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domingo, 2 de janeiro de 2022

Ciência: Ignaz Semmelweis



 A Ciencia: Ignaz Semmelweis



Quando a ciência ainda não entendia os germes, um médico húngaro descobriu e provou que lavar as mãos é essencial contra infecções – a história dele, porém, não teve final feliz.          

Em 1825, os parentes de um paciente que estava se recuperando de uma fratura no Hospital St. George, em Londres, viram o familiar deitado em lençóis molhados e sujos, cheios de fungos e vermes.

Segundo o relato, nem o homem aflito, nem os outros com quem dividia o espaço, se queixaram das condições do local, porque acreditavam que elas eram normais.

Aqueles que tiveram a má sorte de serem admitidos naquele ou em outros hospitais da época estavam acostumados aos horrores que as instituições apresentavam.

Tudo cheirava a urina, vômito e outros fluidos corporais. O odor era tão intenso que a equipe às vezes caminhava com lenços pressionados contra o nariz.

Os médicos, entretanto, também não tinham aroma de rosas. Esses profissionais raramente lavavam as mãos ou os instrumentos de trabalho – exalavam o que era chamado, de forma elogiosa, de "fedor tradicional do hospital".

As salas de cirurgia estavam tão sujas quanto os cirurgiões que trabalhavam nelas. Conforme o relato, no meio da sala havia uma mesa de madeira manchada com traços reveladores de corpos que haviam passado por ali, enquanto o chão estava coberto de serragem para absorver o sangue que escorria.

E havia alguém que tinha salário maior do que o dos médicos: o "caçador de insetos". Seu trabalho era livrar os colchões dos piolhos.

Os hospitais eram um terreno fértil para a infecção e forneciam as instalações mais primitivas para os doentes e moribundos, muitos dos quais alojados em salas com pouca ventilação ou acesso a água limpa.

Nesse período, era mais seguro ser tratado em casa do que em um hospital, onde as taxas de mortalidade eram de três a cinco vezes maiores do que em ambientes domésticos.

Como resultado dessa miséria, eles eram conhecidos como "Casas da Morte".

Por favor lavar as mãos

No meio daquele mundo que ainda não entendia os germes, um homem tentou aplicar métodos científicos para impedir a propagação de infecções.

Ele se chamava Ignaz Semmelweis.

Este médico húngaro tentou implementar um sistema de lavagem das mãos em hospitais de Viena na década de 1840 para reduzir as taxas de mortalidade nas maternidades.

Foi uma tentativa digna, mas fracassada, pois Semmelweis acabou sendo demonizado por seus colegas.

Depois, no entanto, ele ficou conhecido como o "Salvador das Mães".

Um mundo sem germes

Semmelweis trabalhava no Hospital Geral de Viena, onde a morte perseguia os doentes tão regularmente quanto em qualquer outro hospital da época.

Antes do triunfo da teoria dos germes, na segunda metade do século 19, a ideia de que as más condições ​​dos hospitais desempenhavam um papel importante na disseminação de infecções e doenças não passava pela cabeça de muitos médicos.

"Para nós, é difícil imaginar um mundo em que as pessoas não sabiam da existência de germes ou bactérias", diz Barron H. Lerner, da Faculdade de Medicina Langone da Universidade de Nova York.

"Em meados do século 19, acreditava-se que as doenças se espalhavam por meio das nuvens de um vapor venenoso, no qual partículas de matéria em decomposição chamadas 'miasmas' eram jogadas no ar".

Desequilíbrio

Entre as pessoas em maior risco estavam as mulheres grávidas, particularmente as que sofreram com problemas durante o parto, pois as feridas abertas eram o habitat ideal para bactérias que médicos e cirurgiões carregavam de um lado para o outro.

A primeira coisa que Semmelweis notou foi uma discrepância interessante entre o atendimento em duas salas obstétricas do Hospital Geral de Viena, cujas instalações eram idênticas.

Uma delas era ocupada por estudantes de medicina do sexo masculino, enquanto a outra estava sob os cuidados de parteiras.

A sala atendida por estudantes de medicina tinha uma taxa de mortalidade de mulheres três vezes maior do que o local supervisionado pelas parteiras.

Anteriormente, funcionários do hospital já haviam percebido o desequilíbrio, mas atribuíram a discrepância aos estudantes homens, que seriam mais severos no trato com as pacientes do que as parteiras. Acreditava-se que esse fator comprometia a vitalidade das mães, tornando-as mais suscetíveis ao desenvolvimento da febre puerperal.

Porém, Semmelweis não se convencia com essa explicação.

O padre ou a sujeira

Pouco depois, o médico percebeu que toda vez que uma mulher morria de febre, um padre caminhava lentamente pela sala médica com um assistente tocando uma campainha.

Inicialmente, Semmelweis acreditou que esse ritual aterrorizava tanto as mulheres após o parto que elas acabavam por desenvolver a febre, morrendo em seguida. Depois de pedir para o padre deixar a campainha de lado, ele descobriu, frustrado, que a mudança não teve qualquer efeito.

Em 1847, ele teve uma pista precisa depois de analisar um exame post mortem do corpo de um de seus colegas, que havia morrido após cortar a mão.

Uma leve ferida mortal

Naquela época, cortar cadáveres envolvia riscos físicos, muitos deles fatais.

Qualquer ferida ou fissura na pele causada pela faca de dissecção, por menor que fosse, era um perigo sempre presente, mesmo para pessoas mais experientes – como aconteceu com o tio de Charles Darwin (que tinha o mesmo nome do sobrinho), morto em 1778 após sofrer uma lesão ao dissecar uma criança.

Enquanto seu colega estava morrendo, Semmelweis observou que seus sintomas eram muito semelhantes aos das mulheres com febre puerperal.

Será que os médicos que trabalham na sala de autópsia levavam "partículas cadavéricas" para as salas de parto?

Afinal, Semmelweis observou que muitos dos jovens saíram diretamente de uma autópsia para cuidar de mulheres grávidas.

Como luvas ou outras formas de equipamento de proteção não eram usadas na sala de necrópsia, não era incomum ver estudantes de medicina com pedaços de carne, tripas ou cérebros presos às roupas após o término das aulas.

Então, percebeu Semmelweis, a grande diferença entre a sala dos médicos e a das parteiras era que os médicos realizavam autópsias, e as parteiras, não.

Seria essa a chave do mistério que explicava a diferença na taxa de mortalidade?

'Demolir e reconstruir'

Antes de entender bem a questão dos germes, era difícil encontrar um remédio para a sujeira em hospitais.

O obstetra James Y. Simpson (1811-1870), o primeiro médico a demonstrar as propriedades anestésicas do clorofórmio em humanos, argumentou que, se a contaminação não pudesse ser controlada, os hospitais deveriam ser periodicamente destruídos e reconstruídos.

O cirurgião John Eric Erichsen (1818-1896), autor de um livro sobre cirurgia no século 19, concordou: "Uma vez que um hospital se torna incuravelmente afetado pela piemia (infecção purulenta), é impossível desinfetá-lo por quaisquer meios higiênicos conhecidos, como também é impossível desinfetar um queijo velho dos vermes que foram gerados nele", escreveu ele.

Para a dupla, a única solução era a mesma: a demolição do hospital.

Semmelweis, porém, acreditava que havia medidas menos drásticas.

Três palavras simples

Depois de concluir que a febre puerperal foi causada pelo "material infeccioso" de um cadáver, ele instalou uma bacia cheia de solução de cal e cloro no hospital e começou a salvar a vida das mulheres com três palavras simples: "lave as mãos".

Aqueles que passaram da sala de autópsia para as salas de parto tiveram que usar a solução antisséptica antes de atender pacientes vivos.

As taxas de mortalidade na sala de estudantes de medicina despencaram. Em abril de 1847, o índice era de 18,3% dos pacientes. Um mês depois do início da lavagem das mãos ser instituída, em maio do mesmo ano, as taxas caíram para pouco mais de 2%.

Ganhos

O experimento continuou: os resultados de Semmelweis foram muito convincentes, seus dados foram coletados e certamente salvaram a vida de muitas mães durante o período.

No entanto, ele não conseguiu convencer todos os colegas dos méritos de sua teoria de que os incidentes de febre puerperal estavam relacionados à contaminação causada pelo contato com cadáveres.

Aqueles dispostos a testar seus métodos frequentemente o faziam de maneira inadequada, produzindo resultados desanimadores.

"Você deve ter em mente que o que ele estava dizendo – embora não com essas palavras – era que estudantes de medicina estavam matando mulheres, e isso era muito difícil de aceitar", explica Lerner.

Depois de várias resenhas negativas de um livro que ele publicou sobre o assunto, Semmelweis criticou seus algozes e chegou a rotular médicos que não lavavam as mãos de "assassinos".

O futuro que ele não chegou a ver

Quando seu contrato não foi renovado no hospital de Viena, Semmelweis retornou à Hungria, sua terra natal, onde assumiu o cargo de médico honorário, cadeira de pouco prestígio e não remunerada na enfermaria obstétrica do pequeno Hospital Szent Rókus, em Budapeste.

No local e também na maternidade da Universidade de Budapeste, onde mais tarde ele deu aulas, a propagação da febre puerperal era desenfreada, até que Semmelweis praticamente a eliminou.

Mas nem a crítica contra sua teoria nem a raiva de Semmelweis contra a falta de boa vontade de seus colegas em adotar seus métodos de lavar as mãos diminuíram.

Seu comportamento se tornou irregular. A partir de 1861, ele começou a sofrer de depressão severa. E sempre voltava à questão da febre puerperal.

Um dia, um colega o levou para um asilo de doentes mentais em Viena, sob o pretexto de que eles visitariam um novo instituto médico.

Quando Semmelweis percebeu o que estava acontecendo e tentou sair, os guardas o espancaram severamente, vestiram-lhe uma camisa de força e o colocaram em uma cela escura.

Duas semanas depois, ele morreu devido a um ferimento na mão direita que gangrenou. Semmelweis tinha apenas 47 anos.

Infelizmente, ele não teve papel nas mudanças que seriam realizadas pelos pioneiros antes da teoria dos germes, como Louis Pasteur, Joseph Lister e Robert Koch.

Uma das últimas coisas que Semmelweis escreveu é perturbadora:

"Quando revejo o passado, só posso dissipar a tristeza que me invade imaginando o futuro feliz em que a infecção será banida... A convicção de que esse momento deve chegar inevitavelmente mais cedo ou mais tarde alegrará o momento de minha morte".

In Ciência e Saúde- GLOBO



                                                 Lola

Ciencia: Ignaz Semmelweis





Ignaz Semmelweis - 
 como evitar contágios apenas lavando as mãos

Quem é Ignaz Semmelweis?

Ignaz Semmelweis, um médico húngaro do século XIX, percebeu como combater uma misteriosa febre pós-parto que estava a matar muitas mulheres numa enfermaria. A culpa era dos seus colegas que não lavavam as mãos. Acabou ostracizado num manicómio.
Pioneiro da antissepsia, o húngaro salvou a vida das parturientes desde meados do século XIX com esta medida de higiene sanitária simples, mas efetiva
Passaram-se mais de 150 anos desde que Ignaz Semmelweis demonstrou que o fato de os médicos lavarem as mãos no hospital evitava a morte de parturientes. 
Entretanto, apesar de sua grande descoberta e da sua lúcida cabeça, Semmelweis nunca foi levado muito a sério por seus colegas. Estes não lhe perdoaram por lançar um apelo para que as mulheres não parissem nos hospitais, pelo risco de morrerem de febre puerperal, também conhecida como febre das parturientes, por chamá-los de “assassinos” e por não saber explicar cientificamente as conclusões de seus estudos estatísticos para a redução da mortalidade. Talvez, o que no fundo não lhe perdoassem era a sua juventude, já que com apenas 30 anos pôs em xeque todo o sistema de saúde austríaco, além do seu caráter orgulhoso e agressivo.
Seu reconhecimento tardou anos a chegar, entre outras coisas porque morreu jovem, aos 47 anos, sozinho, deprimido e num manicômio ao qual o levaram de forma fraudulenta. Seu falecimento ocorreu, justamente, pela infecção febril pela que ele tanto combateu, causada por uma ferida, que não se sabe bem se foi feita por ele mesmo ou acidental. O que não se tem dúvida é de que o pesquisador húngaro foi o pioneiro da antissepsia sanitária, mais tarde transferida à cirurgia por Joseph Lister, e que abriu caminho para que Louis Pasteur elaborasse sua teoria dos germes.
Ignaz Philipp Semmelweis nasceu em Buda (parte oeste da atual Budapeste) em 1º de julho de 1818. Foi o quarto de 10 irmãos em uma próspera família de comerciantes. Seu pai se casou com a filha de um construtor de carruagens e tiveram um frutífero negócio de venda por atacado. Construíram um armazém que se tornou a sede da companhia e também o domicílio do casal Semmelweis, onde atualmente funciona o Museu Semmelweis de História da Medicina.
A educação do pequeno Ignaz foi tanto em húngaro como em alemão, embora nunca tenha dominado este último idioma. Ao concluir o ensino obrigatório, começou a estudar Direito, mas, após presenciar uma autópsia, mudou para Medicina e se formou em 1844, obtendo em 1846 a especialização em obstetrícia. Naquela época, o Hospital Geral de Viena era o maior e mais famoso do mundo, com duas clínicas de obstetrícia, uma para ensinar aos estudantes de Medicina e a outra para formar parteiras.
Em 20 de março, de 1846, Ignaz Semmelweis foi nomeado assistente do diretor e chefe de Residentes na Clínica de Maternidade do Hospital Geral de Viena. 




A observação - O problema
Propôs-se a investigar e dar solução ao que outros simplesmente assumiam como normal, em um mundo onde ainda não se falava em germes: as mortes por febre puerperal. Era uma grave doença que afetava as mulheres durante o parto, causando o óbito de até 700 mulheres internadas para partos por ano.
A teoria da época atribuía a alta mortalidade aos ares nocivos, por isso foram feitos numerosos buracos nas paredes e nas portas dos hospitais, conhecidos como “casas da morte”, para melhorar a ventilação, mas tudo foi em vão. Entre outras razões, porque as condições de higiene desaconselhavam até ir a um hospital: as salas de cirurgia eram tão sujas como os cirurgiões que nelas trabalhavam. No meio da sala costumava haver uma mesa de madeira manchada com restos de intervenções anteriores, enquanto o piso estava coberto de serragem para absorver o sangue, e os doentes ficavam em camas cheias de todo tipo de insetos, por causa da umidade de seus próprios fluidos.
As pessoas com maior risco no hospital eram as grávidas, particularmente as que sofriam fissuras vaginais durante o parto, pois as feridas abertas eram o hábitat ideal para as bactérias que médicos e cirurgiões levavam de um lado para o outro. As pacientes sofriam calafrios, dores de cabeça, congestão ocular, convulsões, delírios e, em questão de dias, faleciam.

As hipóteses
Os médicos atribuíam isso ao frio, à humidade, à aglomeração nas salas de maternidade e à ansiedade das parturientes, mas a primeira coisa que Semmelweis observou foi uma diferença notável entre as duas salas obstétricas do Hospital Geral de Viena, cujas instalações eram idênticas. A que era fiscalizada pelos estudantes de Medicina tinha uma taxa de mortalidade três vezes mais alta que a das parteiras.
Embora ninguém fosse capaz de desvendar o mistério, a ordem de um diretor anterior do hospital havia sido decisiva: quis modernizar alguns costumes médicos, o que incluía que os alunos de obstetrícia deixassem de aprender anatomia com manequins e passassem a fazê-lo dissecando cadáveres.




O rigor cientifico
O grande mérito do Ignaz Semmelweis foi começar a tomar notas e a reunir dados estatísticos de ambas as salas. O evidente, e o não tão evidente, veio à tona: muitas mulheres contraíam a febre antes de parirem, a infecção sempre surgia no útero e, o mais importante, os alunos que examinavam as pacientes saíam de suas práticas de anatomia com cadáveres sem lavarem as mãos, e nessas condições examinavam as mulheres.
As parteiras que trabalhavam na segunda sala do hospital, entretanto, não realizavam estudos forenses, por isso Semmelweis imaginou que talvez aqueles estudantes transportassem em seus dedos a infecção da sala de anatomia para as futuras mães, e propôs palavras simples: lavar as mãos.
Sua teoria não agradou em nada a direção do hospital e os seus colegas médicos, que se sentiram culpados e diretamente acusados por centenas de mortes. Assim, após discutir com o diretor, em outubro de 1846, Semmelweis foi destituído do seu cargo.

Outros casos
Um ano depois, Ignaz Semmelweis soube que um professor amigo havia morrido depois de sofrer um corte acidental durante uma autópsia. Ele descobriu que os sintomas que sofrera antes de morrer eram os mesmos das mulheres no hospital, e foi assim que encontrou as evidências necessárias para seu espírito metódico. 

“A sepse e a febre puerperal devem ter a mesma origem. Os dedos e as mãos de estudantes e médicos, sujos por dissecações recentes, transportam venenos mortais dos cadáveres para os órgãos genitais das mulheres em trabalho de parto ", observou.

A experimentação
Graças à sua perseverança, Semmelweis conseguiu retornar ao hospital vienense, onde começou a corroborar suas hipóteses, e foi assim que a terrível sangria de vidas causada pela febre puerperal foi drasticamente reduzida com uma simples lavagem das mãos.


Conclusão
Ele mesmo preparou uma solução de cloreto e ordenou que os alunos lavassem as mãos com ela. Quando Ignaz Semmelweis compreendeu que as infecções também podiam ser passadas adiante após o exame de pacientes vivas, ele reforçou as medidas de higiene e o número de mortes desabou ainda mais.




Será a ciência um processo pacifico?
No entanto, a maioria de seus colegas e os próprios alunos rejeitaram sua eficiente ‘receita’ porque não se baseava em uma explicação científica e, dois anos depois, em 1849, ferido por seu orgulho, Semmelweis perdeu de novo o emprego em Viena.
Depois de trabalhar como médico particular na Hungria e lecionar em uma universidade, o médico publicou em 1861 uma obra em que expôs suas teorias, e mergulhou em uma profunda depressão. Sua personalidade não o ajudou a lidar com a situação, já que durante esse período também escreveu panfletos incendiários nos quais acusava os colegas que o ignoravam, chamando-os abertamente de "assassinos".
Ele acabou sendo internado em um hospício depois de perambular pela rua com aparência desleixada e gritando. Foi sua mulher quem o levou ao manicômio vienense, enganando-o, com a desculpa de visitar um amigo em sua casa. Tão logo chegou, três médicos, nenhum dos quais era psiquiatra, aprovaram seu confinamento involuntário, colocaram-no em uma camisa de força e o trancaram em uma cela escura, onde era espancado por sua teimosia. Quando morreu, a imprensa médica apenas relatou sua morte, e não houve obituários reconhecendo suas realizações.
Faleceu em 13 de agosto de 1865, aos 47 anos. Várias teorias circulam sobre sua morte. A mais difundida é que, num acesso de loucura, ele se cortou e a ferida produziu a temida febre contra a qual lutou ao longo de sua carreira. Outra, no entanto, sustenta que esta lesão foi acidental.
Na estátua que o homenageia em Viena, é reverenciado como “o salvador das mães”, assim como em frente à fachada do Hospital de Budapeste, onde desponta uma grande escultura com a inscrição “Semmelweis” e no pedestal, entre anjos, uma mãe de pedra segura um bebê e o amamenta. A mulher olha para o topo do pedestal, onde está um homem de barba, capa de gabardine e com vários cadernos de anotações embaixo do braço.
A receita de Ignaz Semmelweis de lavar as mãos salvou inúmeras vidas desde então, embora ele não tenha conseguido dar uma explicação científica para o motivo das mortes. Hoje, o conceito de febre puerperal não é aceito como categoria diagnóstica e é mais comum identificar os órgãos e tecidos afetados pela infecção, por exemplo, endometrite ou peritonite, mas a lavagem das mãos voltou a se tornar o meio mais seguro nas últimas semanas de se sentir a salvo do contágio.





Atualmente, esse gesto, tão simples quanto cotidiano, ganha nas últimas semanas um valor incalculável por ser uma das soluções mais eficazes para evitar o contágio pelo vírus SARS-CoV-2, mais conhecido em todo mundo como o novo coronavírus (Covid-19).
ALBERTO LÓPEZ
20 MAR 2020
(AdaPTADO) 



                                                 Lola


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