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sábado, 6 de maio de 2017

Porque são Mulheres...




Porque são Mulheres...

Mulheres já podem ir à escola e ao médico sem consentimento dos homens

Rei da Arábia Saudita ordenou uma revisão das normas da tutela masculina sobre as mulheres
O rei da Arábia Saudita emitiu um decreto de revisão do sistema de tutela a que estão sujeitas as mulheres, necessitando de autorização de um guardião masculino para arrendar uma casa, estudar e trabalhar, entre outras coisas.
A agência noticiosa oficial saudita SPA informou de que o decreto real de Salman bin Abdelaziz pede aos órgãos estatais que revejam a lei num prazo de três meses desde a emissão do mesmo.
O decreto estabelece que as mulheres não têm que dispor de uma autorização do seu guardião masculino para contratar serviços do governo ou proceder a trâmites administrativos, no caso de não haver um "precedente legal" na legislação islâmica que assim o estabeleça.
Segundo os jornais locais, citados pela Reuters, isto significa que as mulheres poderão ter acesso à educação e serviços de saúde, como tratamentos hospitalares, sem terem de pedir o consentimento de um homem. Poderão também trabalhar no setor público e privado e representarem-se em tribunal, sem a autorização de um homem - normalmente o pai ou o marido.
De acordo com as primeiras análises do diploma, continuará a ser obrigatório que as mulheres tenham autorização do guardião masculino para obterem o passaporte ou para viajarem para fora do país.
Por outro lado, o decreto solicita às administrações que facultem transporte às funcionárias do Estado e também às empresas privadas, para que as suas empregadas possam deslocar-se aos seus locais de trabalho.




A aplicação do decreto poderá ter efeitos positivos sobre a situação da mulher, mas ativistas locais consideram que a linguagem ambígua do texto pode levar também a uma interpretação mais severa, o que se analisará nos próximos meses.
O decreto foi emitido na altura da visita à Arábia Saudita do relator especial da ONU para os direitos humanos e a luta contra o terrorismo, Ben Emmerson, que se reuniu com representantes governamentais e defensores das liberdades no país.
Nos últimos anos, as mulheres sauditas mobilizaram-se nas redes sociais e pediram às autoridades para acabarem com o sistema de tutela, bem como com a proibição de conduzir veículos, entre muitas outras restrições.
Devido às pressões internas e externas, a Arábia Saudita passou a permitir em 2013 que as mulheres fizessem parte do denominado Conselho da Shura, um órgão consultivo, e em 2015 puderam votar e candidatar-se às eleições municipais pela primeira vez na história do país.
In dn
05 DE MAIO DE 2017 - 18:31
Lusa



 Lola

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Porque são Mulheres...

      
Faisal Al Nasser / Reuters


           Porque são Mulheres...


Na Arábia Saudita as mulheres não podem sequer conduzir. Mas o país foi eleito para a Comissão para os Direitos das Mulheres da ONU...
A nação islâmica vai debater a igualdade de género nas Nações Unidas, embora seja dos países que mais limita os direitos das mulheres. Aqui ficam sete exemplos de coisas que as sauditas não podem fazer

A Arábia Saudita foi eleita para a Comissão para os Direitos das Mulheres da ONU no último domingo, 23. A decisão de colocar a nação islâmica ultraconservadora no grupo de 45 países que debatem a promoção da igualdade de género e os direitos das mulheres no mundo revoltou grupos de direitos humanos. "É como colocar um incendiário o chefe dos bombeiros de uma cidade", disse Hillel Neuer, diretor da ONG UN Watch (Observatório das Nações Unidas).
É quase impossível para uma mulher ter uma vida comum na Arábia Saudita sem a supervisão de um homem. Uma polícia religiosa, a mutaween, é responsável por controlar se as mulheres estão a quebrar alguma das inúmeras regras de segregação do país. Veja algumas das coisas que as mulheres não podem fazer no país que agora tem a função de promover (ou não...) os seus direitos no mundo.
VIAJAR, ESTUDAR OU TRABALHAR SEM AUTORIZAÇÃO DE UM HOMEM
Pela lei saudita, uma mulher é obrigada a ter sempre um guardião do sexo masculino, seja o marido ou algum membro da família. Este guardião, chamado de wali, é quem decide se uma mulher se pode casar ou divorciar, viajar (caso tenha menos de 45 anos), estudar, trabalhar, abrir uma conta bancária ou até mesmo submeter-se a alguns procedimentos cirúrgicos.

CONDUZIR
Não há legislação oficial que proíba as mulheres de se sentarem atrás de um volante, mas o preconceito cultural é tão forte que na prática se tornou lei. Diversas campanhas já foram feitas no país a pedir que elas possam conduzir livremente, mas sem sucesso. Em novembro do ano passado, a Assembleia Consultativa, conhecida como Shura, recusou-se a analisar a questão. De acordo com um dos membros do conselho, as mulheres estariam "expostas ao mal", caso conduzissem.

"MOSTRAR A SUA BELEZA"
O código de vestimenta para as mulheres sauditas é famoso (ou infame) em todo o mundo. Mesmo nas regiões em que não são tecnicamente obrigadas a cobrir o rosto, continuam expostas a críticas e punições caso não cubram suficientemente a cabeça ou usem demasiada maquilhagem. Em 2015, a Shura recomendou que todas as apresentadoras de televisão usassem "roupas modestas" e que não mostrassem "demais a sua beleza".
VOTAR LIVREMENTE
As mulheres sauditas conquistaram em 2015 o direito de se candidatarem e votarem em eleições locais. Apesar do avanço, as candidatas só podiam fazer discursos escondidas por uma divisória ou, em alternativa, serem representadas por um homem. E também não têm direito de voto em plebiscitos acima dos locais.
PASSAR MUITO TEMPO COM UM HOMEM
É proibido uma mulher saudita interagir tempo "a mais" com um homem que não seja da sua família. A maior parte dos edifícios públicos possuem entradas diferentes para homens e mulheres. Transportes públicos, parques e praias também são segregados em muitas partes do país. Desrespeitar a lei resulta em punições para ambos, mas a mulher costuma sofrer os castigos mais severos.
PRATICAR DESPORTO SEM LIMITAÇÕES
Já foi muito mais difícil a situação do desporto feminino na Arábia Saudita, mas ainda não é fácil. O país enviou uma delegação feminina a uns Jogos Olímpicos pela primeira vez em 2012, embora não tenha havido cobertura das atletas nos jornais locais (e elas foram obrigadas a ser acompanhadas por um homem). Ainda não há uma seleção feminina de futebol. Em 2013, foi aberto o primeiro centro desportivo exclusivo para mulheres no país, mas elas continuam proibidas de praticarem desporto nas escolas públicas.
EXPERIMENTAR UMA ROUPA DENTRO DA LOJA
De acordo com um relato publicado em 2010 na revista americana Vanity Fair, uma mulher é livre para experimentar o que quiser numa loja, quando estiver numa área segregada. Caso seja um estabelecimento que também permita homens, a ordem é que comprem e depois experimentem em casa.


In Visão
                                                                                                                                    EVANDRO FURONI


24.04.2017 às 12h36

Faltam poucos minutos para a Madrugada de Liberdade...
                     25 de Abril!


                                                Lola

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Porque são Mulheres...


Porque são Mulheres...

Parlamento russo aprova “lei da bofetada” e descriminaliza violência doméstica

A nova legislação descriminaliza agressões com dor física, desde que não causem “lesões corporais graves”. Só no caso de haver algum risco para a saúde da vítima é que o agressor enfrenta acusações criminais.
 A nova lei passará agora por uma votação no Conselho da Federação do Senado, onde nenhuma oposição é esperada 
 O Parlamento russo, a Duma, aprovou esta sexta-feira a descriminalização da violência doméstica com 380 votos contra três. A nova moldura legal não prevê penalizações nos casos em que “não existam lesões corporais graves” e quando não ocorram mais do que uma vez por ano. A violência doméstica passa de uma ofensa criminal a uma ofensa administrativa.
Segundo a agência de notícias russa Tass, a legislação agora aprovada, a chamada “lei da bofetada”, altera o artigo 116.º do código penal russo ao excluir das ofensas criminais as agressões físicas a familiares, sejam pais que batam nos filhos ou maridos que agridam esposas. Só no caso de haver agressões recorrentes é que alguém poderá vir a ser processado criminalmente.
A nova legislação descriminaliza agressões com dor física, desde que não causem “lesões corporais graves”. Só no caso de haver algum risco para a saúde da vítima é que o agressor enfrenta acusações criminais.
Nos casos de agressões repetidas os acusados enfrentam uma multa até 40 mil rublos (621 euros), serviço comunitário obrigatório até seis meses ou uma pena de prisão até três meses. O delito administrativo para agressões físicas pela primeira vez prevê uma multa de até 30 mil rublos (466), prisão até 15 dias ou serviço comunitário obrigatório até 120 horas.
A primeira proposta para despenalizar a violência familiar provocou polémica. Vyacheslav Volodin, porta-voz da Duma, classificou esta lei como sendo de "de alto nível" e prometeu levar em conta a opinião pública durante a segunda discussão.
Segundo a agência Tass, no início desta semana, Volodin disse aos jornalistas que as sondagens mostraram que 59% dos entrevistados se pronunciaram contra a punição severa por pequenos conflitos na família, quando daí não resultassem danos físicos ou lesões graves.
Por seu lado, a deputada Olga Batálina, uma das autoras da lei, citou o Centro de Pesquisa de Opinião Pública da Rússia para dizer que a maioria dos russos condena a violência doméstica, mas apoia a iniciativa de aliviar as penas para agressões pela primeira vez.
Outra deputada, Yelena Mizúlina, ultraconservadora do Partido Rússia Justa, também co-autora da lei, afirmou na semana passada que a nova legislação aplica-se a agressões que provoquem apenas “contusões e escoriações”, que, no seu entender, são agressões livres de responsabilidade. “Na tradição cultural da família russa, as relações entre pais e filhos estão construídas sobre a autoridade dos pais”, apontou Mizúlina, citada pelo El País. E acrescentou que “as leis devem apoiar esta tradição familiar”. Esta foi a mesma deputada que no Verão de 2013 impulsionou a lei contra a propaganda homossexual, discriminatória a minorias sexuais.


PÚBLICO
CARLA CARVALHO TOMÁS 
28 de Janeiro de 2017, 2:26



Lola

terça-feira, 10 de junho de 2014

Porque são Mulheres...



PARCE QU'ELLES SONT FEMMES...

VIOLÉES, LAPIDÉES, MARTYRISÉES...



Incarcérée depuis février avec son fi ls, Martin, 20 mois, Meriam a donné naissance à Maya le 27 mai, dans cette prison pour femmes, à Omdurman, près de Khartoum. On lui reproche notamment son mariage à un chrétien, Daniel Wani, en décembre 2011© 
Au nom de la tradition,  chaque  jour des femmes vivent l’enfer. Voici trois histoires déchirantes
La région est connue pour la beauté de ses oiseaux. Mais, à l’aube du mercredi 28 mai, les geais bleus d’un manguier se sont envolés sous les cris d’horreur d’une foule de villageois. Aux branches se balancent deux corps. Des cousines, de 14 et 15 ans, pendues après avoir été violées. A plusieurs reprises, précisera l’autopsie. La scène se passe aux abords d’une bourgade indienne très pauvre, Katra Shahadatganj, près de Badaun, dans l’Uttar Pradesh. Sur la terre du yoga et des mantras, ici fut écrit le « Mahabharata », un texte sacré de l’hindouisme. Les victimes, elles, appartiennent à la caste des dalits, au plus bas échelon de la société. Pas de sanitaires chez elles, ni d’électricité dans les rues. La veille, elles ont attendu le crépuscule pour aller satisfaire leurs besoins dans un champ, à l’écart des regards.
Les petites ne sont pas revenues. Un voisin les a vues se faire harceler par des hommes. Un des pères se précipite au commissariat le plus proche, à 45 kilomètres : « D’entrée de jeu, les policiers m’ont demandé à quelle caste j’appartenais. Quand je leur ai répondu, ils m’ont lancé des bordées d’injures. Je les ai suppliés à genoux de venir à notre secours, mais ils riaient et me disaient de rentrer chez moi. » Depuis le drame, l’une des mères passe des heures à feuilleter les cahiers de sa petite dernière : « Elle rêvait d’aller à l’université, comme certains garçons du village. Je lui avais promis que ce serait possible. »

Mercredi 28 mai, dans le nord de l’Inde, des villageois découvrent les corps de deux adolescentes de 14 ans et 15 ans, violées puis pendues à un manguier.© DR
Les gamines sont tombées dans un piège mortel. Et très répandu. La moitié des Indiens ne disposent pas d’installations sanitaires, ce qui met particulièrement les femmes en danger car elles sont obligées de s’isoler dehors, la nuit. Leurs prédateurs le savent. Et les suivent. De ce problème, le nouveau Premier ministre a même fait un slogan : « Construire des toilettes d’abord, des temples plus tard ». Longtemps tabous, les viols font depuis quelque temps l’ouverture des journaux télévisés. Cette fois, c’est une onde de choc qui parcourt le pays. A New Delhi, hommes et femmes manifestent, exigeant des mesures. Ban Ki-moon, secrétaire général des Nations unies, publie un communiqué dénonçant ce crime. Aujourd’hui inculpés, les rieurs du commissariat trouvent la vie moins drôle. Quant aux auteurs présumés du forfait, ils sont sous les verrous. Ils risquent la peine de mort, comme l’a réclamée Rahul Gandhi, vice-président du Congrès, qui s’est rendu le 31 mai auprès des familles des victimes. Bientôt, la mousson s’abattra sur leur village. Une pluie de larmes sur cette plaine qui mène au marbre blanc du Taj Mahal, le mausolée qu’un empereur érigea pour l’amour de son épouse disparue.
Côté pakistanais de la frontière, une autre vague d’indignation se soulève. Mardi 27 mai, dans la douce Lahore, connue pour ses palais et ses jardins de Shalimar, Farzana ­Parveen, 25 ans, enceinte de trois mois, a été mise à mort en plein jour, sous le regard des passants. A coups de briques. Par une quinzaine de proches, dont ses frères et son père. Celui-ci « ne regrette rien », comme il dit : « Je l’ai tuée parce qu’elle a insulté toute notre famille en épousant un homme sans notre accord. » Farzana s’était mariée le 7 janvier dernier avec ­Muhammad Iqbal, 45 ans. Un scandale, puisque son clan l’avait promise à un cousin. Et d’accuser son époux de l’avoir enlevée… C’est pour innocenter son mari que la jeune femme se rend, le jour du drame, à la Haute Cour de Lahore. Et c’est aux portes de ce palais de justice qu’elle est massacrée.


Mardi 27 mai, à Lahore, au Pakistan, des policiers protègent le corps de Farzana Parveen, enceinte de trois mois. Sa famille vient de la tuer à coups de briques pour s’être mariée sans son accord.© Mohammad TAHIR/REUTERS
Un crime d’« honneur ». Un de plus. Le Pakistan en compte près de 900 pour la seule année 2013 ; une estimation basse car ces forfaits sont le plus souvent maquillés en accidents. Quand ils éclatent au grand jour, ils bénéficient en général d’une « tolérance » aux coutumes tribales : le meurtrier paie une coquette somme, le « prix du sang », aux proches de la victime, et tout est arrangé. Dans le fond, ça ne concerne que des arriérés dans de lointaines campagnes… Mais, cette fois, impossible de fermer les yeux. Pas en plein cœur de la capitale du Pendjab aux élégants cafés climatisés. Sur les sites des journaux locaux, les internautes fulminent : comment ces malades ont-ils pu ? Pourquoi les passants ne sont-ils pas intervenus ? « C’est une insulte à l’humanité et à l’islam, dit Khalid. Nous sommes le seul pays où l’argent permet de tuer sans conséquences. Notre nation paraît dépourvue de valeurs morales. » Sur les réseaux sociaux, le buzz fait le tour du monde. Le partenaire américain fustige ; l’ancienne puissance coloniale anglaise se dit « horrifiée ». Sommé d’agir, le Premier ministre pakistanais, Nawaz Sharif, s’époumone sur le thème « Que fait la police ? ». Le père de Farzana est écroué. Quant à Muhammad Iqbal, le mari, il n’a pas craint de révéler un autre crime : lui-même a tué sa précédente femme, pour pouvoir épouser Farzana, justement. ­Impuni, car il a payé le « prix du sang » à son ancienne belle-­famille. A Islamabad, les manifestants ne décolèrent pas. Et s’inquiètent. Ils craignent que la pression retombe au fil des jours et que les barbares, une fois de plus, trouvent de sympathiques petits arrangements avec la justice.
AU PAKISTAN, POUR LA SEULE ANNÉE 2013, ON A COMPTÉ PRÈS DE 900 CRIMES D’«HONNEUR» 
Si les Pakistanais peuvent clamer leur colère, les Soudanais, eux, doivent la ravaler depuis des décennies. Dans cette dictature assise sur des mines d’or et du pétrole, le mot « justice » n’est qu’une plaisanterie. Sinistre. Depuis le 17 février dernier, Meriam Yehya Ibrahim croupit à la prison fédérale d’Omdurman en compagnie de son fils, Martin, 20 mois. Le 27 mai, elle y a accouché d’une petite Maya. Les geôliers ne lui avaient même pas ôté ses chaînes. Elle dispose de deux ans pour allaiter sa fille. Après quoi, elle ira pendre au bout d’une corde. Son crime ? Avoir épousé l’homme de sa vie, Daniel Wani, un chrétien. Comme elle. Mais les autorités prétendent qu’elle est musulmane et qu’elle a renié sa religion. Le Code pénal de 1991 interdit l’apostasie. Cependant, depuis 2005, la Constitution autorise tous les droits en matière de croyance. Y compris d’en changer.
Le 15 mai, à la cour Halat Kuku de Khartoum-Nord, le juge demande une ultime fois à Meriam de « revenir » à l’islam, la religion de son père. Or celui-ci est mort quand elle avait 6 ans, et elle a été élevée par une mère orthodoxe, originaire d’Ethiopie. En 2010, la jeune laborantine a rencontré Daniel Wani, un biologiste qui travaille dans une ONG, à son église de Khartoum. Ils s’y sont mariés en décembre 2011 et vivaient depuis dans un quartier cossu de la capitale. Telle une Blandine dans l’arène aux lions d’un César, Meriam sait ce qu’elle risque mais ne flanche pas. A ses bourreaux, elle répond calmement : « Je suis chrétienne et n’ai jamais été une apostate. » Le couperet tombe : la peine de mort, assortie d’une centaine de coups de fouet pour « adultère », car son mariage avec un chrétien n’est pas reconnu. Quant à Martin, il est aussi considéré comme musulman. Par « héritage ». Pas question qu’il rejoigne son père, il restera en prison avec sa mère.
Dans la salle du tribunal, Daniel, handicapé de naissance, assiste au jugement depuis sa chaise roulante. A l’énoncé du verdict, il fond en larmes. Pas l’accusée. A l’extérieur, une cinquantaine de sympathisants agitent des panneaux réclamant sa libération. Des héros, eux aussi : à l’automne dernier, la police a tiré sur des manifestants, en tuant 300, puis a raflé quelque 800 personnes soupçonnées de critiquer le régime. « La persécution de Meriam est typique de cette dérive », explique l’opposant Ajed Serid, de l’association pour les droits civils Sudan Change Now, aujourd’hui réfugié à Londres. « Le gouvernement, dit-il, détourne la religion et instrumentalise les différences ethniques pour se maintenir au pouvoir. » Pour masquer, notamment, sa corruption : dans ce domaine, Transparency International classe le Soudan 174e sur 177 pays. Difficile de faire pire. Omar Al-Bachir, au pouvoir depuis le coup d’Etat de 1989, est le seul président en exercice sous mandat d’arrêt international pour crimes de guerre et génocide.
Le sort de Meriam suscite très vite l’indignation du monde entier. D’autant que son mari, qui a vécu quelques années aux Etats-Unis, possède aussi la citoyenneté américaine. Plusieurs pétitions font le plein de signatures, lancées par Amnesty International, Change.org et le Collectif urgence Darfour. Samedi 31 mai, le sous-secrétaire du ministère des Affaires étrangères annonce une proche libération, aussitôt démentie par le porte-parole du même ministère. Pour Ajed Serid et les avocats de la condamnée, c’est une manœuvre de diversion afin de faire retomber la pression internationale : tant que Meriam n’aura pas recouvré la liberté, il ne faudra rien lâcher.
DR
Le 06 juin 2014 | Mise à jour le 08 juin 2014

PAR KAREN ISÈRE







Lola


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