Tipos de Argumentos:
Argumento por Analogia
Para além dos argumentos dedutivos temos então os
argumentos:
1. Por analogia
2. Indutivos (generalizações a partir de exemplos)
3. Sobre causas
4. De autoridade
1.
Juntamente com os argumentos dedutivos, os argumentos por analogia são
os mais utilizados pelos filósofos.
Os argumentos por analogia costumam apresentar a
seguinte forma:
Os x são E.
Os y são como os x.
Logo, os y são E.
Os argumentos por analogia partem da ideia de que se
diferentes coisas são semelhantes em determinados aspectos, também o serão
noutros.
Veja-se o exemplo seguinte:
Os soldados de um batalhão têm de
obedecer às decisões de um comandante para atingir os seus objectivos.
Uma equipa de futebol é como um batalhão.
Logo, os jogadores de uma equipa de futebol têm de obedecer às decisões de um
comandante (treinador) para atingir os seus objectivos.
O termo “como” na segunda premissa está destacado.
Esse termo indica que estamos a estabelecer uma comparação entre situações
análogas, característica dos argumentos por analogia. Mas será que apenas pela
forma do argumento ficamos a saber se é aceitável ou não?
Para tornar clara a resposta a esta pergunta,
compare-se o argumento anterior com o seguinte:
Os soldados de um batalhão andam armados
quando treinam.
Uma equipa de futebol é como um batalhão.
Logo, os jogadores de futebol andam armados quando treinam.
A primeira coisa que se torna evidente é que, ainda
que o primeiro argumento possa ser aceitável, este último não o é com toda a
certeza. Acontece, porém, que ambos exibem exactamente a mesma forma.
Concluímos, assim, que a mera inspecção da sua forma não nos permite
classificar os argumentos por analogia como bons ou maus. Portanto, a qualidade
destes argumentos não depende da sua forma lógica.
Encontramos com a mesma forma bons e maus argumentos
por analogia. Por isso é que tais argumentos não fazem parte da lógica formal.
Por isso também não dizemos que um argumento por analogia é válido ou inválido,
coisa que só se aplica aos argumentos dedutivos.
Nos argumentos por analogia nunca podemos garantir
logicamente que de premissas verdadeiras se obtêm sempre conclusões
verdadeiras. Isto é, os argumentos por analogia não possuem a característica de
preservar logicamente a verdade.
Os bombeiros dividem-se em batalhões,
obedecem a uma hierarquia e têm um quartel, como os polícias.
Os polícias usam farda.
Logo, os bombeiros usam farda.
Vimos que um argumento por analogia não é válido ou
inválido, mas que nem todos os argumentos por analogia são maus. Costuma-se
dizer que os argumentos por analogia são fortes ou fracos.
Como distinguimos uns dos outros?
O argumento anterior é constituído por premissas e
conclusão verdadeiras. Aparentemente é um argumento forte por analogia. Mas
veja-se agora um outro argumento por analogia (com a mesma forma do anterior,
claro) com premissas também verdadeiras, mas cuja conclusão é manifestamente
falsa:
Os bombeiros dividem-se em batalhões,
obedecem a uma hierarquia, têm um quartel e usam farda, tal como os polícias.
Os polícias usam arma.
Logo, os bombeiros usam arma.
Este argumento é, sem dúvida, fraco. Até porque a
conclusão é falsa. Ao avaliar um argumento por analogia no sentido de saber se
é forte ou fraco, temos de estar atentos a três critérios, os quais se
manifestam nas seguintes perguntas:
1. As semelhanças
apontadas nos casos que estão a ser comparados são relevantes para
a conclusão que se quer inferir?
2. A comparação tem por
base um número razoável de semelhanças?
3. Apesar das semelhanças
apontadas, não haverá diferenças fundamentais entre os casos
que estão a ser comparados?
Aplicando
os critérios patentes nas perguntas anteriores, podemos verificar se uma
analogia é forte ou fraca.
No
caso do argumento anterior, por exemplo, verificamos que falha os critérios 1e
3. As semelhanças entre os bombeiros e os polícias são muitas, mas não são
relevantes para a conclusão que se quer tirar. Nenhuma delas está sequer
relacionada com o uso de arma, falhando assim o critério 1. Mas também falha o
critério 3 porque existe uma diferença fundamental entre os bombeiros e os
polícias. Estes fazem parte de uma força da ordem, necessitando por isso dos
meios para a restabelecerem quando é perturbada; aqueles são membros de uma
força de paz, não necessitando de quaisquer meios de coacção.
Aires de Almeida, Lógica informal
Lola
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