Mostrar mensagens com a etiqueta Relativismo Moral. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Relativismo Moral. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de março de 2019

Relativismo Moral




Relativismo Moral


O Relativismo moral é um tipo de subjetivismo que sustenta que as verdades morais são preferências muito parecidas com os nossos gostos em relação aos alimentos, por exemplo. O relativismo moral ensina que quando se trata de moral, do que é eticamente certo ou errado, as pessoas podem e devem fazer o que quer que sintam ser o certo para elas.  As normas morais dependem de indivíduos, grupos e culturas que as sustentam. Porque acreditam que a verdade moral é subjetiva, as palavras como 'devem' ou 'deveriam' não fazem sentido porque cada indivíduo terá as suas preferências morais; ninguém tem a pretensão de uma moral objetiva que seja comum aos outros. O relativismo não exige um determinado padrão de comportamento para todas as pessoas em situações morais semelhantes. Quando confrontadas com exatamente a mesma situação, uma pessoa pode escolher uma resposta, enquanto outra pode escolher o oposto. Não há regras universais de conduta que se apliquem a todos.

O relativismo moral é completamente inviável. Que tipo de mundo seria o nosso se o relativismo fosse a regra? Seria um mundo em que nada estaria errado – nada seria considerado mau ou bom, nada seria digno de louvor ou de reprovação. A justiça e a equidade seriam conceitos sem sentido, não haveria responsabilização, as pessoas não poderiam tornar-se melhores em termos morais, aliás seria até impossível colocar a hipótese das pessoas se poderem tornar melhores. Um mundo em que, também, não haveria tolerância. Este é o tipo de mundo que o relativismo moral produz. 

Vejamos os sete erros fatais do Relativismo:

1. OS RELATIVISTAS MORAIS NÃO PODEM ACUSAR AS OUTRAS PESSOAS DE MÁ CONDUTA . 

O relativismo torna impossível criticar o comportamento dos outros, porque, em última análise, nega a existência de algo como ”má conduta”. Se alguém acredita que a moralidade é uma questão de definição pessoal, então abre mão da possibilidade de fazer juízos morais  objetivos sobre as ações dos outros, não importa quão 'grotescas' elas sejam. Isto significa que um relativista não se pode racionalmente opor ao assassinato, à violação, ao abuso infantil, ao racismo, ao sexismo ou à destruição ambiental, se essas ações forem consistentes com o entendimento pessoal sobre o que é certo e bom por parte de quem as pratica . Quando o certo e o errado são uma questão de escolha pessoal, nós abdicamos do privilégio de fazer julgamentos morais sobre as ações dos outros.

2. OS RELATIVISTAS NÃO PODEM CONDENAR O MAL. 

Toda esta objeção se fundamenta na observação de que existe mal verdadeiro. Mas mal objetivo não pode existir se os valores morais são relativos ao observador. O relativismo é inconsistente com o conceito de que o mal moral verdadeiro existe, porque nega que qualquer coisa possa ser objetivamente errada. Se não existe um padrão moral, então não pode haver desvio do padrão. Assim, os relativistas devem abandonar o conceito de mal verdadeiro.

3. OS RELATIVISTAS NÃO PODEM CONDENAR ALGUÉM OU ACEITAR ELOGIOS. 

O relativismo torna os conceitos de louvor e condenação sem sentido, porque nenhum padrão externo de medição define o que deve ser aplaudido ou condenado. Sem padrões comuns, nada é, em última análise, mau, deplorável, trágico ou digno de condenação. Nem é qualquer coisa, em última análise, boa, honrada, nobre ou digna de louvor.  Os relativistas são quase sempre inconsistentes nesse ponto, porque eles procuram evitar condenação, mas prontamente aceitam elogios. Se a moralidade é uma ficção, então os relativistas também devem remover as palavras aprovação e condenação do seu vocabulário. 

4. OS RELATIVISTAS NÃO PODEM FAZER ACUSAÇÕES DE PARCIALIDADE OU INJUSTIÇA. 

De acordo com o relativismo, as noções de equidade e justiça são incoerentes, já que ambos os conceitos ditam que as pessoas devem receber igualdade de tratamento com base em alguma norma externa acordada. No entanto o relativismo acaba com qualquer possibilidade de existirem normas vinculativas externas. A justiça implica punir aqueles que são culpados por um delito. Mas, sob o relativismo, a culpa e a condenação não existem – se nada for imoral, não há a possibilidade de acusar e, portanto, nenhuma culpa digna de punição. Se o relativismo é verdadeiro, então não há tal coisa como justiça ou equidade, porque ambos os conceitos dependem de um padrão objetivo do que é certo. 

5. OS RELATIVISTAS NÃO PODEM MELHORAR A SUA MORALIDADE. 

Os relativistas podem mudar de valores morais, mas eles nunca podem tornar-se pessoas melhores já que não existe um padrão objetivo pelo qual medir esse melhoramento. 

6. OS RELATIVISTAS NÃO CONSEGUEM MANTER DISCUSSÕES MORAIS SIGNIFICATIVAS. 

O que há para falar? Se a moral é totalmente relativa e todas as opiniões são iguais, então não há uma maneira de pensar melhor do que outra. Não há uma posição moral  que possa ser considerada como adequada ou deficiente, razoável, aceitável, ou até mesmo inaceitável. É, portanto, raro encontrar um relativista racional e consistente, já que a maioria deles são rápidos a impor suas próprias regras morais, como, por exemplo, ”é errado impor a sua própria moralidade aos outros”. Isso coloca os relativistas numa posição insustentável: se falam sobre questões morais, eles abandonam o seu relativismo; se não falam, eles abrem mão da sua humanidade, porque abdicam do uso da sua Razão. 

7. OS RELATIVISTAS NÃO PODEM PROMOVER A TOLERÂNCIA. 

A obrigação moral relativista de ser tolerante é auto-refutante. Ironicamente, o princípio da tolerância é considerado uma das virtudes principais do relativismo. A moral é individual, assim eles dizem, e, portanto, devemos tolerar os pontos de vista dos outros e não julgar o seu comportamento e atitudes. No entanto, se não existem regras morais objetivas, não pode haver nenhuma regra que exija a tolerância como um princípio moral que se aplique igualmente a todos. De facto, se não há absolutos morais, porquê ser tolerante afinal? Os relativistas violam o seu próprio princípio de tolerância quando não conseguem tolerar as opiniões daqueles que acreditam em padrões objetivos morais. O princípio de tolerância é, portanto, estranho ao relativismo. 


Roger Morris, do site Faithinterface, 
com base no livro Relativism – Feet Firmly Planted in Mid-Air, 
de Francis Beckwith e Gregory Koukl, 
elaborou esta lista, com sete erros fatais do Relativismo moral. 


Lola

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Relativismo Moral






Relativismo Moral



É uma verdade incontroversa que pessoas de sociedades diferentes têm costumes diferentes e diferentes ideias acerca do bem e do mal morais. Não há consenso mundial sobre a questão de saber que as acções são moralmente boas e moralmente más, apesar de existir uma convergência considerável sobre estas matérias.
Se tivermos em consideração o quanto as ideias morais mudaram, quer de lugar para lugar, quer ao longo do tempo, pode ser tentador pensar que não existem factos morais absolutos e que, pelo contrário, a moral relativa à sociedade na qual fomos educados. Segundo esta perspetiva, uma vez que a escravatura era moralmente aceite para a maioria dos Gregos antigos, apesar de o não para a maioria dos Europeus de hoje em dia, a escravatura seria moralmente boa para os Gregos antigos, apesar de ser moralmente má para os Europeus contemporâneos. Esta perspetiva, conhecida como relativismo moral, faz com que a moral seja apenas a descrição dos valores adotados por uma sociedade em particular, num certo momento do tempo. Trata-se de uma perspetiva metaética acerca da natureza dos juízos morais. Os juízos morais só podem ser avaliados como verdadeiros ou falsos relativamente a uma sociedade particular. Não há juízos morais absolutos: são todos relativos. O relativismo moral contrasta fortemente com a perspetiva de que algumas ações são absolutamente boas ou más – uma perspetiva defendida, por exemplo, por muitas pessoas que acreditam que a moralidade é constituída pelos Mandamentos prescritos por Deus à humanidade.

            Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia



Poderemos criticar o relativismo moral?


Os relativistas morais são por vezes acusados de inconsistência, uma vez que defendem que todos os juízos morais são relativos, ao mesmo tempo que querem que acreditemos que a própria teoria do relativismo moral éabsolutamente verdadeira.
Isto só é um problema sério para um relativista moral que seja também um relativista acerca da verdade, isto é, alguém que acha que a verdade absoluta é coisa que não existe: só existem verdades relativas a sociedades particulares. Este tipo de relativismo não pode defender nenhuma teoria como absolutamente verdadeira.

No entanto, os relativistas normativos estão certamente sujeitos à acusação de inconsistência. Eles acreditam simultaneamente que todos os juízos morais são relativos à nossa sociedade e que as sociedades não devem interferir umas com as outras. Mas esta segunda crença é certamente um exemplo de um juízo moral absoluto, um juízo completamente incompatível com a premissa básica do relativismo normativo. Esta é uma crítica desvastadora para o relativismo normativo.
(...)



Não haverá crítica moral dos valores de uma sociedade?


O relativismo moral não parece dar a possibilidade de crítica moral aos valores centrais de uma sociedade. Se os juízos morais se definem em termos dos valores centrais dessa mesma sociedade, nenhum crítico destes valores centrais pode usar argumentos morais contra ela. Numa sociedade na qual a perspetiva dominante seja a de que as mulheres não devem poder votar, qualquer pessoa que sugerisse o direito de voto para as mulheres estaria a sugerir algo imoral relativamente aos valores dessa sociedade.
                                                                
                                                             Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia


O que poderemos aceitar no relativismo?


Penso, na verdade, que há alguma coisa correta no relativismo cultural e quero agora passar a dizer o que é. Há duas lições que podemos aprender com a teoria, ainda que acabemos por rejeitá-la.

Primeiro, o relativismo cultural alerta-nos, de maneira correta, para os perigos de pressupor que todas as nossas preferências estão fundadas numa espécie de padrão racional absoluto. Não estão. Muitas das nossas práticas (mas não todas) são particularidades exclusivas da nossa sociedade. (…) O relativismo cultural começa com a preciosa observação de que muitas das nossas práticas são apenas isto; produtos culturais.

(…) A segunda lição relaciona-se com a necessidade de manter o espírito aberto. No processo de crescimento, cada um de nós adquiriu algumas convicções fortes; (…) podemos, ocasionalmente, ver essas convicções postas á prova. (…) O relativismo cultural, ao sublinhar que as nossas perspetivas morais podem refletir preconceitos da nossa sociedade, fornece um antídoto para este tipo de dogmatismo.

(…) Perceber isto pode levar-nos a uma maior abertura de espírito. Podemos compreender que os nossos sentimentos não são necessariamente percepções da verdade – podem não ser mais do que o resultado do condicionamento cultural. (…) Podemos ficar mais abertos à descoberta da verdade, seja ela qual for.

                                                                             J. Rachels, Elementos de Filosofia Moral







                                                Lola


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...