Falácias Informais
O objetivo de um argumento é expor as razões que sustentam uma conclusão. Um argumento é falacioso quando parece que as razões apresentadas sustentam a conclusão, mas na realidade não sustentam. Da mesma maneira que há padrões típicos, largamente usados, de argumentação correta, também há padrões típicos de argumento falacioso. A tradição lógica e filosófica procurou inventariar e nomear essas falácias típicas e este guia pretende listá-las.
Guia das falácias de Stephen Downes
http://www.lemma.ufpr.br/wiki/images/5/5c/Falacias.pdf
Estas são algumas das Falácias Informais:
FALÁCIA |
DESCRIÇÃO |
EXEMPLO |
Generalização precipitada |
A amostra é demasiado limitada e é usada
apenas para apoiar uma conclusão tendenciosa. |
Fred, o australiano, roubou a minha carteira. Portanto, os
Australianos são ladrões. (Claro que não devemos julgar os Australianos
na base de um exemplo.) |
Amostra não
representativa |
Há diferenças relevantes entre a amostra usada na inferência indutiva
e a população como um todo |
As maçãs do topo da
caixa parecem boas. Todas as maçãs desta caixa devem ser boas.(As maçãs com
bicho, claro, estão em camadas mais fundas...) |
Falsa analogia |
Numa
analogia mostra-se, primeiro, que dois objectos, A e B, são semelhantes em
algumas das suas propriedades, F, G, H. Conclui-se, depois, que como a tem a
propriedade E, então b também deve ter a propriedade E. A analogia falha
quando os dois objectos, a e b, diferem de tal modo que isso possa afectar o
facto de ambos terem a propriedade E. Diz-se, neste caso, que a analogia não
teve em conta diferenças relevantes. |
Os
empregados são como pregos. Temos de martelar a cabeça dos pregos para estes
desempenharem a sua função. O mesmo deve acontecer com os empregados. |
Apelo à autoridade |
Ainda
que às vezes seja apropriado citar uma autoridade para suportar uma opinião,
a maioria das vezes não o é. O apelo à autoridade é especialmente impróprio
se: -
A pessoa não está qualificada para ter uma opinião de perito no assunto. -
Não há acordo entre os peritos do campo em questão. A
autoridade não pode, por algum motivo ser levada a sério — porque estava a
brincar, estava ébria ou por qualquer outro motivo. Uma
variante da falácia do apelo à autoridade é o “ouvi dizer” ou “diz-se que”.
Um argumento por “ouvir dizer” é um argumento que depende de fontes em
segunda ou terceira mão. |
O
famoso psicólogo Dr. Frasier Crane recomenda-lhe que compre o último modelo
de carro da Skoda. |
Petição de princípio |
A
verdade da conclusão é pressuposta pelas premissas. Muitas vezes, a conclusão
é apenas reafirmada nas premissas de uma forma ligeiramente diferente. Nos
casos mais subtis, a premissa é uma consequência da conclusão. |
Sabemos que Deus
existe, porque a Bíblia o diz. E o que a Bíblia diz deve ser verdadeiro, dado
que foi escrita por Deus e Deus não mente. (Neste caso teríamos
de concordar primeiro que Deus existe para aceitarmos que ele escreveu a
Bíblia.) |
Falso dilema |
É dado um limitado número de opções (na maioria dos casos apenas
duas), quando de facto há mais. O falso dilema é um uso ilegítimo do operador
“ou”. Pôr as questões ou opiniões em termos de “ou sim ou sopas” gera, com
frequência (mas nem sempre), esta falácia. |
Ou concordas comigo ou não. (Porque se pode concordar parcialmente). |
Falsa relação causal (post hoc ergo propter hoc) |
O nome em Latim significa: “depois disso, logo, por causa disso”.
Isto descreve a falácia. Um autor comete a falácia quando pressupõe que, por
uma coisa se seguir a outra, então aquela teve de ser causada por esta. |
A
imigração do Alentejo para Lisboa aumentou mal a prosperidade aumentou.
Portanto, o incremento da imigração foi causado pelo incremento da
prosperidade. |
Ad hominem (argumentum ad hominem) |
Ataca-se pessoa que apresentou um argumento e não o argumento que apresentou. A falácia ad hominem assume muitas formas. Ataca, por exemplo, o carácter, a nacionalidade, a raça ou a religião da pessoa. Em outros casos, a falácia sugere que a pessoa, por ter algo tem algo a ganhar com o argumento, é movida pelo interesse. A pessoa pode ainda ser atacada por associação ou pelas suas companhias. Há
três formas maiores da falácia ad hominem: - Ad hominem (abusivo): em vez de atacar uma
afirmação, o argumento ataca pessoa que a proferiu. Ad hominem (circunstancial): em vez de atacar uma
afirmação, o autor aponta para a relação entre a pessoa que a fez e as suas
circunstâncias. Tu quoque: esta forma de ataque à pessoa consiste em
fazer notar que a pessoa não pratica o que diz. |
-
Podes dizer que Deus não existe mas estás apenas a seguir a moda. (ad
hominem abusivo). -
É natural que o
ministro diga que essa política fiscal é boa porque ele não será atingido por
ela (ad hominem circunstancial). - Dizes que eu não devo beber, mas não estás
sóbrio faz mais de um ano (tu quoque). |
Ad populum (argumentum ad populum) |
Com esta falácia sustenta-se que uma proposição é verdadeira por ser
aceite como verdadeira por algum sector representativo da população. Esta
falácia é, por vezes, chamada “Apelo à emoção” porque os apelos emocionais
pretendem atingir, muitas vezes, a população como um todo. |
As sondagens sugerem que os liberais vão ter a
maioria no parlamento, também deves votar neles. |
Apelo à ignorância (argumentum ad ignorantiam) |
Os argumentos desta classe concluem que algo é verdadeiro por não se
ter provado que é falso; ou conclui que algo é falso porque não se provou que
é verdadeiro. (Isto é um caso especial do falso dilema, já que presume que
todas as proposições têm de ser realmente conhecidas como verdadeiras ou
falsas). |
Os fantasmas existem! Já provaste que não
existem? |
Boneco de palha ou Espantalho |
O argumentador, em vez de atacar o melhor argumento do seu opositor,
ataca um argumento diferente, mais fraco ou tendenciosamente interpretado.
Infelizmente é uma das “técnicas” de argumentação mais usadas. |
As
pessoas que querem legalizar o aborto, querem prevenção irresponsável da
gravidez. Mas nós queremos uma sexualidade responsável. Logo, o aborto não
deve ser legalizado. |
Derrapagem ou Bola de
Neve |
Para mostrar que uma proposição, P, é inaceitável, extraem-se
consequências inaceitáveis de P e consequências das consequências... O
argumento é falacioso quando pelo menos um dos seus passos é falso ou
duvidoso. Mas a falsidade de uma ou mais premissas é ocultada pelos vários
passos “se... então...” que constituem o todo do argumento. |
Se aprovarmos leis contra as armas automáticas,
não demorará muito até aprovarmos leis contra todas as armas, e então
começaremos a restringir todos os nossos direitos. Acabaremos por viver num
estado totalitário. Portanto, não devemos banir as armas automáticas. |
TAREFA:
Identifique
as seguintes falácias:
1. Perguntei a seis dos meus amigos o que eles pensavam das novas
restrições ao consumo e eles concordaram em que se trata de uma boa ideia.
Portanto as novas restrições são populares.
2. Para ver como os
Portugueses vão votar na próxima eleição sondou-se uma centena de pessoas em
Bragança. Isto mostra, sem dúvida, que a direita vai limpar as eleições. (As
pessoas de Bragança tendem a ser mais conservadoras e, portanto, mais propensas
a votar em partidos de direita do que as outras pessoas no resto do país.)
3. Governar um país é como gerir uma empresa.
Assim, como a gestão de uma empresa responde unicamente ao lucro dos seus
accionistas, também a governação deve fazer o mesmo. (Mas os objectivos da
governação e da gestão de uma empresa são muito diferentes; assim,
provavelmente têm de encontrar critérios diferentes.)
4. O economista John Kenneth Galbraith defende
que uma apertada política económica é a melhor cura para a
recessão. (Apesar de Galbraith ser um perito, nem todos os economistas
estão de acordo nesta questão.
5. Encaminhamo-nos para uma guerra nuclear. A
semana passada Ronald Reagan disse que começaríamos a bombardear a Rússia em
menos de cinco minutos. (Claro que o disse por piada ao testar o microfone.)
6. Sousa disse que nunca perdoaria ao
Pinto. (Trata-se de um caso de “ouvir dizer” — de facto ele apenas disse
que Pinto nada tinha feito para ser perdoado.)
7. Dado que
não estou a mentir, segue-se que estou a dizer a verdade.
8. Reduz-te ao silêncio ou aceita o país que
temos. (Porque uma pessoa tem o direito de denunciar o que entender.)
9. Ou votas no Silveira ou será a desgraça
nacional. (Porque os outros candidatos podem não ser assim tão maus.)
10. Uma pessoa ou é boa ou é má. (Porque muitas
pessoas são apenas parcialmente boas.)
11. Tomei um chá de limão e dois dias depois a
minha constipação desapareceu...
12. É natural que o ministro diga que essa
política fiscal é boa porque ele não será atingido por ela (ad
hominem circunstancial).
13. Se você fosse bela
poderia viver como nós. Compre também Buty-EZ e torne-se bela. (Aqui
apela-se às “pessoas bonitas”)
14. Toda a gente sabe que a
Terra é plana. Então por que razão insistes nas tuas excêntricas teorias?
15. Como os cientistas não podem provar que se vai
dar uma guerra global, ela provavelmente não ocorrerá.
16. Rita disse que era mais esperta do que Joana,
mas não o provou. Portanto, isso deve ser falso.
17. Devemos manter o recrutamento obrigatório. As
pessoas não querem o fazer o serviço militar porque não lhes convém. Mas devem
reconhecer que há coisas mais importantes do que a conveniência.
18. Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas.
19. Se eu abrir uma excepção para ti, terei de
abrir excepções para todos.
20. Xavier, o espanhol, roubou a minha carteira. Portanto, os espanhóis são ladrões.
21. Afonso disse que era mais esperto do que João, mas não o provou. Portanto, isso deve ser falso.
22. Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas.
23. Dado que não estou a mentir, segue-se que estou a dizer a verdade.
24. Simone de Beauvoir era uma mulher adúltera logo, a sua obra não tem qualquer valor filosófico.
25. Uma funcionária do IPO morreu dois dias depois de ter recebido a vacina para o covid 19. Logo, a vacina provocou-lhe a morte.
26.Para Marcelo Rebelo de Sousa o salário mínimo de 635 euros é "razoável no contexto português" (https://www.dn.pt/poder/marcelo-salario-minimo-de-635-euros-e-razoavel-no-contexto-portugues-11546625.html)
Lola
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