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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Telemóvel na sala de aula


Telemóvel na sala de aula

 É possível e já há escolas que autorizam

Na Secundária de Carcavelos, os telemóveis são usados em todas as disciplinas, quando os docentes autorizam. Quem não cumpre, é suspenso um dia
Uso de smartphones em sala de aula está hoje em discussão, no Teatro Thalia, em Lisboa. Maioria das escolas não permite
Fazer pesquisas, consultar dicionários, realizar cálculos, fotografar powerpoints. Estas são algumas das atividades para as quais os alunos do Agrupamento de Escolas de Carcavelos podem usar o telemóvel dentro da sala de aula, mediante autorização do professor. Quem quebrar as regras, fica sujeito a um dia de suspensão. É assim há cinco anos. "Começámos a ter problemas, porque os telemóveis perturbavam as aulas. Era preciso fazer qualquer coisa. Decidimos então envolver os alunos na criação de um artigo no regulamento para a utilização destes equipamentos", recorda Adelino Calado, diretor do agrupamento, que hoje partilha a sua experiência no debate "Telemóvel na sala de aula: sim ou não?", promovido pelo projeto Edulog, da Fundação Belmiro de Azevedo.
Académicos, clínicos e especialistas no tema juntam-se para debater a utilização de smartphones na sala de aula. "Quase todos os adolescentes têm telemóvel. É uma realidade. Tem um potencial de utilização e de disrupção muito grande. Não se pode fingir que o problema não existe. Deve ser permitido ou proibido? Deve ser usado para questões de ensino?", questiona João Filipe Queiró, membro do conselho consultivo do Edulog.
Do lado dos "prós" estará Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agru-pamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), que considera que o telemóvel é mais "um instrumento de trabalho, tal como os manuais e os cadernos de atividades". "Mas o seu uso tem de ser mediado, implica regras." Por um lado, defende, "motiva mais os alunos e já se sabe que a motivação leva a mais sucesso nos resultados". Por outro, "não se pode proibir aquilo que a sociedade permite". Segundo o presidente da ANDAEP, "quase todas as escolas proíbem o uso de telemóvel na sala de aula", cabendo a decisão ao conselho pedagógico. Admite que fará mais sentido em algumas disciplinas do que noutras e não afasta o risco de os alunos acederem a aplicações de jogos ou redes sociais quando deviam fazer pesquisas. "É um risco que tem de ser assumido, mas as vantagens são maiores do que os inconvenientes", frisa.
Contra a utilização dos smart-phones neste contexto está Júlia Vinhas, coordenadora da unidade de Setúbal do CADin - Neurodesenvolvimento e Inclusão. "Apesar de já existirem há alguns anos, ainda não temos perfeita noção do impacto em termos de aprendizagens. Sabemos que pode aumentar até a criatividade, mas também faz diminuir a atenção e há um menor envolvimento do aluno durante o tempo letivo", refere.
Usar estes equipamentos como instrumentos de trabalho é, na opinião da psicóloga clínica, perigoso. "Pode perder-se a relação do professor com o aluno. Além disso, o telemóvel é um espaço de emoções, permite fugir da realidade. Há uma forte probabilidade de os alunos se distanciarem." E há ainda o risco de gravarem as aulas e usarem as gravações para agredir e magoar os outros - o cyberbullying. Consciente de que o caminho é no sentido da "liberalização", a psicóloga considera que ainda é prematuro fazê-lo. "Há professores que não sabem usar esta tecnologia. Introduzir sim, mas depois de perceber o impacto nas aprendizagens."

Menos infrações
"Se não os consegues combater, junta-te a eles." Foi nesta lógica que Adelino Calado decidiu autorizar os telemóveis na sala de aula. "Há estudos que dizem que pode ser prejudicial para as crianças, mas é uma das suas prendas favoritas. E os pais esquecem-se de as ensinar a usá-los", lamenta. É aí que entra a escola. "É fundamental que os professores aprendam as potencialidades desta tecnologia, os melhores sites, as melhores aplicações", refere o diretor do agrupamento.
Com esta medida, os alunos deixaram de ter de sair da sala de aula para fazer pesquisas ou consultar dicionários. Além disso, adianta Adelino Calado, "diminuiu muito o número de infrações por uso indevido [há quatro a cinco por ano], porque percebem o certo e o errado".
Ivone Patrão, psicóloga e autora do livro #Geração Cordão - A Geração que não Desliga, estará do lado dos "contras", mas, frisa, "é a favor do uso das tecnologias para a aprendizagem e desenvolvimento das crianças e jovens".
Contudo, discorda do "uso sem objetivos, sem interesse". Considera que o smartphone "não favorece a coesão da turma" e faz que os alunos não estejam "ali no momento". Diz que é inevitável que consultem aplicações. "Contudo, se os motivarmos para a tarefa que está a acontecer, vão fazê-lo menos." Os professores devem estar atentos a possíveis casos de dependência.

In DN

Joana Capucho
15 DE NOVEMBRO DE 201701:09



Permitir ou proibir?
Vamos, então, argumentar!

                                            Lola

Telemóvel na sala de aula


Telemóvel na sala de aula:
 sim ou não? Especialistas dividem-se

O telemóvel já entra na escola, mas pode ser usado como um instrumento de trabalho? A discussão começa ao início da tarde, em Lisboa.
O telemóvel entra na escola com a conivência dos pais, é usado no recreio, serve para filmar indevidamente a professora a ser empurrada por uma aluna; para gravar a lagarta na comida, mas também pode ser usado para fazer pesquisa, aprender a seleccionar informação, em suma, para aprender. “Telemóvel na sala de aula: sim ou não?” é o tema que vai ser debatido em Lisboa, ao início da tarde desta quarta-feira, numa organização da Edulog, da Fundação Belmiro de Azevedo (fundador da Sonae, grupo de que o PÚBLICO faz parte).
Portugal é dos países europeus onde os jovens estão mais dependentes das novas tecnologias e, apesar de a UNESCO, em 2014, ter aconselhado a utilização do telemóvel nas escolas, a verdade é que este é pouco usado, reconhecem todos os intervenientes neste encontro com quem o PÚBLICO falou. 


João Trigo, director do Colégio Efanor, em Matosinhos; Júlia Vinhas, psicóloga do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (Cadin), em Setúbal, e Ivone Patrão, do ISPA e da consulta de dependência de Santa Maria, defendem que o telemóvel não deve entrar na sala de aula. Já Eduarda Ferreira, investigadora envolvida no EU Kids Online Portugal(estudo europeu sobre o uso das novas tecnologias pelos jovens); Filinto Lima, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas; e João Couvaneiro, que foi considerado um dos melhores professores do mundo, são a favor.
“Pode ser um bom instrumento de trabalho, desde que usado com regras e de acordo com cada uma das disciplinas. Por exemplo, a professora de Inglês pode usar para fazer pesquisa; a de Matemática para explorar a máquina de calcular”, exemplifica Filinto Lima em conversa com o PÚBLICO. João Trigo não está de acordo e considera que as novas tecnologias devem fazer parte do ensino, mas que o telemóvel “é a pior opção de todas” porque “é a mais difícil de controlar”. “No computador, o professor sabe o que estão a fazer os alunos, estes podem trabalhar em grupo; com o telemóvel, não”, avalia. Além disso, pode ser usado indevidamente, sem que o docente se aperceba, “pondo em causa a privacidade dos colegas e do professor”, alerta. 
“Um dos medos é que a sala de aula passe a estar visível para o exterior, mas a escola devia ser mais aberta”, considera Eduarda Ferreira. O director do colégio de Matosinhos acrescenta que há “professores que acham que conseguem usar o telemóvel de forma controlada, mas os alunos têm sempre forma de ludibriar no uso das tecnologias”. Esse é precisamente o receio de muitos docentes, reconhece Eduarda Ferreira, que critica a resistência à mudança. “A escola tem de lidar com a realidade de que não pode estar isolada do mundo”, defende.
Distracção e dependência
Por seu lado, Júlia Vinhas lembra que o telemóvel pode provocar distracção, além de criar dependência. Os jovens ainda “não têm maturidade suficiente para o usar na sala de aula”, acredita. Assim como os professores não estão preparados — “andam a lutar com a atenção dada ao telemóvel” pelos alunos, acrescenta a psicóloga, que acompanha em consulta crianças e jovens com problemas de dependência das novas tecnologias.
Esta ferramenta é um “desafio que implica que o professor deixe de estar no centro do saber e permite aos jovens ganhar espírito crítico”, defende Eduarda Ferreira, elogiando o novo perfil do aluno, que “pode dar força aos professores para terem práticas diferentes”. A especialista em psicologia da educação reconhece que “existem riscos, mas também oportunidades”. E, por isso, fala em “riscos controlados” — da mesma maneira que a criança aprende a andar na rua, também deve aprender a ligar e a desligar.
A ideia desta conferência surgiu no seio do conselho consultivo do Edulog, de que Isabel Leite, ex-secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário do Governo de Passos Coelho, e João Filipe Queiró, da Universidade de Coimbra, fazem parte. Se, por um lado, o telemóvel pode ser “um problema na sala de aula, por outro, também pode ser bem integrado”, acredita Isabel Leite, para quem “há excelentes exemplos” do trabalho em ambiente escolar com estes aparelhos. Estes são “instrumentos poderosíssimos”, reconhece o matemático de Coimbra, que deixa uma “nota pessoal”: “Teria pena de que os alunos usassem o telemóvel [indevidamente] por falta de autoridade da escola.”
In Publico
BÁRBARA WONG 
15 de Novembro de 2017, 9:27


A favor ou nem por isso?
Vamos, então, Argumentar!

                                           Lola
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