As Condicionantes da Acção Humana
Será o homem plenamente livre no agir? Justifique.
Poderíamos dizer que sim se o homem não se deparasse com qualquer tipo de obstáculo à sua acção, pois o homem possui a capacidade de deliberação, de decisão e de escolha, mas na realidade o homem não é plenamente livre no seu agir pois existem vários limites, restrições, entraves, bloqueios, obstáculos ou condicionantes ao seu agir.
A liberdade de que eventualmente dispomos não é absoluta, mas situada, contextualizada e condicionada. A acção humana é consciente, voluntária e intencional, mas há condicionantes que a limitam, ou seja, o ser humano (o agente) é livre mas não é totalmente livre pois as acções realizadas pelo agente são condicionadas por dimensões que constituem a Humanidade.
Apresente as condicionantes da acção humana.
Estas condicionantes podem ser de vários tipos: biológicas, socioculturais e psicológicas.
Condicionantes biológicas podem ser: a existência de doenças, o mau funcionamento de órgãos internos, e a herança genética ( como a côr de olhos ou cabelo).
As condicionantes socioculturais podemos considerar: o grupo social em que nos inserimos, a época histórica em que vivemos, a religião que seguimos, o nível económico que temos, os valores que defendemos e educação que recebemos.
E por fim as condicionantes psicológicas que podem ser: a nossa bagagem intelectual, a inteligência que temos, os nossos sentimentos e os afectos, o que gostamos e o que não gostamos e as aptidões espirituais.
Relacione liberdade e condicionantes da acção humana.
A liberdade e as condicionantes da acção humana estão relacionadas porque as condicionantes limitam a liberdade, ou seja, o nosso livre-arbítreo. As condicionantes tornam a liberdade condicionada, tornam a liberdade uma necessidade contextualizada. Até porque não é possível pensar o homem sem estar inserido numa sociedade com uma determinada cultura que lhe impõem regras de convivência e leis que ele tem de respeitar.
O que são Condicionantes da Acção Humana?
As condicionantes da acção humana são todo o conjunto de constrangimentos e obstáculos que lhe impõe limites. Mas, ao mesmo tempo que limitam, abrem de igual modo um horizonte de possibilidades, assumindo-se também, de certo modo, como condições do agir. Estes factores poderão ser internos ou externos, temporários ou permanentes.
Estas condicionantes podem ser de vários tipos: biológicas, socioculturais e psicológicas.
Condicionantes biológicas ligadas à nossa constituição morfológica e fisiológica. : a existência de doenças, o mau funcionamento de órgãos internos, e a herança genética ( como a côr de olhos ou cabelo).
As condicionantes socioculturais factores de carácter histórico, cultural, social, económico, cientifico, tecnológico, religioso, entre outrospodemos considerar: o grupo social em que nos inserimos, a época histórica em que vivemos, a religião que seguimos, o nível económico que temos, os valores que defendemos e educação que recebemos.
E por fim as condicionantes psicológicas ligadas à personalidade do agente, ao seu temperamento ou aos seus estados psicológicos temporários e que podem ser: a nossa bagagem intelectual, a inteligência que temos, os nossos sentimentos e os afectos, o que gostamos e o que não gostamos e as aptidões espirituais.
Condicionantes físico-biológicas
A nossa constituição genética impõe – nos limites: não podemos voar como algumas aves, não podemos viver dentro de água como os peixes. Mas somos dotados de inteligência e criatividade que nos permitem voar de avião, passar bastante tempo debaixo de água.
Programa constituído por um conjunto
de genes que não determinam de forma absolutamente rígida características e
comportamentos.
Imagine que a maioria dos nossos
comportamentos são biologicamente herdados, como se fôssemos abelhas. Quanto
mais comportamentos herdamos por via biológica menos comportamentos podemos
aprender. Sabemos que as abelhas apresentam comportamentos muito complexos mas
são os únicos que pode realizar porque quase toda a sua conduta está
determinada geneticamente. O ser humano não está submetido ao determinismo
biológico.
Dependemos mais do que fazemos com o
que nos é dado do que do que nos é dado. A relativa indeterminação biológica, o
facto de os nossos comportamentos não serem rigidamente controlados pela nossa
herança genética, abre ao ser humano a possibilidade de auto- determinação, e
torna - o essencialmente uma criatura social e cultural. Inacabados e
desprotegidos pela natureza, cabe aos seres humanos completar o seu projecto
por si próprios, usando a razão e a reflexão, que só eles têm.
Condicionantes físico-biológicas da espécie, quando consideramos as características que partilhamos com os indivíduos da nossa espécie, enquanto seres humanos. Exemplo de limitações são os que decorrem da constituição fisiológica e da anatomia do nosso corpo, como, por exemplo: incapacidade de suportar temperaturas ou pressões atmosféricas extremas; impossibilidade de voar ou respirar debaixo de água.
Condicionantes fisíco-biológicas individuais quando atendemos às características
físicas e biológicas de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos.
Exemplos deste tipo de limitações são os que se relacionam com a estrutura
única do nosso património genético individual: doenças
hereditárias ou congénitas.
O património genético que os seres humanos
herdam dos seus progenitores determina um conjunto de condicionantes das suas
acções. A estrutura biológica de cada um, assim como a sua relação com o meio
condiciona aquilo que ele quer fazer.
O ambiente e recursos materiais condicionam a
acção humana (recursos, matérias-primas, clima, condições ambientais).
. Nos condicionantes físicos e biológicos há
leis a que estamos submetidos, quer sejam, leis físicas, químicas ou
biológicas, ou seja, há muitas coisas que não são permitidas fazer. Há decisões
que não estão ao nosso alcance como por exemplo, crescer mais vintes
centímetros ou ainda respirar debaixo de água.
Como ser biológico, há um conjunto de acções
que, de modo algum, podemos deixar de realizar. Para continuarmos vivos, temos
que providenciar alimentos adequados, construir abrigos que nos defendam das
tempestades, e descansar ao fim de algum tempo de actividade.
Isto tudo mostra que como seres da natureza
existem determinadas coisas que nos são impedidas de fazer e assim nos obriga a
fazer um conjunto de acções específicas, ou seja, numa situação de fome severa
ou frio extremo, todas as nossas condutas seriam condicionadas pela prioridade
de encontrar alimento e abrigo. Nestas circunstâncias não nos distinguimos
muito de outro ser animal.
Condicionantes Histórico- Culturais
A acção humana depende do contexto
cultural e social em que se realiza.
No ser humano a adaptação cultural prevaleceu ao longo da história sobre a adaptação biológica. Graças à cultura o homem pode adaptar – se modificando o seu próprio meio e não simplesmente ajustando – se a ele. Quando graças à cultura o ser humano modifica o seu meio de modo a torná – lo mais favorável no que respeita à satisfação das suas necessidades ou à sua sobrevivência, diz – se que a cultura tem uma função adaptativa. Trata – se de uma adaptação criativa e inventiva. Enquanto, por exemplo, as outras espécies animais adaptam o seu corpo ao alimento que podem consumir, o ser humano adaptou o alimento ao seu corpo e assim se tornou omnívoro.
Não nos adaptamos a um determinado
meio como uma chave se adapta a uma fechadura. Transformamos o meio mediante a
nossa imaginação e as nossas capacidades de raciocínio e de reflexão. Somos
«programados para aprender». Temos, em comparação com os outros animais, a
possibilidade de agir segundo normas e padrões de comportamento aprendidos, de
modificar as aprendizagens efectuadas. Assim, há em nós um reduzido conjunto de
comportamentos de base instintiva e estereotipada.
Condicionantes histórico-culturais: a época histórica e o meio
sócio-cultural influenciam o nosso modo de ser, pensar e agir.
A época histórica e o
meio sociocultural influenciam as nossas decisões.
Através do processo de socialização cada ser humano apreende e interioriza os elementos da cultura a que pertence: linguagem, valores, regras, crenças, formas de sentir, de ser e de estar.
Acerca dos
condicionantes históricos e culturais: a nossa natureza é a de um ser racional
que se vai construindo no desenvolvimento da história e no seio de uma cultura.
Desde que nascemos, recebemos dos nossos pais um conjunto de capacidades,
hábitos, atitudes e conhecimentos. O mais simples dos gestos humanos está na
herança que recebemos, não há acto humano que não seja manifestação de cultura.
Em situações de grande necessidade, o ser humano nunca se liberta totalmente
dos traços adquiridos no meio histórico e social em que se construiu.
Um filósofo contemporâneo que disse:” os
gatos nascem gatos, ao passo que os homens não nascem homens”, isto é, a nossa
humanidade não vem inscrita no ADN. Nós fazemos refeições, escolhemos e
preparamos os alimentos de acordo com os nossos hábitos.
Isto mostra que toda a nossa existência
é condicionada pelo ambiente histórico, social e cultural em que nos inserimos.
Condicionantes psicológicas
As nossas acções também dependem das nossas características psicológicas. Se decido deixar de fumar, a realização dessa decisão – a acção de deixar de fumar – vai depender em parte da minha força de vontade, da capacidade de persistência e do grau de motivação.
A personalidade condiciona o modo como
actuamos e nos relacionamos com o OUTRO. Características como a força de vontade ou a falta dela, a timidez, o conformismo, rebeldia ou pessimismo são factores de índole psicológica que possibilitam e limitam o agir humano.
A personalidade, o
temperamento e as características psicológicas de cada um também condicionam a
sua acção.
NOTA:
Apesar das condicionantes o homem
possui sempre alguma margem de liberdade para agir. As suas decisões implicam
escolhas entre uma pluralidade de opções possíveis.
Embora existam impedimentos que limitam a
nossa capacidade de escolha, mas a consciência de que há limites não nos tira a
capacidade de escolher e decidir. A consciência desses limites constitui um
desafio para os ultrapassar.
Só o homem tem a capacidade de projectar o
seu futuro.
A existência de
condicionantes não implica a inexistência de livre-arbítrio.
Sintese:
A crença na liberdade e as condicionantes da acção humana
As condicionantes da acção humana, ao mesmo tempo que a limitam, também lhe abrem um horizonte de possibilidades, assumindo-se, deste modo, como condições do próprio agir.
Consideram-se as seguintes:
Condicionantes físico-biológicas: todas as nossas acções estão
dependentes da nossa morfologia e fisiologia, no sentido em que, a maneira como
nos envolvemos com o ambiente e com a sociedade depende das características do
nosso corpo, algumas das quais, são herdadas geneticamente. Estas condições
limitam determinadas acções, mas possibilitam outras.
Condicionantes psicológicas: quando se abordam as
condicionantes psicológicas, estas estão inerentes à personalidade,
temperamento, carácter, ou estados psicológicos temporários. Estas
condicionantes, por exemplo, limitam-nos de estar feliz depois da morte de um
familiar próximo, mas por outro lado, permitem-nos estar felizes no nosso dia
de anos, ou depois de receber uma boa nota num teste.
Condicionantes histórico-culturais: a acção humana, está também
dependente do ambiente social em que se situa. O conjunto de regras, hábitos,
costumes e padrões influenciam a acção humana. Logo, podemos tomar uma dada
decisão num determinado lugar, e, na mesma situação, mas noutro local, tomar
uma decisão diferente.
Lola
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