Mostrar mensagens com a etiqueta Kant e a mentira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Kant e a mentira. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 7 de julho de 2020

Kant e a mentira



Kant e a mentira


Ponhamos por exemplo a questão seguinte: – Não posso eu, quando me encontro em apuro, fazer uma promessa com a intenção de a não cumprir? (…) Ficaria eu satisfeito de ver a minha máxima (de me tirar de apuros por meio de uma promessa não verdadeira) tomar o valor de lei universal (tanto para mim como para os outros)? E poderia eu dizer a mim mesmo: – Toda a gente pode fazer uma promessa mentirosa quando se acha numa dificuldade de que não pode sair de outra maneira? Em breve reconheço que posso, em verdade, querer a mentira, mas que não posso querer uma lei universal de mentir; pois, segundo uma tal lei, não poderia propriamente haver já promessa alguma, porque seria inútil afirmar a minha vontade relativamente às minhas futuras acções a pessoas que não acreditariam na minha afirmação, ou se precipitadamente o fizessem, me pagariam na mesma moeda. Por conseguinte, a minha máxima, uma vez arvorada em lei universal, destruir-se-ia a si mesma necessariamente.
Não preciso, pois, de perspicácia de muito largo alcance para saber o que hei-de fazer para que o meu querer seja moralmente bom. Inexperiente a respeito do curso das coisas do mundo, incapaz de prevenção em face dos acontecimentos que nele se venham a dar, basta que eu pergunte a mim mesmo: – Podes tu querer também que a tua máxima se converta em lei universal? Se não podes, então deves rejeitá-la (…).

Kant, Fundamentação da metafísica dos Costumes,
 tr. Paulo Quintela, Porto Editora, pp. 40, 41.




Lola

sábado, 18 de março de 2017

kant e a mentira






kant e a mentira


É um dever dizer a verdade. O conceito de dever é inseparável do conceito do direito. Um dever é o que num ser corresponde aos direitos de outrem. Onde nenhum direito existe também não há deveres. Por conseguinte, dizer a verdade é um dever, mas apenas em relação àquele que tem direito à verdade. (...)
Ora a primeira questão é se o homem, nos casos em que não se pode esquivar à resposta com sim ou não, terá a faculdade (o direito) de ser inverídico. A segunda questão é se ele não estará obrigado, numa certa declaração a que o força uma pressão injusta, a ser inverídico a fim de prevenir um crime que o ameaça a si ou a outrem.
A veracidade nas declarações, que não se pode evitar, é o dever formal do homem em relação seja a quem for (2), por maior que seja a desvantagem que daí decorre para ele ou para outrem; e se não cometo uma  injustiça contra quem me força injustamente a uma declaração, se a falsificar, cometo em geral, mediante tal falsificação, que também se pode chamar mentira (embora não no sentido dos juristas), uma injustiça na parte mais essencial do Direito: isto é, faço, tanto quanto de mim depende, que as declarações não tenham em geral crédito algum, por conseguinte, também que todos os direitos fundados em contratos sejam abolidos e percam a sua força – o que é uma injustiça causada à humanidade em geral.

(2) Não posso aqui tomar mais acutilante o princípio ao ponto de dizer: “A inveracidade é a violação do dever para consigo mesmo.” Pois tal princípio pertence à ética; mas aqui fala-se de um dever do direito. – A doutrina da virtude vê naquela transgressão apenas a indignidade, cuja reprovação o mentiroso sobre si faz cair."


Immanuel Kant,
Sobre o suposto direito de mentir,
 LusoSofia Press, pp.4,5
Tradução de Artur Morão



                                                Lola

sexta-feira, 13 de março de 2015

Kant e a mentira



Kant e a mentira

Mesmo que seja mentira
Tony Carreira

Nao

Nao me digas que pensas em partir

Nao

Nao me fales no adeus, em te perder

Sim 

Nao te imporates ate de me mentir

Eu prefiro me iludir
Do que sofrer

Nao

Nao me digas que p'ra ti acabou

Nao

Nao me fales que ha outro p'ra quem vais

Sim

Faz de conta que eu sou quem ja nao sou

Deixa-me ao menos sonhar
Um pouco mais

Diz-me que nao sais da minha vida

Mesmo que seja mentira

Mesmo que seja por dó de mim

Diz me tudo menos a verdade

Talves um dia mais tarde

Mas por enquanto é melhor assim

Por isso mente-me ate ao fim
Nao

Nao me faças sofrer ja esta dor

Nao 

Continua a fingir que nada foi

Sim

Por aquilo que a gente ja passou

Deixa-me ao menos sonhar
Vai so depois

Diz-me que nao sais da minha vida

Mesmo que seja mentira

Mesmo que seja por dó de mim

Diz me tudo menos a verdade

Talves um dia mais tarde

Mas por enquanto é melhor assim

Por isso mente-me ate ao fim
Diz-me que nao sais da minha vida

Mesmo que seja mentira

Mesmo que seja por dó de mim

Diz me tudo menos a verdade

Talves um dia mais tarde

Mas por enquanto é melhor assim

Diz-me que nao sais da minha vida

Mesmo que seja mentira

Mesmo que seja por dó de mim

Diz me tudo menos a verdade

Talves um dia mais tarde

Mas por enquanto é melhor assim

Por isso mente-me ate ao fim





Longe no tempo, na qualidade reflexiva, na profundidade e variabilidade de abordagens, como responderia a este texto (pouco filosófico, assumo...) Kant!


Nada melhor do que entender Kant pelas suas próprias palavras:

Então...

...leia o texto integral de Kant:

e... porque não, espreitar 
outras interpretações  acerca desta problematica:







                                                Lola

quarta-feira, 4 de março de 2015

Kant e a mentira






Kant e a mentira


Kant considera que o valor moral da acção depende da submissão da vontade a motivos de ordem racional: agir apenas por dever, isto é por respeito à lei moral (fazer apenas aquilo que é universalizável e não instrumentaliza as pessoas).

Todavia, em muitas circunstâncias, agimos por outras motivações, nomeadamente sentimentais ou afectivas, e não por simples respeito ao dever. E sentimos que está certo ter essas motivações afectivas e seria errado e “desumano” não as ter.

Se o valor moral da acção depende exclusivamente da intenção (a que apenas cada pessoa tem acesso) e não das consequências do acto praticado, como podemos saber se esta esconde ou não motivos egoístas? Se Kant tiver razão, no limite, não poderemos avaliar o valor moral das acções das outras pessoas.

A lei moral diz respeito apenas à forma como devemos agir em qualquer situação. No entanto, quando existe um conflito de deveres, há situações em que a aplicação da lei moral se revela problemática – durante a Segunda Guerra Mundial os pescadores holandeses mentiam aos nazis para proteger os judeus, que levavam escondidos, possibilitando que estes acedessem a um país neutral e assim pudessem salvar a vida (1). Neste caso as consequências não terão importância? Os pescadores deveriam obedecer à lei moral e dizer a verdade? Parece profundamente errado responder que sim. Neste caso, a mentira parece ser algo moralmente correcto, aquilo que em Inglês se chama “white lie”.


Que outras razões podemos apresentar para discordar de Kant?

Ou, pelo contrário, terá este filósofo razão?


(1) Este exemplo é apresentado por James Rachels no livro Elementos de Filosofia moral (Edições Gradiva, pág. 184) 

In Logosfera




Lola
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...