Mostrar mensagens com a etiqueta Dia do Pai. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dia do Pai. Mostrar todas as mensagens

sábado, 19 de março de 2016

Dia do Pai



Dia do Pai

Pai. 
A tarde dissolve-se sobre a terra, sobre a nossa casa. O céu desfia um sopro quieto nos rostos. Acende-se a lua. Translúcida, adormece um sono cálido nos olhares. Anoitece devagar. Dizia nunca esquecerei, e lembro-me. Anoitecia devagar e, a esta hora, nesta altura do ano, desenrolavas a mangueira com todos os preceitos e, seguindo regras certas, regavas as árvores e as flores do quintal; e tudo isso me ensinavas, tudo isso me explicavas. Anda cá ver, rapaz. E mostravas-me. 
Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na mágoa indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele. 
Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar as árvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer, em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho alvura sobre mim. E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. 
E, como se adormecesses, vejo-te fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás.
 Os teus olhos fechados para sempre. 
E, de uma vez, deixas de respirar. 
Para sempre. 
Para nunca mais. Pai. 
Tudo o que te sobreviveu me agride.
 Pai. 
Nunca esquecerei.

JOSÉ LUIS PEIXOTO, in MORRESTE-ME 
(Temas e Debates, 2001)




Lola 


quinta-feira, 19 de março de 2015

Dia do Pai




Dia do Pai


Pai, Quero que Saibas

É o teu rosto que encontro. Contra nós, cresce a manhã, o dia, cresce uma luz fina. Olho-te nos olhos. Sim, quero que saibas, não te posso esconder, ainda há uma luz fina SOBRE TUDOhttp://cdncache-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png isto. Tudo se resume a esta luz na a recordar-me todo o silêncio desse silêncio que calaste. Pai. Quero que saibas, cresce uma luz na sobre mim que sou sombra, luz na a recortar-me de mim, ténue, sombra apenas. Não te posso esconder, depois de ti, ainda há tudo isto, toda esta sombra e o silêncio e a luz fina que agora és. 



José Luís Peixoto, in 'Morreste-me' 




Nasceu-te um Filho



Nasceu-te um filho. Não conhecerás, 
jamais, a extrema solidão da vida. 
Se a não chegaste a conhecer, se a vida 
ta não mostrou - já não conhecerás 


a dor terrível de a saber escondida 

até no puro amor. E esquecerás, 
se alguma vez adivinhaste a paz 
traiçoeira de estar só, a pressentida, 



leve e distante imagem que ilumina 
uma paisagem mais distante ainda. 
Já nenhum astro te será fatal. 



E quando a Sorte julgue que domina, 
ou mesmo a Morte, se a alegria finda 
- ri-te de ambas, que um filho é imortal. 



Jorge de Sena, in 'Visão Perpétua' 



                                                Lola


quarta-feira, 19 de março de 2014

Dia do Pai




Dia do Pai

Se o pai fosse afecto...
Se os afectos tivessem dia...
Se os dias tivessem pai...
Se o pai nunca fosse saudade...
Se a saudade não tivesse tempo...
Se o tempo fosse de abraço....
Se...

Poema: Filho não tenho tempo!






Uma musica (da minha adolescência):




Um filme:




Lola

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...