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domingo, 23 de outubro de 2016

Como analisar um texto em Filosofia?






Como se analisa um texto em Filosofia?




TEXTO A
“Tomando a noção de útil no sentido práticoaplicável, eficaz, a filosofia é sem dúvida um saber, uma actividade inútil, ou melhor, utilizando uma bela sugestão de Valéry, frágil. E, no entanto - ponto que é decisivo – a força dessa fragilidade marcou épocas, falhou teorias, suscitou visões do mundo; criou conceitos, articulou saberes, inventou mundos. A filosofia foi sempre uma actividade que se singularizou pelos imensos efeitos da sua ausência de utilidade.”

M. M. Carrilho – Filósofos, para quê?


TEMA: a utilidade da Filosofia (o tema é o assunto em geral)

TESE: a Filosofia é inutil ( a tese é a posição do autor face ao tema)

ARGUMENTOS: não é um saber prático, aplicável, eficaz Argumentos são as razões a favor ou contra uma determinada tese)

CONCLUSÃO: essa inutilidade “marcou épocas....inventou mundos”.


TEXTO B
“Iludem-se, então, os que procuram a verdade na filosofia? Iludem-se, por certo, se procuram na filosofia a verdade total e definitiva, a fórmula completa, nítida e inalterável da lei suprema das coisas, esse segredo transcendente que, uma vez conhecido, se isso fosse possível, os tornaria deuses, segundo a expressão bíblica, ou, segundo o nosso modo de ver, os tornaria inertes ininteligíveis…
Uma filosofia definitiva, feita e assente uma vez para todo o sempre, implicaria a imobilidade do pensamento humano: o absoluto anestesiá-lo-ia.”

Antero de Quental – Tendências Gerais da Filosofia 
na segunda metade do século XIX


TEMA: a verdade na Filosofia

TESE: não há verdade total e definitiva em Filosofia

ARGUMENTOS: Se existisse essa verdade absoluta, o pensamento humano não se desenvolveria, estagnava, seriamos deuses ou seres inertes.

CONCLUSÃO: Uma verdade definitiva e eterna tornaria o Homem um ser anestesiado por se sentir um ser absoluto.





                                         Lola





sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Como analisar um texto em Filosofia?




Como analisar um texto em Filosofia?



"No reino dos fins tudo tem um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode-se pôr em vez dela qualquer outra como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite equivalente, então ela tem dignidade.
O que se relaciona com as inclinações e necessidades gerais do homem tem um preço venal; aquilo que, mesmo sem pressupor uma necessidade, é conforme a um certo gosto, isto é a uma satisfação no jogo livre e sem finalidade das nossas faculdades anímicas, tem um preço de afeição ou de sentimento; aquilo porém que constitui a condição graças à qual qualquer coisa pode ser um fim em si mesma, não tem apenas um valor relativo, isto é um preço, mas um valor íntimo, isto é dignidade.
Ora a moralidade é a única condição que pode fazer de um ser racional um fim em si mesmo, pois só por ela lhe é possível ser membro legislador no reino dos fins. portanto a moralidade, e a humanidade enquanto capaz de moralidade, são as únicas coisas que têm dignidade. A destreza e a diligência no trabalho têm um preço venal; a argúcia de espírito, a imaginação viva e as fantasias têm um preço de sentimento; pelo contrário, a lealdade nas promessas, o bem querer fundado em princípios ( e não no instinto) têm um valor íntimo."


Immanuel Kant, Fundamentação da Metafísica dos costumes



TEMA: A Dignidade Humana


 PROBLEMA: O que é a dignidade Humana?

TESE: A moralidade ( e a humanidade capaz de moralidade) como condição única da dignidade.



ARGUMENTOS:
  • Todas as coisas têm um preço ou uma dignidade. 
  • Se o seu valor reside no prazer que poderemos obter (inclinação) ou na satisfação de uma necessidade, então isso tem um preço pois Poderemos substituir essa coisa por outra  de valor equivalente. 
  • Mas quando algo não tem equivalente nem pode ser substituído, tem dignidade.
  • O valor da humanidade está no facto de poder ser moral, l ou seja,  possuir moralidade;
  • E o que significa? Ser capaz de produzir leis para além das inclinações, dos afectos ou das necessidades. 
  • Estas leis têm um valor absoluto porque não têm equivalente e não podem ser trocadas de acordo com as circunstâncias e as vontades particulares.
  • A lealdade, a honestidade têm valor íntimo e conferem dignidade ao homem. 
  • Porquê? Porque o seu valor reside no facto de não haver outro fim ou interesse em ser leal ou honesto senão o respeito pelo valor em si.



CONCEITOS: Reino dos fins Dignidade, Humanidade e Moralidade, 


                                               Lola
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