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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Felicidade



FELICIDADE E  ESCOLHAS



No quotidiano ouvimos falar constantemente sobre o tema da felicidade. Muitas pessoas afirmam que desejam ser felizes, que querem alcançar a felicidade, ou que estão infelizes. 

Isso  leva-nos a refletir sobre as seguintes questões:
- a felicidade é um conceito objetivo ou subjetivo? 
- Existe "a" felicidade ou cada um tem seu conceito sobre o que é ser feliz? 
Frente a estas dúvidas, a tendência é tentar negar a existência da felicidade. Perigosa tentação, pois às vezes é mais fácil negar a felicidade do que aceitar que ela existe e reconhecer que não a possuímos... Estamos frente a uma situação limite... pouco discutida e que quase não é refletida em nosso cotidiano corrido... 

- Você já parou para pensar sobre o que é a felicidade?
- Você já se perguntou um dia por que todo mundo a deseja ou acredita na sua existência? 
Esta reflexão terá o objetivo de trabalhar estas questões.

Desde a Grécia Antiga os filósofos já se ocupavam sobre a questão da felicidade. Em especial, um grande filósofo chamado Aristóteles já postulava importantes considerações sobre esse tema. Segundo ele, todas as coisas que existem tendem para um fim. O homem, por sua vez, também existe para uma finalidade: “ser feliz”. 

Nesse sentido, Aristóteles constata que existe um grande consenso entre os homens: “todos querem ser felizes”; mas também há um grande desacordo entre eles: “O que é a Felicidade?”. Como o próprio autor afirma em sua obra Ética a Nicômaco“Todos estão de acordo e dizem ser o fim do homem a felicidade e identificam o bem viver e o bem agir com o ser feliz. Diferem, porém, quanto ao que seja a felicidade, o homem limitado não a concebe da mesma forma que o sábio”. Sendo assim, nem todos os homens compreendem a felicidade de maneira semelhante.

Para resolver esse dilema, Aristóteles afirma que o homem verdadeiramente feliz é aquele que age segundo sua própria natureza, isto é, que age racionalmente e visa ser virtuoso, visto que para esse filósofo grego, a essência do homem é sua razão, pois todos tendem ao saber. 

Mas qual é de fato a nossa natureza? 

Muitos dizem que somos seres essencialmente bons, outros dizem que somos naturalmente maus e egoístas. Mas podemos acreditar também que somos seres inacabados... incompletos... que ao invés de nascerem com uma essência pré-estabelecida, buscam construir esta suposta essência na própria existência, na vida real, no quotidiano. 

Assim sendo, podemos ser tanto anjos como demônios. Nossa natureza depende de nossas escolhas, e devido a isso, nossa felicidade também dependerá delas.

É o que afirma o filósofo francês Jean-Paul Sarte em sua obra “O Existencialismo é um Humanismo” : “Se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro esforço é o de pôr todo homem no domínio que ele é, de lhe atribuir a total responsabilidade da sua existência. E, quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens”. 

Dessa maneira, eliminando uma natureza pré-definida que nos dirá o que é ser feliz, podemos analisar uma outra perspectiva sobre o tema, afirmando que a felicidade se encontra na forma como fazemos nossas escolhas, ou seja, encarando a vida da maneira como ela realmente se apresenta, vivendo-a intensamente com responsabilidade.

Ora, encarar a vida tal como ela se apresenta não é tarefa fácil. Somos seres jogados na existência e estamos condenados a fazer escolhas. Cada possibilidade de existência assumida significa a renúncia de outro modo de vida. Dessa maneira, podemos acertar ou errar, ganhar ou perder. Tudo depende de nossas escolhas. A angústia é a disposição emocional que nos acompanha neste drama da existência. 

Como então ser feliz em uma realidade tão dura como essa?

A felicidade não é uma disposição emocional. Ser feliz não é estar sempre alegre. O sofrimento e a angústia também fazem parte da vida e da própria felicidade. Se tudo na vida fosse só alegria, as pessoas não dariam real valor a felicidade... Às vezes, é preciso chorar para sabermos o quanto é bom sorrir... é preciso sentir saudades para saber o quanto gostamos de alguém... Às vezes, quando temos tudo, nada parece ter valor. A vida é constante movimento, ela é um antes, um durante e um depois. Por isso, devemos viver o momento, sem deixar de olhar para nosso passado e nos projetar para o futuro. Os momentos difíceis são parte integrante da vida e deles não podemos escapar. No entanto, estes momentos são necessários para que possamos valorizar os acontecimentos felizes e encontrarmos a felicidade. 

É partindo desse ponto de vista, que o filósofo Karl Jaspers ressalta: "Os problemas e conflitos podem ser a fonte de uma derrota, uma limitação para a nossa potencialidade, mas também podem dar lugar a uma maior compreensão da vida e o nascimento de uma unidade que se fortalece com o tempo."

Frente a estes pontos de vista, esse artigo chega a conclusão de que a felicidade não deve ser entendida como um objetivo ditado por uma essência pré-definida existente no homem, ou como um sentimento. A felicidade pode ser entendida como a própria vida sendo vivida de maneira intensa e responsável nas próprias escolhas do dia-a-dia, seja nas alegrias ou nos sofrimentos, buscando sempre tirar um aprendizado para aquilo que ocorre conosco.

 Como afirma Erich Fromm: “buscar a felicidade é como caçar borboletas: quanto mais você tenta, mais ela foge. No entanto, se você deixar a borboleta voar e se preocupar com outras coisas, ela pode até pousar em seus ombros”. 

Quer pensar sobre isto?
                                                                                                 Autor: Arnin Braga


Questões
1. Quais são os principais problemas filosóficos levantados acerca do tema a felicidade?
2. Será esta uma questão intemporal? Justifique
3. O que Aristóteles afirmava em relação à finalidade última do homem?
4. Para Aristóteles qual a essência do homem?
5. Relacione felicidade e escolhas!
6. Exponha a concepção de Jean Paul Sartre acerca da felicidade!
7. Discuta a posição de  Karl Jaspers sobre os problemas e conflitos que se encontram no percurso da existência.
8. E para si, o que é a felicidade?

Nota: o texto e as questões foram adaptadas


                                             Lola

quinta-feira, 20 de março de 2014

Felicidade


Dia Internacional da Felicidade é comemorado nesta quinta-feira (20)


A noticia
Dia Internacional da Felicidade foi criado em 2012, pela assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), reconhecendo a relevância da felicidade e do bem-estar como metas universais e inspirações para políticas públicas em todo o mundo.
A criação da data foi inspirada em uma reunião das Nações Unidas, em abril de 2012, sobre o tema “Felicidade e Bem-Estar: Definindo um Novo Paradigma Econômico”. Na ocasião, foi debatida a iniciativa do Butão, país asiático que reconheceu a supremacia da felicidade nacional sobre a renda desde o início dos anos 1970 e adotou a meta da “Felicidade Nacional Bruta”, acima do Produto Interno Bruto (PIB).
Este ano a data é comemorada pela segunda vez. Para tanto, ação da ONU lembra a importância do conceito de felicidade para o fim de conflitos e da pobreza no mundo. Nesta quinta-feira (20), em mensagem pelo dia (leia íntegra em inglês), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, defendeu que a felicidade não seja negada a nenhuma pessoa, sendo tratada como uma aspiração implícita na Carta das Nações Unidas para a promoção da paz, justiça, direitos humanos, progresso social e melhor padrão de vida.
Ban Ki-moon considerou que é tempo de transformar promessas em ações pelo fim da pobreza, pela inclusão social e harmonia entre culturas – conceitos que estão na base da felicidade.
A Fundação ONU celebra o Dia Internacional da Felicidade com uma parceria com o produtor musical Pharrell Williams. Desde o dia 10, pessoas de qualquer país podem enviar vídeos demonstrando sua felicidade ao ouvir a música dele, "Happy", que concorreu ao Oscar de Melhor Canção Original. Os melhores vídeos são publicados em um  site especial dedicado à data. 


Um poema

A Felicidade - Vinicius de Moraes



Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

Uma musica


 Um filme:





Livros
















E na Filosofia?



“O homem é um ser de carências na medida em que faz parte do mundo sensível e, a este respeito, a sua razão tem certamente uma missão indeclinável à luz da sensibilidade, que é a de se preocupar com o interesse da mesma e de fazer para si máximas práticas, em vista da felicidade desta vida e, se possível, também da de uma vida futura.”
Kant, CRPr


“A felicidade não é a maior soma de agrado, mas o prazer de estar contente com a consciência do seu próprio poder. Pelo menos esta é a condição formal essencial da felicidade, embora seja necessário outro material (enquanto proveniente da experiência).”
Kant, Reflexões


“Há, no entanto, um fim do qual se pode dizer que todos os seres racionais o perseguem realmente (enquanto lhes convêm imperativos, isto é, como seres dependentes), e portanto uma intenção que não só eles podem ter, mas que se deve admitir que a têm na generalidade por uma necessidade natural. Este fim é a felicidade.”
Kant,  FMC

 Ja li:




Le bonheur - La question philosophique





La question du bonheur est au centre de la philosophie parce qu'elle est au cœur de la vie. Cet ouvrage, pédagogique par sa rigueur et sa clarté, le rappelle en prenant soin d'analyser les sources grecques et latines, puis judéo-chrétiennes de notre pensée contemporaine. Le bonheur, n'est-ce pas ce à quoi tout homme aspire par-dessus tout ? La philosophie, née des préoccupations fondamentales des hommes, a toujours réfléchi sur cette idée d'un but ultime de la vie humaine. Ce but est-il d'être heureux ? Que désignons-nous par ce mot de bonheur ? Comment concilier la réalisation d'un bonheur individuel et celle d'un bonheur collectif ? En une synthèse très documentée, concise mais évitant l'écueil des micro-questions, l'auteur montre comment développer une problématique philosophique de l'idée de bonheur à partir de ce constat commun : le bonheur, nous le désirons parce qu'il nous manque. Il s'agit d'un idéal de notre désir qui exige, afin de ne pas être malheureux, un effort d'intelligence de nous-mêmes et du monde : une réflexion, que le présent volume espère simplement, à sa mesure, aider et soutenir.


A quem interessar

http://www.centrodefilosofia.com/uploads/pdfs/AFELICIDADENAETICADEKANT.pdf




Lola
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