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sábado, 21 de outubro de 2017

Até sempre




Até sempre!


21 de Outubro de 2015!
Manhã de outono!
Na sala de aula ensino Lógica aos alunos de Filosofia do 11º Ano!Procuro pensar com eles a vantagem de pensar bem, de tornar os raciocínios formalmente válidos, de seguir com rigor os princípios lógicos evitando, desse modo, incoerências, sofismas e ambiguidades!
As aulas vão correndo como sempre...a vida, que está lá fora, também!Entre sorrisos e momentos de ansiedade pela resposta que se pensa errada, os minutos vão passando quase sem darmos conta!
A poucos metros da Escola uma mãe, qual Pietá de Michelangelo, acabara de ver o seu filho, o seu grande amor, despedir-se da dor, da incerteza, do desconforto dos dias, do sorriso transparente daquele ser de quem todos, por uma razão ou por outra, aprenderamos a admirar e a gostar com doçura.
O intervalo sobressalta o meu pensamento!
À porta da sala de aula, a directora da escola esperou que os alunos saíssem e entrou, pausadamente, dirigindo-se para a secretária onde eu acabava de arrumar livros e folhas com a planificação da aula!
Senta-se na primeira mesa, mesmo em frente à secretária e, com a serenidade de quem não pode largar o momento, nem deixar-me surpreender por alguém que não tivesse a sensibilidade capaz de amaciar a dor maior de uma mãe como eu, orfã de uma filha, disse baixinho:
-Rosa, o João Reimão faleceu!
Imediatamente as lágrimas descontroladas cobriram o meu rosto de professora, de amiga e de mãe!
- Rosa, tu sabias que o João estava a sofrer...
-Pois, mas eu gostava tanto dele...desabafei como que a racionalizar a sempre inesperada  perda saudosa.
Alguns anos antes, o meu Joãozinho, como eu lhe chamava, tinha sido meu aluno durante dois anos! De uma elegância de trato extraordinária, de um saber ser e estar irrepreensível, era, para mim, um suave consolo tê-lo comigo numa busca de futuro, que por vezes vai rareando na sala de aula! Pouco dado a grandes divagações filosóficas, era seu timbre a apresentação escorreita, limpa e sintética dos conhecimentos, que a sua já normal atenção e empenho deixavam antever!
Às vezes abordava-o no lugar e perguntava:
- E você quem é para mim?
- Sou o seu Joãozinho, respondia com um sorriso de quem levara a sério a primeira vez que o tratei em esta  ternurinha.
Ficamos amigos! Eu tinha-o e tê-lo-ei, sempre,  no meu coração!
Um dia a noticia nocturna chegou! E ele falou, quando nos encontrávamos e ia dizendo como estava...como se sentia! 
Admirei sempre o modo como enfrentou, a esperança que expressava, o desejo de estar connosco deste lado, mesmo que com os seus conhecimentos específicos, soubesse que a vida lhe estilhaçara a serenidade que, com tanta doçura, ele procurava e merecia!

21 de Junho de 2015!
O meu pai Zé parte para a eternidade! Agora eu  não tinha a minha Diana, não tinha mãe e o meu pai, meu companheiro dos últimos anos, também me deixava  numa solidão amargamente sofrida!
Foram muitas as pessoas que estiveram comigo...foram muitas as que me ajudaram na perda já sentida e sofrida em dolorosos momentos! 
Há, porém, uma mensagem que nunca esquecerei e que transcrevo pois...sendo do João quero partilhá-la com todos vós. 
É este o perfume colorido das suas palavras:


·         24-06-2015 22:04
·   
     
·         João
·         Olá Professora,
·       
 
·         João
         Mais uma vez venho dar-lhe os meus sentimentos. Eu não tenho andado mui recomendável, no entanto, se necessitar de qualquer coisa que esteja ao meu alcance, quero que saiba que pode contar comigo. Da próxima vez que a vir, mesmo que não lhe possa dar um beijinho, que é o mais provável, vou querer um beijinho e um abraço seu. Gosto muito de si, como ser humano, como mulher e como amiga. Um beijinho enorme para si.
   


         O abraço de beijos tardou entre nós!
   Naquele dia que o visitei já o seu rosto tinha gelado...mas eu não me importei nem senti que partira...ele, o meu joaozinho, estava ali, sereno e com a sua carita morena que, também, fora minha numa despedida que ainda hoje me rasga o coração de mãe, de amiga e de professora!
          
·         Custa tanto ver partir os nossos alunos!



                                           Lola

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Até sempre




Até sempre

Morreu Maria Helena da Rocha Pereira, 
especialista em Estudos Clássicos

Foi a primeira mulher a doutorar-se na Universidade de Coimbra, onde foi também a primeira professora catedrática. Tinha 91 anos.

Maria Helena da Rocha Pereira, considerada a mais conceituada especialista portuguesa em Estudos Clássicos, morreu nesta segunda-feira aos 91 anos, revelou ao PÚBLICO uma fonte da família.
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Nascida em 1925, no Porto, foi a primeira mulher doutorada pela Universidade de Coimbra, em 1956, instituição onde leccionou até se jubilar, em 1995. Foi também a primeira professora catedrática daquela universidade. A sua obra abrange mais de 300 trabalhos, entre livros e artigos, publicados em Portugal e no estrangeiro.
Alunos e colaboradores com quem o PÚBLICO tem vindo a falar ao longo desta manhã distinguem a sua dedicação ao ensino, a "competência extrema" e o "rigor absoluto" que colocava em tudo o que fazia e que procurava transmitir aos milhares e milhares de alunos que passaram pelas suas mãos. "Coragem" é outra das palavras que Frederico Lourenço, tradutor e professor de Grego na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, usa para se referir a Rocha Pereira, dando como exemplo a sua formação inglesa, na década de 1950.
“É incrível pensarmos que ela, uma menina do Porto, parte sozinha naquela altura para estudar em Oxford, quando quem saía, raríssimos, o fazia para Paris... Uma mulher no Portugal do Estado Novo, fechado a tudo, numa área dominada por homens. Foi precisa uma enorme coragem, determinação, vontade de aprender, coisas que a Maria Helena da Rocha Pereira teve toda a vida”, diz Lourenço.
A sua ligação aos estudos clássicos que se faziam no Reino Unido e também na Alemanha – “ela falava muito bem alemão desde criança e isso ajudou muitíssimo porque lhe deu acesso a fontes que muitos não liam por não estarem traduzidas” – permitiram abrir Portugal nesta área, defende o também escritor de 54 anos, Prémio Pessoa 2016.
Lourenço nunca a teve como professora porque estudou em Lisboa, mas leu muito do que ela escreveu e contou com Maria Helena da Rocha Pereira no júri do seu doutoramento. “Havia um certo terror quando se sabia que a professora Rocha Pereira fazia parte do júri, simplesmente porque ela era de uma exigência extraordinária, em primeiro lugar consigo mesma, e depois com os outros.”
A catedrática da Universidade de Coimbra, há muito jubilada, acompanhava o que o autor ia fazendo e, embora não tivessem grande contacto pessoal, chegava a mandar-lhe cartões de felicitações por esta ou aquela obra.
Para Lourenço, tradutor de textos clássicos como Odisseia Ilíada, Rocha Pereira é um exemplo de dedicação à cultura e ao ensino, que via como um verdadeiro “sacerdócio”. Entre as muitas obras fundamentais que deixou, salienta a tradução de A República, de Platão (editada em 1972 pela, Gulbenkian, vai já na 14.ª edição). “A professora Rocha Pereira dá-nos uma panorâmica extraordinária da cultura grega ao traduzir a Hélade, Sófocles, Eurípedes, mas a mais fantástica é, na minha opinião, A República. É uma tradução que vai ficar para sempre porque é de uma imensa qualidade. E estamos a falar de um texto que é dificílimo de traduzir porque obriga a conhecimentos de grego muito exigentes e a um enquadramento filosófico muito sério.”
Como o PÚBLICO destacava em 2006, quando venceu o prémio Universidade de Coimbra, Maria Helena da Rocha Pereira estudou também as influências clássicas na literatura e cultura portuguesas, analisando inúmeros poetas - de Camões a Pessoa, passando por Camilo e Torga, entre muitos outros. Trabalho recolhido nos volumes Temas Clássicos na Poesia Portuguesa (1972), Novos Ensaios sobre Temas Clássicos na Poesia Portuguesa (1988) e Portugal e a Herança Clássica e Outros Textos (2003). O latim medieval também foi alvo da sua investigação, reunida no volume Pedro Hispano: Obras Médicas (1973), Vida e Milagres de São Rosendo (1970), Vida de Santa Senhorinha (1970) e Vida de São Teotónio (1987).

A arte grega, e em especial, a pintura de vasos, foi outra das áreas que mereceram a atenção de Rocha Pereira, traduzida no livro Greek Vases in Portugal (1962), do qual resultou a descoberta de um novo artista, designado por Pintor de Lisboa. Já os grandes autores gregos e latinos têm sido um dos aspectos mais relevantes da sua actividade. Dela resultaram duas antologias, uma de textos gregos e outra de textos latinos, respectivamente a Hélade (1959), que teve mais de uma dezena de edições, e a Romana (1976); Antígona (1958) e Ájax (2003), de Sófocles (1958); Medeia (1955), As Bacantes (1992) e AsTroianas (1996), de Eurípides; Sete Odes, de Píndaro (2003) e A República, de Platão.
Rocha Pereira ocupou os cargos de vice-reitora da UC, presidente Conselho Científico da Faculdade de Letras e directora das revistas Humanitas Biblos
Foi distinguida com o Prémio de Ensaio do Pen Club (1989), a Grã-Cruz da Ordem de Santiago de Espada e o Prémio Eduardo Lourenço (2005). Faz ainda parte de várias academias e sociedades científicas, nacionais e estrangeiras. Em 2010, recebeu o Prémio Vida Literária APE.
As cerimónias fúnebres de Maria Helena da Rocha Pereira realizam-se a partir das 15h de terça-feira na Igreja da Lapa, no Porto.

in PÚBLICO 
10 de Abril de 2017, 9:10



Lola

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Até sempre




Até sempre


Manuela

Hoje vesti de preto! Pura casualidade! 

Eram quase 17 horas e passei junto ao supermercado e vi numa folha anunciando falecimentos um rosto de cabelitos encaracolados que conheci hà cerca de trinta anos! A Manuela, com 48 anos tinha falecido e o funeral estava ,precisamente, a realizar-se! Era juiza em Santarém e das melhores alunas que encontrei ao longo da vida! Quando ela faltava, estudava os conteudos que previa que eu desse na aula, tão bem conhecia o meu ritmo! Confirmei agora na pagina do CONSELHO SUPERIOR DA MAGISTRATURA!

Falecimento de Juíza de Direito Dra. Maria Manuela dos Santos Pereira

02-07-2014
O Conselho Superior da Magistratura comunica, com pesar, o falecimento da Exma. Senhora Juíza de Direito do Círculo Judicial de Santarém, Dra. Maria Manuela dos Santos Pereira.
As cerimónias fúnebres iniciar-se-ão às 12:00 hr. de quinta-feira, dia 03 de Julho de 2014, na Capela Portas do Sol em Santarém, saindo o corpo às 14:00 hr. para a capela mortuária de Vila Chã, Vale de Cambra, onde pelas 21:00 hr., será celebrada uma oração de terço cantado. 
Na sexta-feira, dia 04 de Julho, pelas 17:00 hr., na mesma capela, será celebrada missa de corpo presente, saindo depois para o cemitério de Vila Chã, Vale de Cambra.
O Conselho Superior da Magistratura far-se-á representar nas cerimónias fúnebres e apresenta à Exma. Família os mais sentidos pêsames.



Custa tanto perder alunos!


 Até um dia MANUELA!





                                                                                                    Lola
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