como Karl Popper, é um epistemólogo contemporâneo interessado em explicar as lógicas de desenvolvimento do conhecimento científico. Apresenta, no entanto, uma perspectiva que não sendo em todos os aspectos oposta à de Popper, é diferente no que toca à linguagem utilizada (aparelho conceptual) e, fundamentalmente, no que respeita à sua visão descontinuísta da história e evolução da ciência. 

O progresso cientifico: ruptura ou continuidade?

Karl Popper mudou por completo a noção que se tinha sobre o progresso científico. Anteriormente, pensava-se que a ciência progredia de forma contínua, por melhoramentos consecutivos, que iam sendo adicionados por sucessivos cientistas. 
Na sua célebre obra A Estrutura das Revoluções Científicas (1962) defendeu que os grandes progressos da ciência não resultam de mecanismos de continuidade, mas sim de mecanismos de ruptura. Uma ciência que evolui de forma contínua atravessa uma etapa do seu desenvolvimento designada, nesta teoria, por Ciência Normal. Durante esse período, o mundo ao qual essa ciência se aplica é visto por todos os seus praticantes segundo uma mesma perspectiva. Todos vêm o mundo da mesma maneira. A certa altura, alguns dos praticantes dessa ciência começam a descobrir contradições internas e chegam à conclusão que a forma de ver o mundo em que essa ciência se baseia não é adequada. Começam a descobrir que o mundo devia ser olhado de outra maneira. 


 Ciência e Paradigma

Às diversas formas de ver o mundo segundo determinados Modelos Teóricos vigentes, Kuhn chamou paradigmas. Quando alguém descobre um paradigma distinto, sobre o qual é possível basear o desenvolvimento duma ciência, diz-se que a ciência é, durante esse período, uma Ciência Revolucionária.

Segundo Kuhn, uma ciência evolui por etapas que ora são de evolução normal, ora de ruptura revolucionária, sendo as rupturas revolucionárias que mais contribuem para o progresso dessa ciência. 

“Na Astronomia, por exemplo, durante muitos anos acreditou-se no paradigma geocêntrico, segundo o qual o Sol rodaria à volta da Terra. Todos os cálculos matemáticos da altura, realizados sobre os movimentos dos planetas, confirmavam que o paradigma geocêntrico era o correcto. A certa altura, no entanto, alguns astrónomos e físicos começaram a conjecturar que as irregularidades que detectavam em alguns dos cálculos só poderiam ser explicadas se a Terra rodasse em torno do Sol, e não ao contrário. Durante muitos anos, as suas convicções provocaram fenómenos de perseguição e rejeição social, acusações de heresia e, em alguns casos mais extremos, a perda da própria vida, imolada nas fogueiras da Inquisição; mas, a partir de certa altura, os cálculos começaram a confirmar que, de facto, a razão estava do lado deles e o paradigma heliocêntrico impôs-se.”

É curioso observar que Pedro Nunes, o nosso maior matemático e um dos grandes matemáticos do mundo, na sua época, não aceitava o paradigma heliocêntrico, contrariando, assim, um número já significativo de contemporâneos seus. A razão que hoje se avança para explicar essa estranha posição é que na época os cálculos de previsão do movimento dos planetas se apresentavam muito mais rigorosos quando se recorria ao modelo geocêntrico, enquanto que o modelo heliocêntrico conduzia a anomalias de cálculo que ninguém, na altura, sabia explicar.

Ciência Normal e Ciência Extraordinária

Para Kuhn a ciência é naturalmente conservadora, reproduzindo a atitude natural do homem à qual não se furta, também, a própria comunidade científica: é muito mais seguro e cómodo conservar os modelos explicativos (Paradigmas) do que submetê-los a sucessivos exames e transformações. A comunidade científica procura naturalmente conservar os paradigmas vigentes, resistindo o mais possível às mudanças impostas pelas novas conjecturas, procurando resguardar as “verdades” já constituídas de qualquer crise iminente. Este espírito dogmático (resistente à mudança) ocorre na fase designada por “ ciência normal”. Nesta fase, toda a comunidade científica trabalha no sentido de consolidar / conservar as explicações consensualmente em vigor, resistindo a toda a inovação e aos conflitos de posições que possam pôr em risco a estabilidade dos modelos científicos.

Porém, quanto maior é a obstinação da comunidade científica em defender um modelo ou uma teoria ultrapassada, mais se manifesta a necessidade de a substituir: quanto maior é a resistência em reconhecer a eficácia explicativa dos novos modelos, mais acelerada é a crise que procuraram evitar e maior é a ruptura entre os modelos caducos e os novos modelos (novos paradigmas). Esta é a dinâmica que corresponde à REVOLUÇÃO na CIÊNCIA, da qual resultará uma fase de Ciência Extraordinária – fase que já encerra o novo paradigma que passará, à semelhança do paradigma anterior, por um período mais ou menos longo de desenvolvimento e consolidação (Ciência Normal), até se verificar a emergência/necessidade de uma nova Crise.

Conclusão

Mesmo que a ciência encerre, temporária e naturalmente, alguma tendência dogmática, esta será sempre ultrapassada pelo próprio dinamismo inerente ao progresso científico. A natureza da ciência é avessa a qualquer espécie de dogmatismo e de conservadorismo. 




                                            Lola

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Thomas Kuhn



Thomas Kuhn (1922-1996)

Como progride a ciência?


·        Thomas Kuhn (1922-1996) é um filósofo norte-americano com formação em física. 
“   "A Estrutura das revoluções Científicas" é a sua obra mais notável e uma das mais citadas e discutidas na segunda metade do século XX.

·        Neste livro, Thomas Kuhn propõe uma conceção sobre mudanças na ciência que desafia a dos seus antecessores e altera radicalmente o cenário e o vocabulário da filosofia da ciência.

·        Como progride a ciência? Será ciência  objetiva? Kuhn põe em causa as respostas tradicionais a estes problemas e oferece uma perspetiva muito diferente da que era então comum entre os filósofos e cientistas.

·        Kuhn foi um crítico de: teorias indutivistas, de  Popper e das teorias falsificacionistas.

·       Kuhn define ciência normal como investigação firmemente baseada num paradigma 1 que uma determinada comunidade científica reconhece por um dado tempo como base adequada de trabalho.

·        Mas o que é o paradigma? É um modelo explicativo\padrão que orienta a prática científica. Capta a imaginação científica, comanda a lealdade de um grupo de cientistas e estabelece as tarefas que eles têm de tomas a seu cargo. Condiciona o tipo de fenómenos que o investigador vê e também aquilo que não vê.

·      Em período de ciência normal a investigação não visa nem a critica nem a inovação, mas a continuidade e a estabilidade A finalidade da investigação é solucionar enigmas, isto é, explicar os novos dados a partir das teorias que fazem parte do paradigma e não inventar novas teorias.

·        A investigação científica normal é antes dirigida à clarificação dos fenómenos e teorias que o paradigma já fornece.

·      Um cientista não abandona facilmente um paradigma. A atividade de ciência é extremamente conservadora e dogmática.

Porém, no trabalho de ciência normal, o cientista confronta-se com falhanços, falhanços que Kuhn chama de anomalias.

·    O que é uma anomalia? É um enigma da ciência normal, ou seja, o aparecimento de problemas não suscetíveis de explicação à luz do paradigma 1 em vigor.

Exemplo: o telescópio desenvolvido por Galileu permitiu registar novos dados empíricos que os cientistas não conseguiram explicar recorrendo ao paradigma geocêntrico. 

·        Quando as anomalias relevantes se forem sucedendo e se os esforços da comunidade científica para as explicar paradigmaticamente fracassarem, a desconfiança e a contestação do paradigma em vigor começa a ganhar uma adesão crescente por parte da comunidade científica.

·        Gera-se uma crise e com ela, uma fase de ciência extraordinária, ou seja, a ciência praticada em tempo de crise. Durante a ciência extraordinária, os cientistas tentam procuram encontrar soluções para as anomalias. 

·        O desfecho de uma crise, se a solução for um novo paradigma 2, consuma-se a descontinuidade e diz-se que ocorreu uma rutura radical com o velho paradigma 1 chamada revolução científica (momentos de rutura com o paradigma anterior, em que tanto a compreensão dos fenómenos como a maneira de os investigar se altera profundamente).

·        O novo paradigma 2 será muito diferente do antigo (paradigma 1) e incompatível com ele. Cada um destes paradigmas que se confrontam possui diferentes visões do mundo. Enquanto tal, estes paradigmas rivais são incomensuráveis (não comparáveis entre si).

·        Os paradigmas distinguem-se entre si quanto: à substância a investigar e
                                                                           ao modo de investigar


·        Quer isto dizer que o novo paradigma 2 é melhor do que o anterior? Não, segundo Kuhn, eles são apenas diferentes.

·        Kuhn rejeita a ideia tradicional de que os paradigmas se vão aperfeiçoando e assim se vão aproximando cada vez mais da verdade. 

   As revoluções científicas não nos aproximam necessariamente da verdade sobre o mundo. 
   
    A nova representação do real que o novo paradigma 2 traz consigo não se acrescenta à precedente, pelo contrário, substitui-a.

·        A ciência alcança progressos do ponto de vista dos instrumentos (empírico) mas não implica um processo de aproximação à verdade (ontológico)

·        Para Kuhn o conhecimento não é objetivo porque os cientistas dependem de condições sociais e individuais. A verdade científica resulta assim de acordos intersubjetivos.


Ideias centrais:

* Ciência como Processo Descontínuo
* Conhecimento não evolui continuamente
* Paradigma
*Ciência Normal
* Sucessão de Paradigmas
* Paradigmas são incomensuráveis
*Revolução científica
*Anomalias
* Ciência Extraordinária
*Crise
*Revolução científica
* Teorias não evoluem para a aproximação à verdade
* Uma teoria cientifica depende do consenso da comunidade cientifica numa determinada época
*Conhecimento científico não é objectivo




                                                                                                Lola

terça-feira, 26 de abril de 2016

Thomas Kuhn




Thomas Kuhn 
e o progresso em ciência


·        Thomas Kuhn (1922-1996) é um filósofo norte-americano com formação em física. 
“   "A Estrutura das revoluções Científicas" é a sua obra mais notável e uma das mais citadas e discutidas na segunda metade do século XX.

·        Neste livro, Thomas Kuhn propõe uma conceção sobre mudanças na ciência que desafia a dos seus antecessores e altera radicalmente o cenário e o vocabulário da filosofia da ciência.

·        Como progride a ciência? Será ciência  objetiva? Kuhn põe em causa as respostas tradicionais a estes problemas e oferece uma perspetiva muito diferente da que era então comum entre os filósofos e cientistas.

·        Kuhn foi um crítico de: teorias indutivistas, de  Popper e das teorias falsificacionistas.

·       Kuhn define ciência normal como investigação firmemente baseada num paradigma 1 que uma determinada comunidade científica reconhece por um dado tempo como base adequada de trabalho.

·        Mas o que é o paradigma? É um modelo explicativo\padrão que orienta a prática científica. Capta a imaginação científica, comanda a lealdade de um grupo de cientistas e estabelece as tarefas que eles têm de tomas a seu cargo. Condiciona o tipo de fenómenos que o investigador vê e também aquilo que não vê.

·      Em período de ciência normal a investigação não visa nem a critica nem a inovação, mas a continuidade e a estabilidade A finalidade da investigação é solucionar enigmas, isto é, explicar os novos dados a partir das teorias que fazem parte do paradigma e não inventar novas teorias.

·        A investigação científica normal é antes dirigida à clarificação dos fenómenos e teorias que o paradigma já fornece.

·      Um cientista não abandona facilmente um paradigma. A atividade de ciência é extremamente conservadora e dogmática.

Porém, no trabalho de ciência normal, o cientista confronta-se com falhanços, falhanços que Kuhn chama de anomalias.

·    O que é uma anomalia? É um enigma da ciência normal, ou seja, o aparecimento de problemas não suscetíveis de explicação à luz do paradigma 1 em vigor.

Exemplo: o telescópio desenvolvido por Galileu permitiu registar novos dados empíricos que os cientistas não conseguiram explicar recorrendo ao paradigma geocêntrico. 

·        Quando as anomalias relevantes se forem sucedendo e se os esforços da comunidade científica para as explicar paradigmaticamente fracassarem, a desconfiança e a contestação do paradigma em vigor começa a ganhar uma adesão crescente por parte da comunidade científica.

·        Gera-se uma crise e com ela, uma fase de ciência extraordinária, ou seja, a ciência praticada em tempo de crise. Durante a ciência extraordinária, os cientistas tentam procuram encontrar soluções para as anomalias. 

·        O desfecho de uma crise, se a solução for um novo paradigma 2, consuma-se a descontinuidade e diz-se que ocorreu uma rutura radical com o velho paradigma 1 chamada revolução científica (momentos de rutura com o paradigma anterior, em que tanto a compreensão dos fenómenos como a maneira de os investigar se altera profundamente).

·        O novo paradigma 2 será muito diferente do antigo (paradigma 1) e incompatível com ele. Cada um destes paradigmas que se confrontam possui diferentes visões do mundo. Enquanto tal, estes paradigmas rivais são incomensuráveis (não comparáveis entre si).

·        Os paradigmas distinguem-se entre si quanto: à substância a investigar e
                                                                           ao modo de investigar


·        Quer isto dizer que o novo paradigma 2 é melhor do que o anterior? Não, segundo Kuhn, eles são apenas diferentes.

·        Kuhn rejeita a ideia tradicional de que os paradigmas se vão aperfeiçoando e assim se vão aproximando cada vez mais da verdade. 

   As revoluções científicas não nos aproximam necessariamente da verdade sobre o mundo. 

   
    A nova representação do real que o novo paradigma 2 traz consigo não se acrescenta à precedente, pelo contrário, substitui-a.

·        A ciência alcança progressos do ponto de vista dos instrumentos (empírico) mas não implica um processo de aproximação à verdade (ontológico)

·        Para Kuhn o conhecimento não é objetivo porque os cientistas dependem de condições sociais e individuais. A verdade científica resulta assim de acordos intersubjetivos.


Ideias centrais:

* Ciência como Processo Descontínuo
* Conhecimento não evolui continuamente
* Paradigma
*Ciência Normal
* Sucessão de Paradigmas
* Paradigmas são incomensuráveis
*Revolução científica
*Anomalias
* Ciência Extraordinária
*Crise
*Revolução científica
* Teorias não evoluem para a aproximação à verdade
* Uma teoria cientifica depende do consenso da comunidade cientifica numa determinada época
*Conhecimento científico não é objectivo


Gonçalo Rocha 11ºA


Obrigado!

Quer consultar uma das suas obras?

http://www2.unifap.br/rsmatos/files/2013/10/thomas_kuhn_estrutura_das_revolucoes_cientificas.pdf





                                            Lola



quarta-feira, 14 de maio de 2014

Thomas Kuhn






Thomas Kuhn (1922 – 1996)


Nasceu a 18 de Julho em Cincinnati - Ohio (Estados Unidos)

Professor de Filosofia e História da Ciência em Harvard, Berkeley e Boston
(Especialização em Física)

Thomas Kuhn, tal como Popper, é um epistemólogo contemporâneo interessado em explicar as lógicas de desenvolvimento do conhecimento científico. Apresenta, no entanto, uma perspectiva que não sendo em todos os aspectos oposta à de Popper, é diferente no que toca à linguagem utilizada (aparelho conceptual) e, fundamentalmente, no que respeita à sua visão descontinuísta da história e evolução da ciência. Mudou por completo a noção que se tinha sobre o progresso científico. Anteriormente, pensava-se que a ciência progredia de forma contínua, por melhoramentos consecutivos, que iam sendo adicionados por sucessivos cientistas. Na sua célebre obra A Estrutura das Revoluções Científicas (1962) defendeu que os grandes progressos da ciência não resultam de mecanismos de continuidade, mas sim de mecanismos de ruptura. Uma ciência que evolui de forma contínua atravessa uma etapa do seu desenvolvimento designada, nesta teoria, por Ciência Normal. Durante esse período, o mundo ao qual essa ciência se aplica é visto por todos os seus praticantes segundo uma mesma perspectiva. Todos vêm o mundo da mesma maneira. A certa altura, alguns dos praticantes dessa ciência começam a descobrir contradições internas e chegam à conclusão que a forma de ver o mundo em que essa ciência se baseia não é adequada. Começam a descobrir que o mundo devia ser olhado de outra maneira. Às diversas formas de ver o mundo segundo determinados Modelos Teóricos vigentes, Kuhn chamou paradigmas. Quando alguém descobre um paradigma distinto, sobre o qual é possível basear o desenvolvimento duma ciência, diz-se que a ciência é, durante esse período, uma Ciência Revolucionária.
Segundo Kuhn, uma ciência evolui por etapas que ora são de evolução normal, ora de ruptura revolucionária, sendo as rupturas revolucionárias que mais contribuem para o progresso dessa ciência. Na Astronomia, por exemplo, durante muitos anos acreditou-se no paradigma geocêntrico, segundo o qual o Sol rodaria à volta da Terra. Todos os cálculos matemáticos da altura, realizados sobre os movimentos dos planetas, confirmavam que o paradigma geocêntrico era o correcto. A certa altura, no entanto, alguns astrónomos e físicos começaram a conjecturar que as irregularidades que detectavam em alguns dos cálculos só poderiam ser explicadas se a Terra rodasse em torno do Sol, e não ao contrário. Durante muitos anos, as suas convicções provocaram fenómenos de perseguição e rejeição social, acusações de heresia e, em alguns casos mais extremos, a perda da própria vida, imolada nas fogueiras da Inquisição; mas, a partir de certa altura, os cálculos começaram a confirmar que, de facto, a razão estava do lado deles e o paradigma heliocêntrico impôs-se.

É curioso observar que Pedro Nunes, o nosso maior matemático e um dos grandes matemáticos do mundo, na sua época, não aceitava o paradigma heliocêntrico, contrariando, assim, um número já significativo de contemporâneos seus. A razão que hoje se avança para explicar essa estranha posição é que na época os cálculos de previsão do movimento dos planetas se apresentavam muito mais rigorosos quando se recorria ao modelo geocêntrico, enquanto que o modelo heliocêntrico conduzia a anomalias de cálculo que ninguém, na altura, sabia explicar.


Para Kuhn a ciência é naturalmente conservadora, reproduzindo a atitude natural do homem à qual não se furta, também, a própria comunidade científica: é muito mais seguro e cómodo conservar os modelos explicativos (Paradigmas) do que submetê-los a sucessivos exames e transformações. A comunidade científica procura naturalmente conservar os paradigmas vigentes, resistindo o mais possível às mudanças impostas pelas novas conjecturas, procurando resguardar as “verdades” já constituídas de qualquer crise iminente. Este espírito dogmático (resistente à mudança) ocorre na fase designada por “ ciência normal”. Nesta fase, toda a comunidade científica trabalha no sentido de consolidar / conservar as explicações consensualmente em vigor, resistindo a toda a inovação e aos conflitos de posições que possam pôr em risco a estabilidade dos modelos científicos.
Porém, quanto maior é a obstinação da comunidade científica em defender um modelo ou uma teoria ultrapassada, mais se manifesta a necessidade de a substituir: quanto maior é a resistência em reconhecer a eficácia explicativa dos novos modelos, mais acelerada é a crise que procuraram evitar e maior é a ruptura entre os modelos caducos e os novos modelos (novos paradigmas). Esta é a dinâmica que corresponde à REVOLUÇÃO na CIÊNCIA, da qual resultará uma fase de Ciência Extraordinária – fase que já encerra o novo paradigma que passará, à semelhança do paradigma anterior, por um período mais ou menos longo de desenvolvimento e consolidação (Ciência Normal), até se verificar a emergência/necessidade de uma nova Crise.



Conclui-se, assim, que mesmo que a ciência encerre, temporária e naturalmente, alguma tendência dogmática, esta será sempre ultrapassada pelo próprio dinamismo inerente ao progresso científico. A natureza da ciência é avessa a qualquer espécie de dogmatismo e de conservadorismo. 



                                                                                                                                                Lola
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