Rede conceptual da Acção
A Margarida, uma aluna muito solidária, tirou o curso de medicina e tem feito acções de voluntariado em África e Timor!
A rede conceptual da acção humana é um conjunto interligado de conceitos através dos quais definimos a acção humana. Assim, para que exista uma acção humana são necessários 4 elementos:
1. O agente
- É aquele que pode responder à questão:”"QUEM?"
- A acção implica sempre um sujeito, que é designado, na rede conceptual, como o agente;
- É o autor da acção;
- Decide e realiza;
- É aquele que pratica a acção;
- É aquele a quem pode ser imputada a acção.
- O sujeito no interior do qual se encontram os motivos que podem esclarecer-nos quanto à intenção da acção;
- É o elemento que dispondo de liberdade e vontade teria o poder de praticar gratuitamente as acções que quisesse.
- O conceito de agente só se compreende se o considerarmos nas relações que mantém com outros conceitos (intenção, motivo e finalidade).
Exemplo: A Margarida
2. A intenção
- Responde à questão: "O QUÊ?"
- É o que nos propomos realizar, ou seja, o que está no nosso intento fazer.
- A intenção traduz aquilo que o agente quer fazer, atingir ou obter.
- A intenção é, de certo modo, uma antecipação da acção.
- Acarreta consigo, de modo implícito, a escolha e planeamento da acção – concepção (consiste na representação de uma meta a atingir, de um objectivo a realizar) a ponderação dos meios possíveis de a concretizar e avaliação das consequências que dela podem advir – deliberação.
- Não existe também sem a decisão pois aquilo que o agente se propõe fazer
- É a determinação de uma entre várias hipóteses de actuação.
- O agente actua sempre intencionalmente isto é, na intenção de … ou com a intenção de…isto significa que o agir humano é sempre intencional ou, por outras palavras, que o ser humano sabe sempre o que quer e porque quer. Há que saber os motivos para clarificar a acção.
- A intenção implica um agente consciente.
- A intenção ajuda-nos a atribuir a acção a um agente.
- Consiste naquilo que o agente quer realizar; é aquilo para que a acção aponta, sendo resultado de uma decisão.
- A intenção encontra o seu porquê nos motivos.
Exemplo: Tirou o curso de Medicina.
3. O Motivo
- Responde à questão "PORQUÊ?"
- Há que saber os motivos para clarificar a acção.
- Motivo: o que leva a agir. Responde ao porquê da acção.
- Todo o agir humano é guiado por motivos que o desencadeiam.
- O motivo possui dinamismo, é uma espécie de força ou tendência que leva o indivíduo, logo que as circunstâncias o permitam, a realizar o seu intento, que pode consistir na realização de actos ou na produção de qualquer coisa.
- o agente já não é simplesmente aquele que tem o poder de realizar gratuitamente uma acção, mas aquele que a pratica porque é movido por determinados motivos.
- Os motivos são uma forma de interpretar a acção, dar uma razão de, uma explicação, interpretar a acção tornando-a inteligível para os outros e para mim.
Nota: os motivos não são explicados, mas sim, interpretados ou compreendidos, a partir da intenção que atribuímos ao sujeito que age.
Exemplo: Porque é uma pessoa solidária
Exemplo: Porque é uma pessoa solidária
4. Finalidade
- Responde à questão: PARA QUÊ?
- É o projecto,
- É a meta a atingir;
- O que activou, dirigiu e motivou o comportamento do agente.
Exemplo: para fazer voluntariado junto dos povos de África e Timor.
Tarefa:
"Durante a minha vida, fiz muitas vezes coisas que não tinha decidido fazer e não fiz outras que tinha firmemente decidido fazer. Algo que existe em mim, seja lá o que fôr, age; algo que me faz ir ter com uma mulher que já não quero voltar a ver, que faz ao superior um reparoque me pode custar o emprego, que continua a fumar embora eu tenha decidido deixar de fumar quando me resignei a ser um fumador para o resto dos meus dias. Não quero dizer que o pensamento e a decisão não tenham alguma influência na acção. Mas acção não decorre só do que foi pensado e decidido antes. Surge de uma fonte própria e é tão independente como o meu pensamento e as minhas decisões."
B. Schlink, o leitor,
Porto Asa, pp. 16 e 17.
1. Será que o autor defende que agimos sempre de acordo com a rede conceptual da acção?
2. Será que a acção humana é sempre previsivel?
3. Será que o autor defende a existência de livre-arbítrio?
4. Será que a acção humana depende sempre da decisão do sujeito?
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