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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O método cientifico








O método cientifico



1. O facto observado é guiado por conhecimentos prévios

“Trouxeram um dia, ao meu laboratório, coelhos do mercado, Colocaram-nos numa mesa onde urinaram e observei, por acaso, que a sua urina era clara e ácida. Este facto impressionou-me, porque os coelhos têm geralmente a urina turva e alcalina por serem herbívoros, enquanto os carnívoros, como se sabe, têm, pelo contrário, urinas claras e ácidas.

2. A formulação da hipótese como explicação provisória do facto observado

Esta observação da acidez da urina dos coelhos fez-me supor que estes animais deviam ser da condição alimentar dos carnívoros. Supus que eles não tinham comido havia muito tempo e que se tinham transformado, pela abstinência, em verdadeiros animais carnívoros (...). Nada era mais fácil de verificar pela experiência do que esta ideia preconcebida ou esta hipótese.

3. A experimentação como processo de verificação da hipótese

Dei erva a comer aos coelhos e, algumas horas depois, as suas urinas tinham-se tornado turvas e alcalinas. Submeti em seguida os mesmos coelhos à abstinência e, vinte e quatro ou trinta e seis horas depois, as suas urinas tinham-se tornado claras e fortemente ácidas; depois voltaram a ser alcalinas se lhes desse ervas, etc. Repeti esta experiência tão simples um grande número de vezes com os coelhos e sempre com o mesmo resultado. Repeti-a em seguida com um cavalo, animal herbívoro, que tem igualmente a urina turva e alcalina. Verifiquei que a abstinência tinha produzido, como no coelho, uma pronta acidez da urina com um acréscimo relativamente considerável da ureia, a ponto de cristalizar por vezes, espontaneamente, na urina arrefecida.

4. A hipótese torna-se uma ideia aceitável

Cheguei assim, em consequência das minhas experiências, a esta proposição geral que então era desconhecida: em jejum, os herbívoros têm urinas semelhantes às dos carnívoros.

5. A contraprova como garantia da aceitabilidade

Mas, para provar que os meus coelhos em jejum eram carnívoros, havia uma contraprova a fazer. Era preciso, experimentalmente, fazer um coelho carnívoro, alimentando-o a carne, a fim de saber se as suas urinas seriam claras, ácidas e relativamente carregadas de ureia como durante a abstinência. Por isso fiz alimentar coelhos com carne de vaca cozida fria, alimento que comem muito bem, quando não se lhes dá outra coisa. A minha previsão foi ainda verificada e, enquanto durou esta alimentação animal, os coelhos conservaram urinas claras e ácidas”

Claude Bernard, 
Introdução ao estudo da medicina experimental.

Leia o texto com atenção e responda às seguintes questões:

1. Qual é o tema deste texto? 
2. Que passos são dados para descrever o processo científico?
3. Que conclusão podemos retirar?
4. Isole e defina os conceitos-chave que possibilitam a compreensão do texto.




                                                Lola

O método cientifico




O método científico


“O salmão prateado nasce nas correntes frias do noroeste do Oceano Pacífico. O pequeno peixe nada até ao Pacífico Sul, onde poderá passar até cinco anos para atingir a maturidade física e sexual. Em seguida, em resposta a algum estímulo desconhecido, volta às correntes frias para desovar. Acompanhando o roteiro do peixe, descobre-se um facto curioso. Ele volta, quase sempre, precisamente ao seu local de origem. Eis aqui um facto-problema que pede explicação. Como é possível que o peixe identifique exatamente o lugar onde nasceu, depois de tantos anos e de percorrer tão longa distância?
            Uma das hipóteses sugeridas para explicar o retorno foi a de que o salmão descobre o caminho de hipotético dedutivo volta reconhecendo objetos que identificou durante a primeira viagem. Se esta hipótese estivesse correta, então, vendando os olhos do salmão, ele não conseguiria voltar. Daí temos:
            H1: o salmão utiliza apenas os estímulos visuais para encontrar o seu caminho de volta.
            Consequência preditiva: o salmão x, com os olhos vendados, não será capaz de voltar.
            Suponha-se que o salmão x, com os olhos vendados, encontre o seu caminho de volta. O resultado dessa experiência falseia a hipótese. Por outro lado, suponha-se que o peixe com os olhos vendados não encontre o caminho de volta. Este resultado seria capaz de verificar, assegurar a verdade da hipótese do estímulo visual? Não. Apenas podemos afirmar que o resultado experimental apoiou a hipótese.(...)
            As experiências realizadas para testar a predição da hipótese acima revelaram que todos os salmões com os olhos vendados conseguiram voltar ao seu lugar de origem, o que desconfirma a hipótese.
            Nova hipótese foi apresentada para explicar o fenómeno. Desta vez pelo Dr. Hasler da Universidade de Wisconsin, EUA, que formulou a hipótese de que o salmão conseguiu voltar ao seu lugar de origem identificando o caminho pelo olfato. Se a hipótese fosse verdadeira, bloqueado o olfato do salmão, ele seria incapaz de identificar o caminho de volta. Daí segue-se:
            H2: o salmão identifica o caminho pelo olfato.
            Predição: bloqueado o olfato, o peixe não será capaz de identificar o caminho.
            Para efetuar o teste da hipótese, o Dr. Hasler realizou experiências com salmões que haviam tido o olfato bloqueado. Os peixes não conseguiram voltar. Esse resultado confirmou a hipótese.”
                                            
Leónidas,  H. 
Iniciação à lógica e à metodologia das ciências

TAREFA

1- Qual o método usado pelo investigador?
2- Qual o problema com  que o investigador se confrontou?
3- Formule a hipótese que o investigador sugeriu.
4- Que consequências preditivas se inferiram da hipótese?
5- Como submeter as consequências a verificação/experimentação, a fim de confirmar ou refutar a hipótese?
5- Quais os momentos fundamentais deste método?



                                                Lola




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