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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Peter Singer

Peter Singer e a corrupção
“É preciso punir a ‘pequena’ corrupção”
O filósofo Peter Singer, um dos maiores especialistas do mundo em ética, fala sobre a crise moral brasileira e outros temas atuais
O FILÓSOFO PETER SINGER , UM DOS MAIORES ESPECIALISTAS DO MUNDO EM ÉTICA
 (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Peter Singer é um dos mais influentes, polêmicos e populares filósofos da atualidade. Os ensaios publicados por ele sobre temas como ética, pobreza, direito dos animais e aborto serviram de combustível a debates acalorados nas últimas décadas. Defensor da eutanásia e da ideia de que a vida de um animal tem o mesmo valor que a vida humana, Singer já foi chamado de “doutor morte” e teve de enfrentar protestos no campus da Universidade de Princeton, quando foi indicado como professor da instituição – onde leciona ainda hoje. Na entrevista a seguir, ele fala sobre a crise moral brasileira e outros temas atuais.
 
É comum ouvirmos que o Brasil vive, hoje, três crises: a econômica, a política e a moral. O senhor concorda com a definição de “crise moral” aplicada a um país?
Sim. Acho que as coisas podem lentamente piorar e piorar, em termos de compromisso com a coisa pública. Os interesses pessoais vão se sobrepondo ao bem público, as pessoas acabam sendo desonestas para atingirem seus próprios interesses, até que algo enorme como o escândalo da Petrobras vem à tona e todos percebem que há uma crise moral, porque esses malfeitos passam a acontecer em uma escala que ninguém está disposto a tolerar.
A grande corrupção é resultado da “pequena”, aquela praticada no dia a dia – como pegar um recibo do taxista acima do valor da corrida? Ou é justamente o contrário: o mau exemplo de políticos e governantes acaba se disseminando e contaminando o povo?
As duas são sintomas de um mesmo problema de fundo, que é uma cultura tolerante a corrupção. Uma vez que pareça ser normal o fato de alguém pedir e de o taxista dar um recibo acima do valor, isso contribui para a ideia de que a corrupção é um comportamento aceitável. No final, mesmo roubar dinheiro público não parece uma coisa tão ruim. O que penso, na verdade, é que uma mudança nos fundamentos culturais é necessária. Não é algo fácil de alcançar, mas deve ser a finalidade a ser perseguida. Há muitos países onde a corrupção era mais prevalente anos atrás, mas as práticas mudaram. É possível, mas definitivamente não é fácil.
Como o senhor vê o futuro da ética e da transparência na sociedade? As pessoas tendem a achar que ao longo dos anos as coisas melhoram, mas às vezes a sensação é a de que elas pioram. O senhor é otimista sobre o futuro da justiça na sociedade?
Sou otimista sobre o progresso da moralidade no longo prazo. Se olharmos para a história em perspectiva, veremos que temos feito progressos e nos movido no sentido correto. No longo prazo, por uma variedade de motivos, continuaremos nesse sentido. Mas, como em quase tudo, pode haver retrocessos de curto prazo, que podem durar anos. Esses retrocessos acontecem de forma mais grave em alguns países. Talvez no Brasil as coisas tenham piorado, mas em outros elas estão melhorando. É algo que tem altos e baixos. Mas ainda acredito que na longa estrada nós fizemos progressos em termos morais, e continuaremos a fazê-los.
Quando o senhor escreveu o importante ensaio “Fome, riqueza e moralidade”, em 1971, havia uma crise de refugiados na Índia. Hoje, há uma crise semelhante na Síria. Algo mudou, na forma como lidamos com esse problema?
Muitas coisas mudaram no mundo, mas o número de refugiados aumentou desde aquela época. Infelizmente, estamos em um pico histórico. O mundo realmente precisa olhar com seriedade para essa questão.
No ensaio, ao explicar por que devemos nos importar com desconhecidos, o senhor usou uma imagem que se tornaria famosa: a criança que se afogava em uma poça de água. Como se sentiu quando viu, no noticiário, a foto da criança síria afogada?
Bem, obviamente era uma situação triste, é uma tragédia quando qualquer criança se afoga. Mas não escrevi o artigo por causa da questão dos refugiados, mas devido ao problema das pessoas em extrema pobreza que morrem por motivos que poderiam ser prevenidos. Que morrem por problemas simples, como diarreia, malária. Desde a época em que escrevi o artigo, tenho a consciência de que crianças morrem todos os dias por esse tipo de causa. De acordo com a UNICEF e outras fundações importantes, 16 mil crianças morrem todos os dias de causas que poderiam ser evitadas, ligadas a pobreza. Ainda assim, é claro, ver aquela criança foi muito trágico.
Por que não fazemos mais a respeito?
Sobre o tema pobreza, nós estamos fazendo progressos. Mas não o suficiente, nem com a velocidade necessária. Se atualmente 16 mil crianças morrem todos os dias, quando escrevi “A vida que podemos salvar”, em 2009, esse número era de 27 mil crianças. Caiu quase pela metade, em menos de sete anos. É encorajador, ainda que seja trágico que as mortes sigam sendo desnecessárias. Estamos fazendo progresso. Claramente precisamos fazer mais.
No Brasil, uma polêmica permeou as tragédias de Paris e de Mariana (MG): as pessoas censuravam a comoção alheia nas redes sociais, como se devessem se importar mais com a tragédia local. É legítimo que nos importemos de forma diferente com essas tragédias?
Esse tipo de acusação é muito comum, sobre o quanto nos importamos e o quanto a mídia cobre as tragédias que acontecem em outros países ou no nosso. De modo que entendo isso. Mas acho lamentável, todos deveriam entender a vida humana de forma igual, não importa em que parte do mundo ou qual a raça ou a religião que tenham. Deveríamos nos importar da mesma forma com as vidas perdidas no acidente da Samarco, em Paris, em Mali ou em qualquer lugar. É uma tragédia, onde quer que ocorra.
A tragédia de Mariana causou um grande dano ambiental. O senhor sempre foi uma voz importante na defesa dos direitos dos animais e em temas afins. Como acha que esse tipo de dano deve ser compensado? Pagamento em dinheiro é suficiente?
Não. Acho que, se houver espécimes sobreviventes das espécies nativas, as mineradoras envolvidas deveriam desenvolver um habitat apto e protegido para eles, onde, esperamos, eles poderão se reproduzir e popular novamente a região.  
De modo geral, as empresas usam – e poluem – bens que são de todos nós, como o ar ou a água, para lucrar. Como essa troca poderia se tornar mais justa?
Esses ativos pertencem às pessoas do país e devem ser usados em benefício delas. Principalmente para um benefício de longo prazo. Normalmente, a precificação deles é pensada no curto prazo. Acabamos “vendendo” esses ativos muito barato, dado seu valor no longo prazo. É uma decisão difícil. Esse é um fato muito relevante, principalmente para a indústria da mineração e do petróleo. Há um custo global no uso de carvão e do petróleo. Os combustíveis fósseis deveriam ser precificados levando-se em conta esse custo, mas não o são. O preço deles é muito baixo, eu acredito, porque esse custo global não é levado em conta.

In  ÉPOCA negocios
29/02/2016 - 07H43 - ATUALIZADA ÀS 07H51 - POR PEDRO CARVALHO

(Colaborou Marcelo Cabral)


                                           Lola

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Peter Singer




Peter Singer: o Filósofo pop

Caso raro de intelectual que mobiliza multidões, Peter Singer é chamado de nazista. Mas ele garante só querer menos sofrimento no mundo

Nas últimas três décadas, o australiano Peter Singer vem tentando realizar na prática o que para muitos não passa de mera utopia: diminuir a quantidade de sofrimento no mundo. Graças a esse desafio, Singer se tornou um dos mais polémicos e, segundo ele mesmo, influentes filósofos vivos. Sua indicação para professor de bioética da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, gerou protestos furiosos nos portões do velho campus. Por defender o aborto e a eutanásia, foi chamado de “doutor morte” e “o homem mais perigoso do mundo”.
O pensamento de Singer choca porque abandona noções éticas enraizadas na sociedade. A começar pelo caráter sagrado da vida humana. Por que a vida de um homem tem sempre mais valor que a de um cão ou de um chimpanzé? Para responder essa pergunta, o australiano leva em conta algumas variantes. A principal delas é o interesse em não sofrer, um princípio que está na origem de seu vegetarianismo radical. Singer também considera a capacidade de fazer planos para o futuro, relacionar-se e pensar sobre a própria existência. “Os seres que têm essa consciência perderão mais se forem mortos. Por isso, matar uma pessoa é, em geral, pior que matar uma galinha”, diz.
Mas essa teoria também vale para nós. Singer afirma que tirar a vida de um ser humano “normal” é mais errado que tirar a de outro que não tem e nunca terá – devido a uma lesão cerebral, por exemplo – a capacidade de se ver como alguém existente no tempo, com passado e futuro. Portanto, não há sentido em prolongar a vida onde existe muito sofrimento e pouca consciência. A ética prática de Singer também ecoa em outros campos, embora com menos barulho. Ele defende que os países ricos têm a obrigação de ajudar os pobres e que cada um de nós é responsável por pessoas que neste momento estão morrendo de fome.
É realmente possível viver sem causar sofrimento aos outros?
Não falo de um mundo sem sofrimento, e sim de um mundo com menos sofrimento. Não podemos pensar em tudo ou nada. Uma forma de reduzi-lo é parar de fazer aos animais muitas coisas desnecessárias, como algumas experiências de laboratório e maus tratos em fazendas industriais. Outro ponto diz respeito a crianças pobres e subnutridas. Podemos dar a elas parte do que nós gastamos em coisas supérfluas. Uma terceira maneira seria ajudar pessoas que estão sofrendo com doenças graves e incuráveis e que querem terminar com essa aflição.
Qual deve ser o critério ético em nosso relacionamento com os demais?

“Não faça aos outros o que não gostaria que lhe fizessem.” O conteúdo de minha ética está em pensar mais nas consequências daquilo que fazemos que ver se nossas ações estão de acordo com regras como “não minta” e “não roube”. Esse tipo de norma talvez seja útil para educar pessoas, mas não oferece respostas para várias situações difíceis.
Poderia exemplificar?

Digamos que uma pessoa tem uma renda razoável e compra roupas apenas porque estão na moda. Agindo assim, ela é responsável pelo que acontece com outras que estão passando fome ou morrendo por doenças que podem ser evitadas. Se temos como ajudá-las e não ajudamos, somos responsáveis por elas continuarem nessa situação.
De acordo com a FAO (agência da ONU para comida e agricultura), o consumo de carne reduz a desnutrição em países subdesenvolvidos. Seria justificável diminuir o sofrimento de animais aumentando a aflição humana?

Uma coisa é falar das pessoas desnutridas que não conseguem ter acesso a comida. Outra, bem diferente, são pessoas que vivem em cidades como São Paulo e podem comprar alimentos no supermercado. Podem comer tofu e uma infinidade de comidas que não geraram sofrimento aos animais. A FAO está falando de desnutridos, que não são exatamente as pessoas sobre as quais escrevo. Refiro-me às que têm possibilidade de escolher o que comem.

Você diz que caiu o racismo, depois o sexismo e agora é a vez do especismo, ou seja, a idéia de que humanos são superiores a outras espécies. Essa mudança de mentalidade terá êxito?

Creio que sim, mas precisaremos de um longo tempo. A luta contra o racismo e a escravidão levou anos, e a luta contra o especismo também levará. Lembre-se de que ainda havia escravos nos Estados Unidos até 80 anos após o começo do movimento abolicionista. Com os direitos dos animais não será diferente. Precisaremos de algo como 50 anos ou mais até que haja uma mudança de mentalidade.
As idéias que você defende não são matemáticas demais e pouco humanas, como no caso de sua posição sobre os recém-nascidos com deficiências?

Dizem que sou um homem perigoso e contra a religião cristã. Mas penso que minhas visões são baseadas na compaixão, no sofrimento de pessoas que vivem situações trágicas. Argumento que pais de recém-nascidos com grave deficiência devem ser autorizados a decidir, junto a seu médico, se o bebê deve viver ou morrer. A vida de uma criança com anencefalia (falta de cérebro), por exemplo, pode ser tão aflitiva que seria desumano estender seu sofrimento.
Você é uma raridade: um filósofo pop. Por que suas opiniões mobilizam tanto?

Provavelmente porque lido com as questões realmente práticas que enfrentamos no quotidiano. Talvez porque eu não tente me esconder atrás de linguagens obscuras ou de jargões filosóficos, que tornariam meus livros difíceis de entender. Procuro me expressar de forma muito simples e clara. Isso faz com que as pessoas compreendam meu pensamento e se sintam desafiadas por ele.
Por mais perfeita que seja, a lógica que você defende conseguirá superar o lado ilógico e irracional da natureza humana?

A lógica pode ser apenas um lado da balança. Você está certo sobre o lado irracional da natureza humana e sempre haverá uma tensão em conseguir que as pessoas sigam o que é correto. Então, o que devemos fazer é colocar o melhor da lógica e dos argumentos éticos de um lado e esperar que possamos influenciar o lado ilógico e irracional do ser humano. Não durante todo o tempo, mas pelo menos durante grande parte do tempo.
Como você recebe as críticas que o comparam aos nazistas?

Obviamente as considero ofensivas. Elas banalizam os crimes que os nazistas perpetraram. Meu livro Pushing Time Away (“Afastando o Tempo”, sem tradução em português) conta a triste história de meus avós, três dos quais mortos no Holocausto. Estudei o nazismo com cuidado, e ele é exatamente o oposto de minhas idéias, que são baseadas em compaixão e no desejo de evitar o sofrimento. Além disso, quero dar mais poder aos indivíduos e aos pais, não ao Estado – como era o caso do nazismo.
Você foi impedido de falar na Áustria e na Alemanha e sofreu ataques da imprensa européia. Já pensou em desistir?

Nunca. Sempre há coisas interessantes a dizer e públicos novos a alcançar. Estou feliz com a extensão da resposta ao que escrevo, mas obviamente gostaria de ter mais apoio. Há um longo caminho a percorrer. Estou contente com meu progresso, mas certamente não satisfeito. São assuntos tão importantes que é preciso ter força para não desistir.

Quem é Peter Singer?

• Tem 57 anos e nasceu em Melbourne
• É vegetariano e doa 20% do que ganha para organizações de ajuda humanitária
• Gosta de surfar
• Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, é seu romance favorito
• O seu  livro Libertação Animal, publicado em 1975, foi traduzido para 14 idiomas e mudou a história do movimento pelo direito dos animais


In Super Interessante
access_time30 abr 2004, 22h00 - Atualizado em 31 out 2016, 18h53
Eduardo Szklarz

Lola

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Peter Singer






Peter Singer: o filósofo mais perigoso 
do mundo


Peter Singer é um filósofo polêmico por pedir coerência prática com o que pensamos e o que dizemos defender. Se amamos os animais, por que os comemos? Se colocamos o valor da vida acima dos objetos, por que gastamos tanto comprando tais objetos em vez de ajudarmos instituições de caridade?
Em entrevista ao Cambrige Tab, Singer nos confronta com uma conclusão: nossa ideia de certo e errado parte de nosso repertório pessoal de atitudes - e aquilo que não fazemos é simplesmente negligenciado: o que fazemos é correto e o que não fazemos não existe.

Cambridge Tab: É o conceito de caridade mal interpretado atualmente?

Peter SingerCreio que o grande erro é a caridade não ser obrigatória. Minha luta é fazer com que as pessoas percebam que é algo essencial para uma vida ética. Presumindo que elas possuam uma renda adequada – que possibilite gastos extras – estou tentando mostrar que o altruísmo é tão importante para a vida ética quanto o “não matar".

Cambridge Tab: Qual o problema com a ideia de moral convencional?

Peter Singer: As pessoas tendem a determinar o que é certo e errado com base no que elas fazem e acabam negligenciando o que elas não fazem. Quando o simples fato de permitimos o acontecimento de coisas pode trazer consequências muito mais sérias do que as infrações a regras morais que muitos acreditam ser relevantes.

Cambridge Tab: existe altruísmo demais?

Peter SingerPenso que existe um nível além do que você gostaria de ir sim. É um nível extremo, sendo que temos tanto em meio a pessoas com tanta necessidade. Mas, não acho que este seja o padrão a ser pedido numa sociedade que dá tão pouco. É melhor trabalhar dentro de um campo mais alcançável de ação. Giving what we can [ONG criada pelo filósofo australiano Toby Ord, da qual Singer é membro] argumenta em favor da doação dos básicos 10%. No meu livro, A vida que podemos salvar [no Brasil, pela editora Gradiva], existe um ideal diferente, que inicia mais baixo e termina mais alto e que depende do quanto você ganha. Felizmente, uma vez que as pessoas começam algo significativo, elas descobrem que não é difícil, que é até recompensador, e constroem seus caminhos em direção a isso.

Cambridge Tab: Como você define uma carreira bem-sucedida?

Peter Singer: É a carreira da qual o mundo mais se beneficia. Sua carreira é algo que demanda muito da sua energia e tempo – 80 mil horas – e, portanto, devemos ser conscientes de optarmos por sermos agentes de mudança significativa, e esperarmos satisfação e bem-estar de nossas carreiras. Mas, este é um conselho geral; a decisão depende também de aptidões individuais.

Cambridge Tab: A busca por altruísmo efetivo em me tornar um agente financeiro é fundamentalmente contraditório?


Peter SingerDe certa forma, precisamos aceitar o argumento de Will Crouch [filósofo britânico ligado ao altruísmo efetivo]: se você não se tornar um altruísta, alguém o fará e terá o mesmo impacto que você teria. Se você não se tornar um agente financeiro em busca de altruísmo efetivo, alguém se tornará um agente financeiro no seu lugar e causará o mesmo dano que você teria causado, mas sem doar nada.

Cambridge Tab: O altruísmo efetivo dá ênfase à razão. Quais são os perigos de uma racionalidade excessiva?

Peter Singer: Se seguirmos minha posição logicamente, diremos que é errado gastarmos mais com nós mesmos, com nossos filhos ou com um parente doente em vez de darmos para pessoas que necessitam mais do que nós. Mas, o que sugiro é que devemos tentar que as pessoas façam algo altruísta e que também não sejam muito autocríticas se não forem até o fundo disso.

Cambridge Tab: São altruísmo efetivo e combate à pobreza mundial suas perspectivas menos contestáveis?

Peter Singer: Muitas pessoas contestam minhas posições sobre bioética e o valor da vida com base em visões religiosas. Ao mesmo tempo, existem cristãos que levam muito a sério o que atribuem como dito por Jesus disse, que devemos ir muito longe no trabalho de ajudarmos os necessitados. Para eles, o altruísmo efetivo é a menos contestável das minhas posições. Para outros – e estou pensando nos seguidores de Ayn Rand – que pensam que todos devem apenas ganhar dinheiro, que o egoísmo é bom, que o mercado os recompensa por darem aos seus clientes o que precisam, o altruísmo efetivo é controverso.
Creio que este tipo de raciocínio contamina tanto a motivação – e acho que estão confusos sobre isso – e o direito de manter o que você ganhou. Não estou dizendo que não há direito sobre propriedade. Pode ser que haja este direito, mas, se quisermos que seja ético, é preciso compartilhar muito do que ganhamos.

Cambridge Tab: sem os mandamentos religiosos ou um imperativo categórico, existe ousadia suficiente para as pessoas seguirem a ética utilitarista?


Peter SingerUma coisa interessante do movimento pelo altruísmo efetivo é como as pessoas religiosas ou não concordam em seus objetivos. Com base nas evidências até aqui, eu diria que sim, muitas pessoas são suficientemente motivadas por saberem a diferença que podem gerar sem uma religião que as embase. Não sei se algum dia concluiremos outra coisa. Acho que o movimento segue crescendo, mas, em algum momento, começará a se acomodar, porque ainda existem muitos que não são motivados pelo impacto que causam. No mais, não quero ligar altruísmo e utilitarismo.

Tirado daqui:









                                                Lola

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